Pobreza no Brasil chega ao nível mais baixo em 14 anos

A taxa de pobreza ficou em 23,1% no ano passado, enquanto a taxa de extrema pobreza chegou a 3,5%.
Por Carmen Munari
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou um relatório destacando uma queda acentuada nos índices de pobreza e extrema pobreza. Este é o terceiro ano consecutivo de redução em 2024, atingindo os menores níveis desde 2012, há 14 anos. A taxa de pobreza ficou em 23,1% no ano passado, enquanto a taxa de extrema pobreza chegou a 3,5%. O IBGE atribuiu essa redução a dois fatores: a recuperação do mercado de trabalho e a continuidade de programas sociais como o Programa Família. Contudo, a diminuição desses índices não eliminou as disparidades regionais e raciais no país. A proporção da população considerada pobre caiu 4,2 pontos percentuais, de 27,3% em 2023 para 23,1% em 2024. Assim, em termos absolutos, o número de pessoas nessa condição diminuiu em 8,6 milhões, e o número de pessoas vivendo em extrema pobreza no Brasil caiu de quase 57,6 milhões em 2023 para 48,9 milhões em 2024. Esta é a primeira vez que o número fica abaixo de 50 milhões nesta série histórica. (La Politica On Line, argentino / Brasil de Fato)
O Brasil encerrará 2025 com um dado que marca um ponto de virada em seu histórico combate à desigualdade: o país registrou o menor nível de concentração de renda desde o início das medições, em 2012. O índice de Gini, um barômetro internacional da desigualdade, caiu para 0,504, uma melhora significativa em relação aos 0,517 do ano anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa queda na desigualdade foi acompanhada por uma acentuada redução da pobreza. Em apenas um ano, quase nove milhões de brasileiros saíram da pobreza. A proporção de pessoas vivendo em situação de pobreza caiu de 27,3% para 23,1%, uma mudança que o IBGE atribui à expansão e ao fortalecimento dos programas de transferência de renda social. Sem essas políticas, alerta o IBGE, a pobreza extrema seria quase três vezes maior. (Pensa Latina)
BRASIL-EUA
O presidente Lula disse nesta quarta-feira que espera que seu o americano, Donald Trump, reduza ainda mais as tarifas sobre produtos brasileiros em breve, após um telefonema entre os dois líderes na terça-feira. No mês passado, Trump removeu tarifas adicionais sobre vários produtos alimentícios brasileiros, incluindo café e carne bovina, que ele havia anunciado em julho para punir o Brasil pela perseguição judicial do ex-presidente de direita Jair Bolsonaro. “Estamos perto de receber boas notícias dos Estados Unidos”, disse Lula ao canal de TV Verdes Mares. Ele descreveu sua conversa com Trump como “extraordinária” e reiterou que concordaram em cooperar no combate ao crime organizado. (Reuters)
Artigo de Danilo Sorato, professor de História e Relações Internacionais e doutor em Estudos Estratégicos pela Universidade Federal Fluminense (UFF), no Le Monde Diplomatique analisa a relação Brasil-EUA depois do tarifaço. Ele diz que diferente do que alguns setores políticos e da imprensa defendiam, a redução em grande parte das tarifas às exportações brasileira não são apenas um problema de ordem interna dos EUA. Isto é, não se deu em função apenas do aumento da inflação em produtos como café ou carne, mas também pela perda de popularidade que Trump experimentou nas últimas semanas. O recuo estratégico de Trump, também é um esforço notável da diplomacia brasileira. Com a perda da agenda da defesa da soberania para Lula no caso do tarifaço, a extrema direita brasileira tenta se organizar em torno da segurança pública. Quase de imediato, figuras conhecidas do Bolsonarismo, tais como Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira surgiram em El Salvador para conhecer de perto o processo de “Bukelização” da segurança pública.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e sua administração aproveitaram na terça-feira a recente proibição da China a determinados carregamentos de soja brasileira, apresentando-a como prova de que haviam reconquistado Pequim como fornecedor dos EUA, embora os dados oficiais mostrem que a China retomou as compras americanas apenas modestamente. Em uma longa reunião de gabinete de fim de ano, a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, disse que “há apenas alguns dias, a China anunciou que iria interromper todas as compras do Brasil porque encontrou algumas irregularidades em parte da soja que está comprando do Brasil”. (South China Morning Post)
BRASIL /ARGENTNA
Argentina e Brasil: Duas Visões Opostas do Mercosul. Os cinco Estados-membros da aliança regional apoiam o acordo comercial com a União Europeia, mas estão profundamente divididos desde que Javier Milei chegou ao poder. O presidente argentino, alinhado com Washington, ameaça deixar o bloco e isolar o Brasil. (Mediapart)
Na imagem, o presidente Lula durante entrevista nesta quarta-feira à TV Verdes Mares em Fortaleza / Ricardo Stuckert / PR

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produzo o Focus 21, escrevo e edito os textos dos analistas.
