PIB cresce 2,3% em 2025, com agro e Lula em alta

PIB cresce 2,3% em 2025, com agro e Lula em alta

Agro em alta, diplomacia ativa e protagonismo ambiental colocam o Brasil no centro do cenário internacional. (Foto: Ricardo Stuckert)

POR JOANNE MOTA

Nesta terça (3), o Brasil segue em destaque, seja pelos números da economia, seja por sua atuação diplomática em meio a uma escalada bélica global, seja ainda por sua política ambiental e de desenvolvimento sustentável. Entre os números do PIB e a força do agro, as tensões entre Washington e Teerã, e as mobilizações amazônicas, o país aparece como ator que equilibra interesses internos e pressões externas.

Em um mundo marcado por conflitos e disputas geopolíticas, o Brasil tenta sustentar crescimento, soberania e diálogo. E isso não é pouca coisa. Confira!

PIB e o agro em alta

Segundo a agência italiana ANSA, na matéria “PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025; agropecuária é destaque”, o Produto Interno Bruto brasileiro avançou 2,3% em 2025, conforme dados divulgados pelo IBGE. Trata-se de uma desaceleração em relação aos 3,4% registrados em 2024, mas ainda assim um crescimento relevante em um cenário internacional de incertezas.

O PIB totalizou R$ 12,7 trilhões em valores correntes, enquanto o PIB per capita alcançou R$ 59.687,49, com avanço real de 1,9%. A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB, levemente abaixo dos 16,9% do ano anterior, enquanto a taxa de poupança subiu para 14,4%, ante 14,1%.

O grande destaque foi a agropecuária, que cresceu 11,7% em 2025. A expansão decorreu principalmente do aumento da produção agrícola, com safras recordes de milho (23,6%) e soja (14,6%). Em um país historicamente marcado pela força do latifúndio, os números mostram a potência do campo — ainda que permaneça o desafio de distribuir melhor os frutos dessa riqueza.

O setor de serviços avançou 1,8%, com expansão em todas as atividades, sobretudo informação e comunicação (6,5%). Já a indústria cresceu 1,4%, puxada pelo segmento extrativo (8,6%), beneficiado pelo aumento da extração de petróleo e gás.

O consumo das famílias subiu 1,3%, impulsionado pela melhora no mercado de trabalho, pelo aumento do crédito e pelos programas de transferência de renda. Contudo, o IBGE destacou que houve desaceleração frente aos 5,1% de 2024, “devido, principalmente, aos efeitos adversos da política monetária contracionista”.

Além disso, o consumo do governo cresceu 2,1%, reforçando o papel do Estado como indutor da economia. Em tempos em que o mercado costuma reivindicar protagonismo absoluto, os dados sugerem que o investimento público e as políticas sociais seguem sendo pilares essenciais do dinamismo econômico.

Escalada no Oriente Médio

Ainda segundo a ANSA Latina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com seu assessor internacional, Celso Amorim, para discutir a posição brasileira frente ao conflito iniciado após ofensiva ordenada por Donald Trump. O objetivo seria equilibrar crítica e diplomacia.

Fontes ouvidas indicam que Lula pretende adotar um discurso crítico à ofensiva norte-americana, mas sem recorrer a expressões severas como as utilizadas em janeiro, durante a operação dos EUA na Venezuela. Ainda assim, deverá se posicionar contra ações dirigidas ao Irã, país integrante do BRICS.

O governo brasileiro já havia se manifestado por meio de Celso Amorim, que declarou: “Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder que está em exercício é inaceitável. Devemos estar preparados para o pior”. A afirmação deixou clara a desaprovação brasileira à escalada militar.

A relação entre Lula e Trump também é atravessada pela política interna. O republicano mantém afinidade com Jair Bolsonaro, cujo filho, Flávio, deverá disputar as eleições de outubro. Preservar o diálogo, segundo a reportagem, é visto como forma de “evitar ou mitigar a ingerência de Washington” no processo eleitoral brasileiro.

O Brasil, portanto, caminha sobre uma corda bamba diplomática: critica o unilateralismo militar, mas preserva canais de diálogo. Em tempos de pólvora, a diplomacia é muitas vezes o último fio de racionalidade.

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“Em 60 anos de diplomacia nunca vivi um momento como este”

O jornal uruguaio la diaria destacou as declarações de Celso Amorim em conferência na UFRJ. “Em 60 anos de diplomacia nunca vivi um momento como este. Vivemos um período de história acelerada, de imprevisibilidade”, afirmou o assessor de Lula, demonstrando preocupação com a escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Amorim foi enfático: “Devemos nos preparar para o pior”. Segundo ele, o aumento vertiginoso das tensões no Oriente Médio possui grande potencial de propagação regional.

Criticando o assassinato do aiatolá Ali Jamenei, declarou: “Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder em exercício é condenável e inaceitável”. A frase ecoa como crítica direta ao intervencionismo que ignora o direito internacional.

Ele também alertou: “Esta guerra não vai ser um passeio. O Irã é uma civilização com mais de 3.000 anos de história, um país com 90 milhões de habitantes. É algo que perdurará muito tempo”.

Sobre o encontro com Trump, ponderou: “Sempre é difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência. Manter a capacidade de dialogar sem comprometer a credibilidade requer habilidade”. Diplomacia, afinal, é a arte de falar firme sem incendiar pontes.

Irã sobre postura brasileira

A ANSA Latina informou que o embaixador iraniano no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu a “valente postura” do governo Lula ao condenar a ofensiva contra Teerã.

“Agradecemos sua condenação a esses atos de agressão”, declarou o diplomata, ressaltando que o Brasil valorizou “os princípios de humanidade, soberania, integridade territorial e independência dos governos”.

O governo brasileiro, no entanto, também condenou a resposta militar iraniana contra países do Golfo. Questionado, Nekounam afirmou que o Irã tem o “direito” de retaliar e que as ações se limitaram a bases militares.

O episódio evidencia o delicado equilíbrio brasileiro: defesa da soberania e do direito internacional, sem endosso irrestrito a qualquer escalada militar.

Força dos povos amazônicos

O jornal francês Le Monde destacou a mobilização de povos indígenas contra a exploração privada de 3 mil quilômetros de rios amazônicos. Cerca de cem militantes ocuparam um terminal da multinacional Cargill em Santarém, após semanas de protestos de mais de mil indígenas de 14 povos. A pressão levou o governo a revogar o decreto.

“Este governo está comprometido em ouvir o povo, ouvir os trabalhadores, ouvir os povos indígenas”, declarou Guilherme Boulos ao anunciar a revogação.

Em tempos de avanço predatório sobre territórios tradicionais, a vitória simboliza que mobilização popular ainda pode dobrar interesses econômicos poderosos.

US$ 48 bilhões para investimentos sustentáveis

A Reuters informa que o governo brasileiro espera mobilizar mais de 250 bilhões de reais em investimentos sustentáveis até o fim do mandato. Segundo a reportagem, o país criou um amplo conjunto de instrumentos financeiros e que a prioridade agora é “entregar resultados e atrair capital”, mais do que criar novas ferramentas.

Espera-se que mais de 15 países anunciem plataformas semelhantes após a iniciativa brasileira. Para o governo, a agenda do desenvolvimento sustentável foi “praticamente apagada” de fóruns internacionais sob a presidência norte-americana do G20, defendendo que Brasil e parceiros mantenham o tema em foco.

Os temas mostram um Brasil protagonista em múltiplas frentes: crescimento econômico com desafios estruturais, diplomacia ativa em meio à guerra, escuta aos povos originários e liderança na agenda climática. Em um mundo onde muitos optam pelo ruído das armas ou pela inércia do mercado, o país tenta afirmar uma terceira via: soberania com diálogo, desenvolvimento com inclusão.

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