Rio registra operação policial mais letal da história com 64 mortos

Rio registra operação policial mais letal da história com 64 mortos

A MAIS LETAL DA HISTÓRIA

Uma operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, deixou ao menos 64 pessoas mortas nesta terça-feira (28) — o maior número registrado em uma única ação da polícia na cidade. Quatro das vítimas eram agentes: dois policiais civis e dois do Batalhão de Operações Especiais. Mais de 80 suspeitos foram detidos em uma mobilização que envolveu cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, dezenas de veículos blindados, helicópteros e drones.

O governador Cláudio Castro classificou a ação como “um estado de defesa”, afirmando que o Rio de Janeiro está isolado no enfrentamento ao crime organizado e criticando a falta de apoio federal. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, rebateu, dizendo que não foi informado pelo governo estadual sobre o início da operação. A pasta informou que atendeu a todos os 11 pedidos de renovação da Força Nacional no estado desde 2023.

Batizada de Operação Contenção, a ação tem como alvo lideranças da facção Comando Vermelho com atuação no Rio e em outros estados. Criminosos reagiram bloqueando vias principais, lançando bombas por drones e atacando equipes policiais. Escolas suspenderam aulas — em 49 unidades —, linhas de ônibus foram desviadas e postos de saúde interromperam atendimentos (El País, Página 12, Reuters, Demócrata).

NA EXPECTATIVA

Mesmo sem anúncios concretos, a reabertura do diálogo entre Brasil e Estados Unidos trouxe expectativa de que as tarifas de até 50% impostas por Washington possam ser revistas. No domingo (26), os presidentes Lula e Trump se reuniram por cerca de 50 minutos em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a 47ª Cúpula da ASEAN. Ambos classificaram o encontro como positivo. Lula afirmou que as equipes negociadoras começarão a trabalhar imediatamente para buscar soluções, e o chanceler Mauro Vieira disse esperar a conclusão de acordos bilaterais em poucas semanas. Entre os setores mais afetados pelas tarifas estão café, carne bovina e móveis (Al Jazeera, ABC News, CNBC).

REAÇÃO DO MERCADO

A reabertura do diálogo entre Lula e Trump impulsionou o mercado financeiro brasileiro. O Ibovespa encerrou segunda-feira (27) aos 147.969 pontos, com alta de 0,55%, renovando o recorde histórico. O dólar comercial fechou vendido a R$ 5,37, com recuo de R$ 0,224 — menor valor desde 8 de outubro. A retomada das negociações entre Washington e Pequim, anunciada no domingo (26) por Trump, também elevou o preço das commodities e beneficiou países emergentes (The Rio Times).

LULA LIDERA CENÁRIOS PARA 2026

O Instituto Paraná Pesquisas divulgou nesta segunda-feira (27) levantamento que coloca o presidente Lula à frente em todos os cenários simulados para a eleição de 2026. O estudo testou o petista contra nomes da direita, como Jair, Michelle e Flávio Bolsonaro, além de Tarcísio de Freitas.

No cenário mais acirrado, Lula tem 37% das intenções de voto contra 31% de Jair Bolsonaro — que segue inelegível até 2030 por decisão do TSE. Quando o adversário é Tarcísio, o presidente amplia a vantagem para 37,4% contra 22,3%. A pesquisa ouviu 2.020 eleitores entre 21 e 24 de outubro, em 162 municípios de 26 estados e do Distrito Federal, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais (Al Jazeera).

HERZOG — 50 ANOS

“Não esquecer para jamais se repetir.” A fala do vice-presidente Geraldo Alckmin marcou o ato inter-religioso no sábado (25) na Catedral da Sé, em São Paulo, pelos 50 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog — torturado e assassinado pela ditadura militar em 25 de outubro de 1975. O evento reeditou a cerimônia ecumênica de 1975, que reuniu cerca de 8 mil pessoas em protesto silencioso contra o regime. Seu filho, Ivo Herzog, destacou que a presença de Alckmin “reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a democracia” (Times of Israel, LatAm Journalism Review).

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TAXAÇÃO DE FORTUNAS

O STF deve retomar nesta quarta (29) o julgamento da ADO 55, que discute a possível omissão do Congresso por não regulamentar o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), previsto na Constituição desde 1988. A ação foi apresentada pelo PSOL em 2019, e o caso começou a ser julgado em 2021, no plenário virtual, quando o então relator, Marco Aurélio Mello, votou para reconhecer a omissão legislativa. Em junho daquele ano, um pedido de destaque de Gilmar Mendes transferiu o processo ao plenário físico. Com a aposentadoria de Marco Aurélio, a relatoria passou a André Mendonça, e o julgamento foi retomado em 23 de outubro, após o cancelamento do destaque. Na sessão, ocorreram sustentações orais, e a análise deve continuar nesta semana.

QUESTIONANDO MACRON

Quarenta e quatro sindicatos e organizações francesas anunciaram nesta terça-feira (28) uma carta aberta a Emmanuel Macron em que exigem clareza sobre a posição da França em relação ao acordo UE—Mercosul, e pedem que o país mobilize parceiros suficientes para impedir sua ratificação. O texto reclama que o governo passou de uma postura de oposição firme em fevereiro para um sinal de abertura em outubro, mesmo sem mudanças no texto do tratado. Em 23 de outubro, após a cúpula da União Europeia em Bruxelas, Macron declarou que os trabalhos estão “na direção certa” para proteger setores vulneráveis e consumidores europeus, ao comentar as salvaguardas apresentadas pela Comissão Europeia (France Info, Les Marchés/Réussir).

E MAIS…

🔹 Dois dias após o encontro entre Trump e Lula na Malásia, o enviado dos EUA Gabriel Escobar se reuniu com mineradoras na Exposibram, em Salvador, para discutir minerais críticos como terras raras. O tema integra as negociações sobre tarifas entre Brasil e Estados Unidos, e o país é apontado entre os que têm maiores reservas desses elementos.

🔹 A Câmara aprovou licença menstrual de até 2 dias por mês para quem comprovar cólica menstrual intensa mediante laudo médico. O projeto segue para o Senado.

🔹 Alexandre de Moraes deu 5 dias para Filipe Martins explicar a perda de sinal da tornozeleira eletrônica registrada em 23/10 (cerca de 1 hora fora do ar).

🔹 Sobre 2026, analistas projetam que a família Bolsonaro pode ocupar até três vagas no Senado: Flávio deve tentar a reeleição no Rio, Carlos é cotado em Santa Catarina e o nome de Michelle aparece em especulações. Jair Bolsonaro segue inelegível até 2030.

🔹 Para compensar a ampliação da isenção do IR até R$ 5 mil, o relator no Senado avalia medidas como tributação mínima para altas rendas e lucros e dividendos, a fim de preservar a arrecadação.

🔹 Organizações da educação alertam que a Reforma Administrativa empurra uma lógica de mercado para a rede pública e ameaça a autonomia das universidades e institutos federais. O tema segue em discussão no Congresso.

🔹 O mesmo alerta vem da área da saúde: no DF, enfermeiros afirmam que a reforma fragiliza o SUS ao adotar uma gestão voltada a eficiência e terceirização. O movimento defende a manutenção do caráter público e universal do sistema.

🔹 Na Paraíba, durante a Feira da Agricultura Familiar, o MST defendeu a agroecologia como resposta às mudanças climáticas e como forma de reforçar a segurança alimentar.

(+) Imagem em destaque: Operação contra o Comando Vermelho no Rio. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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