“Se depender do meu governo, nosso relacionamento com a China será indestrutível”, diz Lula em Pequim

A presença do presidente Lula em Pequim nesta semana atraiu grande parte da mídia internacional. Agências de notícias, jornais, como o NYT e Guardian, noticiaram os acordos comerciais entre os dois países, sempre tendo como contexto o tarifaço de Trump. “A China corteja Lula e a América Latina após o choque tarifário de Trump” é o título do New York Times, que resume o espírito do noticiário sobre o tema.
Na segunda-feira, as autoridades brasileiras elogiaram a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim, como uma chance de atrair investimentos e aumentar as exportações brasileiras para um país frustrado com as políticas tarifárias voláteis do presidente dos EUA, Donald Trump.
Em um fórum de negócios, Lula comemorou os mais de US$ 4,5 bilhões em investimentos chineses futuros em setores brasileiros que vão desde a indústria automobilística e energia renovável até produtos farmacêuticos e semicondutores.
“Se depender do meu governo, nosso relacionamento com a China será indestrutível”, disse Lula aos líderes empresariais em Pequim.
Sua visita também deve render grandes investimentos em ferrovias e outras infraestruturas de exportação agrícola, segundo as autoridades. Brasília espera aumentar as exportações de grãos e outros produtos atualmente fornecidos pelos EUA à China, que se tornaram mais caros em uma guerra comercial prejudicial entre Washington e Pequim.
“O Brasil está procurando (…) expandir os laços de amizade e comércio com a China, gerando grandes conquistas recíprocas, especialmente em um momento de instabilidade comercial causada recentemente pelos Estados Unidos”, disse o Ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Favaro, ao fórum empresarial em Pequim. Embora os EUA e a China tenham chegado a um acordo na segunda-feira para reduzir temporariamente as tarifas, as barreiras comerciais remanescentes e a desconfiança reforçaram as apostas em uma parceria mais confiável entre Pequim e Brasília. (Reuters / Guardian / La Nación / Guardião /Página 12)
“A China corteja Lula e a América Latina após o choque tarifário de Trump” é o título do New York Times de hoje sobre a visita o presidente Lula a Pequim nesta terça e quarta-feira. Diz o texto que nesta semana Xi Jinping recebe em Beijing o presidente Lula e outras autoridades da América Latina e do Caribe para reforçar a parceria da China com os países da região, tanto comercial quanto geopolítica, como contrapeso aos EUA. No ano passado, o comércio entre China e América Latina atingiu quase US$ 519 bilhões, perto do dobro do valor de uma década atrás. Mas há uma disputa de preços entre esses países também. Lula vem aumentando as tarifas sobre ferro, aço e cabos de fibra ótica e os países da América Latina estão “extremamente preocupados” com o fato de os exportadores chineses, excluídos do mercado dos EUA, desviarem produtos baratos para lá. Agora, um dos efeitos da guerra tarifária foi o de beneficiar os produtores brasileiros na venda de carne. Frigoríficos americanos estocam carne brasileira, prevendo o aumento de preços com o tarifaço, e o Brasil também se tornou uma fonte de carne magra para a China. Como resultado, os preços do produto brasileiro aumentaram cerca de 20% desde o início de abril.
Em outra reportagem do NYT, o destaque é o consumo de carne brasileira pelos EUA e o aumento do preço do hamburger após o tarifaço de Trump. (New York Times)
Os Estados Unidos deveriam olhar com mais generosidade para a América Latina e a América do Sul, disse o ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, nesta segunda-feira, argumentando que a maior economia do mundo tem “muito a ganhar” com um maior desenvolvimento industrial em todo o continente. Em entrevista ao portal UOL, Haddad disse que o presidente Lula não escolherá entre os Estados Unidos e a China, pois acredita que o Brasil deve adotar uma abordagem multilateral. (Reuters)
CHILE / CHINA
O presidente do Chile, Gabriel Boric, após sua viagem ao Japão, aterrissou em Pequim para iniciar sua visita de trabalho à China. O presidente participará nesta terça-feira da IV Reunião de Ministros das Relações Exteriores do Fórum China-Celac, juntamente com o presidente da República Popular da China, Xi Jinping; o presidente da República Federativa do Brasil, Lula; e o presidente da República da Colômbia, Gustavo Petro, entre outras autoridades dos países membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
Boric também estará à frente do Fórum Empresarial Chile-China 2025, uma reunião com líderes empresariais de ambos os países, que busca aprofundar os laços comerciais e as oportunidades de investimento entre o Chile e a China.
(La Nación do Chile) (La Nación da Argentina)
JORNAL BOCA DE RUA
O Guardian traz reportagem sobre o jornal Boca de Rua feito em Porto Alegre. “Eu costumava roubar e traficar drogas”, diz Vasconcelos, 43 anos, que acabou indo morar nas ruas devido a uma desavença familiar. Agora vende o jornal. Há quase 10 anos, s envolveu com o projeto Boca de Rua e se tornou, em suas próprias palavras, jornaleiro e jornalista. “Agora, eu roubo a atenção das pessoas e lido com informações”, diz ele, abrindo um sorriso.
O Boca de Rua é um dos mais de 90 jornais desse tipo espalhados por 35 países, de acordo com a International Network of Street Papers (Rede Internacional de Jornais de Rua), uma organização de combate à pobreza que apoia esses tipos de publicações, que geralmente são vendidas por pessoas em situação de pobreza ou sem-teto.
PORTUGAL / ELEIÇÕES
Portugal fecha acordo com sindicato e consulados no Brasil abrirão para eleições. As eleições legislativas marcadas para o próximo domingo (18/05), em Portugal, vão ocorrer com todos os consulados portugueses, no Brasil, que estarão funcionando normalmente. Segundo o secretário adjunto do Sindicato dos Trabalhadores Consulares, Missões Diplomáticas e Serviços Centrais (STCDE), Alexandre Lopes Vieira, foi assinada, na sexta-feira (09/05), a portaria que reajusta os salários dos funcionários brasileiros em euros, motivo da greve que começou em março e durou 16 dias. O documento será publicado no Diário da República desta terça-feira (13/05). (Público)
Na imagem, Lula e ministros brasileiros em encontro nesta segunda-feira com executivos de empresas chinesas /Ricardo Stuckert / PR

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produzo o Focus 21, escrevo e edito os textos dos analistas.
