Petrobras recebe aval do Ibama para pesquisar petróleo na foz do Amazonas

A autorização para que a Petrobras pesquise petróleo na costa do Amapá é tema da mídia estrangeira. Veja também a nota da empresa.
A Petrobras recebeu nesta segunda-feira (20) a licença de operação do Ibama para perfurar um poço exploratório em águas profundas na região da Foz do Amazonas. A área é considerada uma das novas fronteiras de petróleo e gás do país.
Segundo o Ibama, a licença foi concedida após uma série de aperfeiçoamentos no projeto da Petrobras. A empresa disse que comprovou a “robustez de toda a estrutura de proteção ao meio ambiente” que será usada na perfuração.
A Petrobras afirma que novas fronteiras de exploração são importantes para “assegurar a segurança energética do país e os recursos necessários para a transição energética justa”.
A área, em águas profundas ao largo da costa do Amapá, é considerada a fronteira petrolífera mais promissora da Petrobras, compartilhando a geologia com a vizinha Guiana, onde a Exxon Mobil (XOM.N) está desenvolvendo enormes campos.
A Petrobras informou que a perfuração na região de Foz do Amazonas começaria imediatamente e duraria cinco meses, após uma batalha de cinco anos para obter permissão para explorar a área.
“A Petrobras cumpriu todos os requisitos estabelecidos pelo Ibama [órgão fiscalizador ambiental], atendendo integralmente ao processo de licenciamento ambiental”, afirmou a gigante petrolífera em comunicado.
O Observatório do Clima, rede brasileira de organizações ambientais, afirmou em comunicado que a licença foi uma “sabotagem” à cúpula climática global COP30, que o Brasil sediará no próximo mês na cidade amazônica de Belém. “A autorização contraria todas as recomendações científicas”, diz o Libération.
(Guardian / Agência France Press / Reuters / Libération / BBC /Público)
Segue a íntegra da nota da Petrobras divulgada nesta segunda-feira:
“A Petrobras recebeu hoje (20/10) a licença de operação do Ibama para a perfuração de um poço exploratório no bloco FZA-M-059, localizado em águas profundas do Amapá, a 500 km da foz do rio Amazonas e a 175 km da costa, na Margem Equatorial brasileira.
A sonda se encontra na locação do poço e a perfuração está prevista para ser iniciada imediatamente, com a duração estimada de cinco meses. Por meio desta pesquisa exploratória, a companhia busca obter mais informações geológicas e avaliar se há petróleo e gás na área em escala econômica. Não há produção de petróleo nessa fase. “A conclusão desse processo, com a efetiva emissão da licença, é uma conquista da sociedade brasileira e revela o compromisso das instituições nacionais com o diálogo e com a viabilização de projetos que possam representar o desenvolvimento do país. Foram quase cinco anos de jornada, nos quais a Petrobras teve como interlocutores governos e órgãos ambientais municipais, estaduais e federais. Nesse processo, a companhia pôde comprovar a robustez de toda a estrutura de proteção ao meio ambiente que estará disponível durante a perfuração em águas profundas do Amapá. Vamos operar na Margem Equatorial com segurança, responsabilidade e qualidade técnica. Esperamos obter excelentes resultados nessa pesquisa e comprovar a existência de petróleo na porção brasileira dessa nova fronteira energética mundial”, disse Magda Chambriard, presidente da Petrobras.
A Petrobras atendeu a todos os requisitos estabelecidos pelo Ibama, cumprindo integralmente o processo de licenciamento ambiental. Como última etapa de avaliação, a companhia realizou, em agosto, um simulado in loco, denominado Avaliação Pré-Operacional (APO), por meio do qual o Ibama comprovou a capacidade da Petrobras e a eficácia do plano de resposta à emergência.
A companhia segue comprometida com o desenvolvimento da Margem Equatorial brasileira, reconhecendo a importância de novas fronteiras para assegurar a segurança energética do país e os recursos necessários para a transição energética justa.”
PRIMEIRO-MINISTRO BRITÂNICO VIRÁ À COP30
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer participará da cúpula climática COP30 no Brasil em novembro para acelerar os esforços do Reino Unido em busca do zero líquido e impulsionar o crescimento verde, disse seu porta-voz na segunda-feira. “O primeiro-ministro participará da cúpula climática COP30 em Belém, Brasil, no próximo mês, porque o zero líquido é a oportunidade econômica do século XXI”, disse seu porta-voz. (Guardian / Reuters)
O CAPITAL CONTRA O DESMATAMENTO
Investidores globais que administram mais de US$ 3 trilhões em ativos pediram aos governos, na segunda-feira, que parem e revertam o desmatamento e a degradação do ecossistema até 2030, em uma declaração assinada antes da conferência climática da ONU no Brasil no próximo mês.
Cerca de 30 investidores institucionais, incluindo o banco privado suíço Pictet Group e o investidor nórdico DNB Asset Management, assinaram até agora a Declaração de Belém dos Investidores sobre as Florestas Tropicais, que está aberta até 1º de novembro.
Um relatório divulgado na semana passada revelou que o mundo está muito aquém da meta de deter o desmatamento, com perdas de 8,1 milhões de hectares (20 milhões de acres) de floresta — uma área aproximadamente do tamanho da Inglaterra — somente em 2024, em grande parte devido à expansão agrícola e aos incêndios florestais.
“Como investidores, estamos cada vez mais preocupados com os riscos financeiros significativos que o desmatamento tropical e a perda da natureza representam para nossos portfólios”, afirmou o comunicado. (Reuters)
EUA: ASSESSOR DE BOLSONARO NÃO ENTROU NO PAÍS
A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos não é conhecida por sua humildade. Admitir que cometeu um erro é algo significativo. No entanto, ela tomou essa medida incomum em um comunicado à imprensa divulgado em 10 de outubro, reconhecendo finalmente que havia errado ao afirmar que o cidadão brasileiro Filipe Martins havia entrado nos Estados Unidos no final de dezembro de 2022. A correção da CBP ocorre mais de 18 meses depois que Martins, assessor do governo do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, provou às autoridades americanas que não havia saído do Brasil naquela época. Por que a CBP alegou que ele havia saído e, até agora, se recusou a admitir que tal registro não existe? É improvável que tenha sido um mero erro burocrático. Os registros eletrônicos falsos da CBP foram usados para promover uma ação judicial com motivação política contra ele no Brasil, e é difícil acreditar que tenha sido coincidência. (Wall Street Journal) UOL (contexto)
Na imagem, navio sonda NS-42 que será usado pela Petrobras para a perfuração na Foz do Amazonas, na Margem Equatorial / Divulgação/Petrobras

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produzo o Focus 21, escrevo e edito os textos dos analistas.
