Silenciar Moraes, atacar as instituições, inverter papéis: as manobras do golpismo para escapar da Justiça

Silenciar Moraes, atacar as instituições, inverter papéis: as manobras do golpismo para escapar da Justiça

ALIANÇA GLOBAL DO GOLPISMO
Os ataques liderados por Donald Trump contra o Supremo Tribunal Federal (STF) fazem parte de uma ofensiva internacional da ultradireita em defesa de Jair Bolsonaro, aponta a analista Juraima Almeida em artigo publicado no Centro Latino-Americano de Análise Estratégica. A pressão, articulada por parlamentares republicanos como Marco Rubio, mira especialmente o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelas investigações sobre a intentona golpista e por suas decisões contra plataformas como X e Rumble, acusadas de disseminar desinformação. Sob o pretexto de defender a liberdade de expressão, os EUA ameaçam impor sanções com base na Lei Global Magnitsky, incluindo o cancelamento de vistos e o bloqueio de bens de autoridades brasileiras. O presidente Lula reagiu duramente, acusando Washington de interferência indevida e de tentar proteger conspiradores foragidos.

Para Juraima, trata-se de uma articulação estratégica para desestabilizar o Judiciário brasileiro e intimidar o sistema de Justiça. Eduardo Bolsonaro, atuando desde os EUA, lidera uma campanha de denúncia contra o STF, com apoio explícito de Trump e congressistas aliados. A lista de possíveis sancionados inclui outros ministros do Supremo, o ministro da Justiça e o diretor da Polícia Federal (CLAE).

MESADA PARA O GOLPISMO
A permanência de Eduardo nos EUA, inclusive, passou a ser alvo direto de uma representação do Partido dos Trabalhadores (PT), que pediu à Polícia Federal o bloqueio dos bens de Jair Bolsonaro. Segundo o deputado Lindbergh Farias, o ex-presidente financia as ações do filho no exterior para atacar instituições brasileiras e proteger-se das investigações em curso. O pedido aponta arrecadação irregular de fundos, inclusive por Pix, e a manutenção de um núcleo internacional articulado para desacreditar o STF, a PRG e a Polícia Federal (PF). 

A solicitação do PT inclui a quebra de sigilos bancário e fiscal de ambos, além do envio dos dados ao Itamaraty, que poderá avaliar a suspensão do passaporte diplomático do deputado licenciado. Para Lindbergh, trata-se de uma ação coordenada que ameaça a soberania nacional: um parlamentar que atua fora do país, com apoio financeiro do pai, para atacar o sistema de Justiça e manter ativa uma rede de desinformação ligada à tentativa de golpe de Estado (Prensa Latina).

GOLPISMO BILATERAL
Já no Brasil, senadores bolsonaristas articulam uma comitiva oficial aos EUA para visitar quatro apoiadoras do ex-presidente presas em El Paso, no Texas. Elas mulheres fugiram do país após cumprirem prisão preventiva por participação nos atos golpistas e foram detidas por entrada ilegal em território estadunidense. A missão, financiada com recursos públicos, foi proposta por Eduardo Girão e conta com o apoio de Damares Alves. Alegando perseguição política e violação de direitos humanos, os senadores ampliam a estratégia de transformar golpistas em vítimas e intensificar a ofensiva internacional contra as instituições brasileiras (Prensa Latina).

GOLPISMO À ESPERA DA SENTENÇA
Ainda assim, o STF deu início, nesta segunda-feira (3), à análise das provas reunidas no processo que julga Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Encerradas as audiências com testemunhas, o julgamento entra agora na fase de interrogatórios, que incluirá sete acusados — entre eles o general Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e colaborador da Justiça. Os depoimentos vão embasar o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, ainda sem data definida para ser levado ao plenário.

Bolsonaro será ouvidono dia 9 de junho, em audiência presencial no STF. O caso é considerado um dos mais importantes da história recente do país, ao responsabilizar o núcleo duro do bolsonarismo pela tentativa de impedir a posse do presidente Lula. A investigação revelou encontros clandestinos, documentos comprometedores e um decreto esboçado que previa intervenção militar e anulação das eleições. Se condenados, os envolvidos podem pegar até 20 anos de prisão por crimes contra o Estado democrático de direito (Prensa Latina, Prensa Latina).

CRESCIMENTO: BLOQUEADO PELO SISTEMA
De acordo com o Relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicado na segunda-feira (3), o Brasil deve crescer 2,1% em 2025, mas enfrenta limitações estruturais que devem manter o país em ritmo lento até 2026. A combinação de juros reais elevados, ambiente fiscal instável e baixa produtividade impede uma retomada mais robusta. Para Ana Paula Cunha, do IPEA, o país cresce por inércia e sem uma política industrial clara, com entraves históricos que seguem intactos mesmo após a pandemia.

Analistas ressaltam que o mercado financeiro exerce forte influência sobre setores da política e da imprensa, sustentando uma lógica de austeridade que dificulta o investimento público e a expansão produtiva. Além disso, o orçamento continua amarrado a interesses políticos no Congresso, sem se traduzir em ciência, infraestrutura ou inovação. Diante de um cenário onde a iniciativa privada hesita e o consumo das famílias segue fragilizado, o governo Lula enfrenta o desafio de avançar com sua agenda social em meio a um sistema que resiste às mudanças estruturais necessárias (Prensa Latina).

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BRICS E SOBERANIA INDUSTRIAL
A atuação ativa do Brasil no BRICS tem sido fundamental para reacender o debate sobre reindustrialização e soberania produtiva. Segundo Haroldo Silva, vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), e Pablo Ibanez, professor de geopolítica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), o país já vem ampliando sua articulação estratégica com China, Índia e Rússia em busca de acordos de transferência tecnológica, financiamento para grandes projetos e estímulo à indústria de defesa, energia, tecnologia da informação e inteligência artificial. O Novo Banco de Desenvolvimento, braço financeiro do bloco, tem se mostrado um instrumento importante nesse processo.

Impulsionada pelo governo Lula, essa estratégia enfrenta obstáculos internos alimentados por uma combinação de juros proibitivos, dogmas fiscais e a hegemonia do setor financeiro sobre o Congresso e os grandes meios de comunicação. Para os analistas, reconstruir a base industrial do país exige romper com essa lógica, articulando Estado e iniciativa privada em torno de um projeto nacional duradouro, com foco em sustentabilidade, saúde pública e soberania. Consolidar esse novo caminho é essencial para que o Brasil recupere seu papel de potência industrial e estratégica no cenário global (Patria Latina via Sputnik).

COM ÍNDIA, CONTRA O EXTREMISMO
Durante visita oficial ao Brasil, o deputado indiano Shashi Tharoor, do Congresso Nacional, reafirmou a posição da Índia contra o terrorismo transfronteiriço, afirmando que o país “não busca guerra”, mas quer enviar uma mensagem clara a grupos extremistas e seus apoiadores. Em reunião com o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, Tharoor agradeceu o apoio brasileiro após o ataque em Pahalgam, em abril, e destacou que as ações militares da Índia foram “cuidadosamente calibradas”. Amorim expressou solidariedade e condenou os atentados contra civis indianos. A delegação multipartidária, que inclui membros do BJP, Shiv Sena, TDP e outros partidos, também se reuniu com a vice-chanceler Maria Laura da Rocha e o senador Nelsinho Trad, da Frente de Amizade Índia-Brasil, reforçando os laços diplomáticos entre os dois países (Times of India).

COM CHILE, CONTRA O GENOCÍDIO
O presidente Lula afirmou nesta segunda-feira (2) que o massacre em Gaza não é uma guerra, mas sim uma ação planejada para impedir a criação do Estado palestino. Segundo ele, trata-se de uma operação militar contra civis indefesos, conduzida por um exército altamente especializado. O governo brasileiro também repudiou a aprovação de novos assentamentos israelenses em território palestino ocupado, denunciando sua ilegalidade à luz do direito internacional e o risco que representam à solução de dois Estados.

No Chile, o presidente Gabriel Boric anunciou uma série de medidas em resposta às violações israelenses. Vai propor ao Parlamento a proibição de importações oriundas de colônias ilegais e determinou a elaboração urgente de um plano para encerrar acordos com a indústria de defesa de Israel. Boric também declarou apoio ao embargo de armas proposto pela Espanha e afirmou que tais iniciativas buscam enfrentar de forma concreta a sistemática violação dos direitos do povo palestino (La Diaria).

VIRALIZA, VIRA PAUTA
Os bonecos reborn, tradicionalmente ligados ao luto e apoio emocional, transformaram-se em fenômeno das redes sociais e acabaram no centro de debates políticos brasileiros. No Rio de Janeiro, vereadores aprovaram uma homenagem aos artesãos que produzem as peças hiper-realistas, enquanto no Amazonas um deputado levou um exemplar ao plenário da Assembleia para propor a proibição de atendimento médico a eles no Sistema Único de Saúde, mesmo sem registros de casos reais dessa natureza.

A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) ironizou a prioridade dada ao tema por parlamentares: “Vamos focar no que importa? Se alguém quer ter um boneco, que tenha. Eu tenho dois filhos de verdade, e já dá trabalho o suficiente”. Para as colecionadoras reunidas no encontro anual de São Paulo, a reação política é desproporcional; elas defendem o uso dos reborns como ferramenta de apoio emocional e responsabilizam influenciadoras digitais pelos excessos (Independent).

*Imagem em destaque: José Cruz/Agência Brasil

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