Operação investiga infiltração do PCC na polícia e MP de São Paulo
Dez mandatos de busca e apreensão e três de prisão temporária ocorreram em Campinas e Cardoso, no interior paulista. Investigação foi deflagrada pelo MP paulista e visa investigar colaboração entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e agentes públicos do estado (MPSP/Divulgação)
POR TATIANA CARLOTTI
O Ministério Público de São Paulo deflagrou na manhã desta terça-feira (09/06) a Operação Infiltrados, uma ação destinada a investigar uma suposta rede de colaboração entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e agentes públicos ligados ao sistema de segurança e de Justiça do estado. A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Civil, da Polícia Militar e das corregedorias das polícias Civil e Penal. Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária nas cidades de Campinas e Cardoso, informa a cubana Prensa Latina.
De acordo com a investigação, a organização criminosa teria construído uma rede de proteção e troca de informações com servidores públicos, permitindo o vazamento de dados confidenciais e o favorecimento de atividades ilícitas. Conforme revelou as apurações, integrantes do PCC planejavam um atentado contra o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho. O Ministério Público afirma que um dos suspeitos de participar do plano reuniu-se com o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas poucos dias antes da operação que frustrou a tentativa de assassinato em 2025. Vídeos obtidos pelos investigadores registrariam o encontro entre o criminoso e o servidor público.
Além disso, um estagiário do próprio Ministério Público teria se infiltrado em uma promotoria criminal de Campinas para identificar integrantes da facção com elevado poder econômico e exigir pagamentos em troca de proteção contra investigações. O esquema contaria com o apoio de um policial penal e de um ex-policial civil expulso da corporação por envolvimento em crimes de extorsão.
China-Brasil
Na área econômica, China e Brasil reforçaram nesta terça-feira o compromisso de ampliar a cooperação financeira bilateral. Segundo o jornal chinês Global Times, autoridades dos dois países participaram em Pequim da 12ª Reunião do Subcomitê Financeiro China-Brasil e de um encontro entre os presidentes dos bancos centrais. Entre os temas discutidos estão a ampliação do uso de moedas locais no comércio bilateral, a expansão dos acordos de swap cambial, a negociação direta entre yuan e real e a emissão de títulos soberanos brasileiros no mercado chinês.
O vice-ministro das Finanças chinês, Liao Min, afirmou que a China “está disposta a trabalhar com o Brasil para fortalecer a comunicação e a coordenação em políticas macroeconômicas, aprofundar a cooperação financeira bilateral prática e aprimorar a coordenação e a cooperação em mecanismos multilaterais, a fim de injetar mais segurança em um mundo turbulento por meio de nosso próprio desenvolvimento econômico estável”.
Empresas afetadas por Trump
O jornal mexicano La Jornada informa que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ampliou o alcance do programa Brasil Soberano para apoiar empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelos impactos dos conflitos no Oriente Médio. A principal mudança foi a redução de 5% para 1% do percentual mínimo de perda de faturamento exigido para acesso às linhas especiais de crédito.
O programa contempla setores como aço, cobre, alumínio, automóveis e móveis, atingidos pelas tarifas de 50% impostas por Washington em 2025, além de segmentos ligados ao comércio com o Oriente Médio. Segundo estudo do BNDES citado pelo jornal, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 21% entre agosto e dezembro de 2025, período em que entrou em vigor a primeira rodada das sobretaxas norte-americanas.
Flávio Bolsonaro
O equatoriano El Mercurio destacou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tornou-se personagem central da disputa eleitoral entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro. A reportagem destaca que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA e a ameaça de novas tarifas sobre produtos brasileiros passaram a integrar o debate eleitoral.
Paralelamente, a agência italiana ANSA Latina informou que Flávio Bolsonaro defendeu a decisão norte-americana e criticou o governo brasileiro por rejeitá-la. Durante evento em São Paulo, o senador declarou: “A partir do momento em que o governo dos Estados Unidos classifica essas organizações como terroristas, em vez de o governo brasileiro agradecer e promover um grande pacto para combater a lavagem de dinheiro desses grupos, faz o contrário e recorre ao argumento de que está defendendo a soberania”. Em seguida, acrescentou: “Então, você olha para o presidente do Brasil e pensa: ‘parece que ele é o chefe do PCC’”.

Tatiana Carlotti é repórter do Fórum 21 desde 2022. Cobre política e cultura, confira aqui.
