Reação a tarifaço de Trump amplia popularidade de Lula

O tarifaço e a investigação comercial impostas por Trump ao Brasil viraram rastilho de pólvora na mídia internacional. Agências, jornais e sites noticiosos acompanham dia a dia a escalada de medidas do americano. De outro lado, também noticiam a alta na avaliação de Lula pelos brasileiros registrada pela pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira. Mas há outro alerta de Trump via Otan: países que negociam com a Rússia podem sofrer retaliações. O Brasil compra petróleo russo. A seguir os principais resumos:
A crise comercial e diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos está dando um novo impulso político ao presidente Lula, que, pela primeira vez em um ano, está vendo sinais de alívio em sua popularidade. A aprovação do governo do presidente brasileiro Lula aumentou pela primeira vez este ano, segundo uma nova pesquisa divulgada nesta quarta-feira, depois que Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações do Brasil a partir de agosto.
A pesquisa da Quaest, encomendada pela corretora Genial, mostrou que 43% dos entrevistados aprovam a administração de Lula, acima dos 40% da pesquisa anterior, realizada em maio. Enquanto isso, a desaprovação do governo caiu de 57% para 53% no período.
De acordo com a pesquisa, 66% dos entrevistados estão cientes da carta de Trump anunciando tarifas sobre o Brasil, enquanto 33% não estavam.
A pesquisa mostrou que 72% acreditam que Trump está errado em impor tarifas ao Brasil devido ao que ele vê como perseguição a Bolsonaro, enquanto 19% acham que a medida é correta.
Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, os números mostram uma recuperação do governo Lula fora de sua base de apoio.
Apesar de estar impedido de ocupar cargos públicos até 2030, Bolsonaro insiste que concorrerá contra Lula em uma revanche na eleição do próximo ano, argumentando que ele é a única figura da direita que pode derrotar o atual presidente. Lula, 79 anos, já deu a entender que pode concorrer à reeleição. (Reuters / La Nación / Clarín)
TRUMP MANDA INVESTIGAR PRÁTICAS COMERCIAIS DO BRASIL
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse na terça-feira que havia iniciado uma investigação sobre as práticas comerciais “injustas” do Brasil, uma semana depois que o presidente Donald Trump ameaçou impor uma tarifa de 50% sobre as importações da maior economia da América Latina.
A investigação, anunciada na semana passada por Trump, decidirá se o tratamento dado pelo Brasil ao comércio digital e às tarifas preferenciais, entre outros, é “irracional ou discriminatório e onera ou restringe” o comércio dos EUA, disse Greer.
“Por orientação do presidente Trump, estou iniciando uma investigação da Seção 301 sobre os ataques do Brasil”, acrescentou ele em um comunicado.
Entre as vítimas de tais ataques, ele citou as empresas de mídia social dos EUA e outras empresas, bem como trabalhadores, agricultores e inovadores de tecnologia que ele descreveu como prejudicados pelas “práticas comerciais injustas” do Brasil, além de serviços digitais de pagamento.
Após extensas consultas, Greer acrescentou: “Determinei que as barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil merecem uma investigação completa e, potencialmente, uma ação responsiva”.
Em uma declaração, o USTR disse que o Brasil colocou as empresas americanas em desvantagem ao estabelecer tarifas mais baixas sobre as exportações de outros parceiros comerciais e acusou o país de não combater a corrupção. (BBC / Daily Star / Reuters /New York Times)
CARTA DO BRASIL SEM RESPOSTA
O Brasil pediu nesta quarta-feira que os EUA respondam à proposta comercial apresentada em maio, reafirmando sua abertura para um acordo “mutuamente aceitável” depois que Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros a partir de agosto. Em uma declaração conjunta, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e o Ministério do Desenvolvimento disseram que o governo havia enviado uma carta na terça-feira, reforçando sua proposta de negociação feita em 16 de maio. O vice-presidente Geraldo Alckmin observou que a oferta de maio havia ficado sem resposta. (Reuters / Le Monde)
O Brasil trabalhará para que os Estados Unidos revertam as tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros antes que elas entrem em vigor em 1º de agosto, disse o vice-presidente Geraldo Alckmin na terça-feira. Falando a repórteres em Brasília após reunião com líderes empresariais para discutir as tarifas, Alckmin disse que o governo pretende resolver a questão “o mais rápido possível”.
SANÇÕES / RÚSSIA
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, alertou nesta quarta-feira que países como Brasil, China e Índia poderiam ser duramente atingidos por sanções secundárias se continuassem a fazer negócios com a Rússia. (Daily Star /RT russa / O Guardião)
RESUMÃO DO CASO
Título do Guardian: “O ultimato de Trump sobre as tarifas do Brasil sai pela culatra para Bolsonaro”. A manifestação na av. Paulista em 10 de julho foi uma resposta à decisão de Trump, na semana passada, de lançar uma guerra comercial politicamente motivada contra a maior economia da América do Sul, em uma tentativa de ajudar seu aliado de direita, o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, a evitar a prisão. Cita editorial do Estadão e diz que Nicolás Saldías, analista da América Latina na Economist Intelligence Unit, concordou que a intercessão pró-Bolsonaro de Trump foi uma vantagem para Lula, que passou a usar um boné azul com o slogan “O Brasil pertence aos brasileiros”.
A Reuters publica o que chama de análise sobre a questão de Trump x Brasil, mas na verdade é um resumão dos últimos fatos do caso. Afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou suas tarifas de 50% contra o Brasil como uma forma de apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas três pessoas próximas ao ex-presidente de direita disseram que ficaram surpresas com a medida e temem que ela possa causar mais danos do que benefícios.
Ao anunciar as tarifas mais altas em uma carta na semana passada, Trump as apresentou como uma tática de pressão para ajudar Bolsonaro. O presidente Lula, de esquerda, não tem interesse nem capacidade de interferir no caso. Na semana passada, ele classificou Trump como um “imperador” indesejado e ameaçou retaliar se as negociações comerciais não avançarem.
Os aliados de Bolsonaro temem que as tarifas elevadas, que provavelmente prejudicarão os setores brasileiros, desde os produtores de café e laranja até a pecuária e o setor de aviação, possam reunir o orgulho nacional em torno de um Lula desafiador, dando força a sua popularidade em queda.
No final do texto, no entanto, publica postagem de advogado de Bolsonaro: “Sinto muito, mas não há como pedir ao presidente Trump – ou a qualquer autoridade internacional minimamente decente – que trate uma ditadura como se fosse uma democracia”, escreveu ele no X sobre o Brasil.
EMBRAER
A tarifa de 50% que Trump planeja impor sobre as exportações brasileiras a partir de agosto pode prejudicar a receita da Embraer como fez a pandemia da COVID-19, alertou seu CEO na terça-feira, sinalizando riscos para os parceiros americanos. Francisco Gomes Neto disse a repórteres que as tarifas equivaleriam a um embargo comercial sobre os jatos regionais que a empresa fornece às companhias aéreas dos EUA e poderiam desencadear cancelamentos de pedidos, entregas adiadas e consequências difíceis para os fornecedores da Embraer nos EUA.
BOLSONARO NA CADEIA
Como parte das alegações finais do processo contra o ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, a promotoria (PGR) solicitou que o líder da extrema-direita fosse condenado pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito, dano qualificado por grave violência ou ameaça e dano a bens protegidos. Dessa forma, o ex-presidente e os outros sete réus no caso poderiam ser condenados a penas que variam de 12 a 40 anos de prisão. (Ámbito)

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produzo o Focus 21, escrevo e edito os textos dos analistas.
