‘Nosso futuro não está à venda’, lema dos indígenas que ocupam Brasília nesta semana

‘Nosso futuro não está à venda’, lema dos indígenas que ocupam Brasília nesta semana

Povos indígenas se reúnem em Brasília para o acampamento “Terra Livre”, noticia a Telesur. Durante o encontro, cerca de 300 representantes de povos indígenas centrarão o debate no avanço da mineração em seus territórios e nas eleições gerais de outubro, nas quais pretendem fortalecer sua representação parlamentar aumentando o número de legisladores indígenas. Organizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a nova edição do acampamento tem como lema central: “Nosso futuro não está à venda: nós somos a resposta!” Ao longo desta semana, a Esplanada dos Ministérios receberá milhares de participantes em um espaço que combina atividades políticas, culturais e de mobilização. Marchas e manifestações refletem a diversidade de línguas, canções e tradições dos povos indígenas, presentes no território brasileiro desde antes da colonização portuguesa em 1500.

No entanto, o clima também é marcado pelo descontentamento. Em 2023, o presidente Lula se comprometeu a formalizar todas as terras indígenas pendentes antes do fim de seu mandato, em 2026. As cerca de 20 demarcações concluídas até agora ficaram aquém das expectativas. A APIB identifica pelo menos 76 territórios que poderiam concluir o processo administrativo com a aprovação presidencial.

A 22a edição do evento ocorre ao longo desta semana em Brasília e segue até sexta-feira (10/4), com uma programação voltada à defesa dos direitos dos povos originários. (France24)

No sábado, em uma segunda reportagem sobre o tema, a Telesur informou que a demarcação de terras indígenas no Brasil registrou avanços significativos nos últimos anos, marcando uma clara ruptura com o desmantelamento dos direitos indígenas observado nos governos anteriores. O Ministério dos Povos Indígenas (MPI), criado no início do atual mandato do presidente Lula, tornou-se um instrumento central para promover os direitos territoriais e a participação política das comunidades indígenas. De acordo com dados da mídia independente e relatórios oficiais, 20 terras indígenas foram aprovadas para demarcação, enquanto 21 portarias declaratórias foram assinadas. Essas medidas representam conquistas concretas na proteção de territórios ancestrais há muito ameaçados pela mineração ilegal, pelo desmatamento e pela expansão do agronegócio. O processo tem sido impulsionado por uma forte mobilização de organizações indígenas, que conquistaram acesso sem precedentes aos espaços de tomada de decisão no âmbito do Estado brasileiro. Essa mudança reverte as políticas das eras Temer e Bolsonaro, que enfraqueceram as proteções ambientais e favoreceram os interesses econômicos em detrimento dos direitos indígenas.

CHINA PARCEIRA DO BRASIL

O presidente Lula destacou a importância da China como parceiro fundamental no financiamento e na promoção de grandes projetos de infraestrutura no Brasil, especialmente no estado da Bahia, durante uma entrevista à TV Record Bahia. Lula enfatizou que a cooperação com a China tem desempenhado um papel central na viabilização de investimentos em grande escala, incluindo a construção da ponte Salvador-Itaparica. O presidente observou que a China demonstra atualmente a maior disposição para investir no Brasil. “Neste momento, a China é o país que tem demonstrado a maior disposição para trabalhar com o Brasil”, afirmou, ao mesmo tempo em que ressaltou que o Brasil busca parcerias com todas as nações. (Global Times)

LULA EM PORTUGAL

O presidente Lula prevê visitar Portugal no dia 21 de abril, disse esta segunda-feira à Lusa fonte da Presidência brasileira. De acordo com a fonte do Palácio do Planalto, Lula tem previsto encontrar-se com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e com o Presidente da República, António José Seguro. A confirmar-se, este será o primeiro encontro entre António José Seguro e Lula da Silva, que não conseguiu marcar presença na tomada de posse do Presidente português, porque já tinha agendada reunião com o Presidente da África do Sul, um parceiro do Brasil nos Brics. (Expresso)

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SÓ FLÁVIO, POR FAVOR

Em texto irônico, como sempre, a edição de sexta-feira do Guardian diz que “ele possui um dos sobrenomes mais famosos da política latino-americana”, mas quando o senador brasileiro subiu ao palco em uma conferência conservadora em Grapevine, no Texas, no último fim de semana, era apenas seu primeiro nome que estava na boca de todos. “Flávio! Flávio! Flávio!”, gritava a plateia enquanto o político de 44 anos anunciava que concorreria à Presidência para combater as agendas “ambientais radicais e woke” que, segundo ele, tornaram o Brasil horrível novamente. “Deixem-me olhar nos olhos de vocês e dizer: nós vamos vencer”, disse o senador sem sobrenome em um inglês hesitante, lendo um teleprompter. O Flávio em questão é Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar após receber uma sentença de 27 anos de prisão por tentar anular o resultado das eleições de 2022. Enquanto o filho mais velho de Bolsonaro busca catapultar sua família de volta ao topo da política brasileira nas eleições deste ano, muitos acreditam que ele está minimizando intencionalmente sua ascendência, numa tentativa de se livrar do peso de um nome que muitos associam a tendências antidemocráticas e a uma catástrofe causada pelo coronavírus que matou centenas de milhares de pessoas.

Analistas políticos identificaram uma estratégia deliberada para reposicionar o político de direita na mente dos eleitores, apresentando-o como um suposto “Flávio” moderado, em vez de um membro-chave do clã Bolsonaro.

O jornalista Ruy Castro resumiu a questão no título de uma coluna: “Flávio descobriu que Bolsonaro é palavrão”.

GÁS DO POVO EM RISCO

O aumento dos preços da energia pode comprometer um popular programa brasileiro que fornece gás de cozinha gratuito a cerca de 50 milhões de pessoas, alertaram distribuidoras de combustível, revendedores e analistas, seis meses antes das eleições presidenciais. O presidente Lula o programa “Gás do Povo” como sua principal iniciativa no setor de energia em novembro, antes das reeleição em outubro. A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã provocou um forte aumento nos preços do gás de petróleo liquefeito no Brasil. Depois que um leilão realizado pela estatal Petrobras registrou sobrepreços de até o dobro dos preços de referência, Lula, indignado, prometeu na semana passada anular a licitação. (Reuters)

Na imagem, Luana Kaingang, coordenadora geral da Artinsul, participa da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL) em Brasília / Valter Campanato /Agência Brasil