STF abre inquérito contra Flávio Bolsonaro por calúnia contra Lula

Em postagem em janeiro o candidato da direita à Presidência vinculou Lula a drogas e Nicolás Maduro – tema atraiu reportagens da mídia estrangeira
Decisão do Supremo Tribunal Federal desta quarta-feira determina investigação sobre postagem feita em 3 de janeiro nas redes sociais por Flávio Bolsonaro, senador de direita e filho do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, atualmente preso. Nela, Flávio Bolsonaro tentou associar Lula, de esquerda, ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro, ao “apoio a terroristas e ditaduras” e à fraude eleitoral colocando lado a lado imagens do presidente brasileiro com o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro, com a legenda: “Lula será desmascarado”.
O ministro Alexandre de Moraes determinou a investigação a pedido do Ministério da Justiça, que considerou que Flávio Bolsonaro “atribuiu de forma falsa, pública e depreciativa atos criminosos ao presidente da República”.
Para Flávio Bolsonaro, trata-se de uma “clara tentativa de restringir a liberdade de expressão”. Em comunicado, ele insistiu que não se submeteria a “intimidações ou ao uso do aparato policial e judicial para silenciar a oposição” e exigiu que o governo de Lula “explicasse suas relações com a ditadura venezuelana”.
A Polícia Federal tem 60 dias para realizar a investigação inicial antes que os promotores decidam se vão apresentar acusações. (France24 / Ansa / El Mercúrio / Ambito)
PESQUISA: LULA X FLÁVIO BOLSONARO
O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro estão empatados estatisticamente em um possível segundo turno nas eleições gerais de outubro, com o adversário à frente de Lula pela primeira vez dentro da margem de erro da pesquisa, segundo mostrou na quarta-feira uma pesquisa da Quaest encomendada pela corretora Genial.
Em um possível segundo turno, Flávio Bolsonaro tem 42% dos votos, contra 40% de Lula. Em uma pesquisa realizada em março, os dois candidatos estavam empatados com 41% cada um em um possível segundo turno. No primeiro turno, Lula aparece com 37% dos votos, contra 32% de Flávio Bolsonaro. A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 9 e 13 de abril. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. (Reuters / Bloomberg)
O La Nación vincula o resultado das pesquisas eleitorais ao envio pelo presidente Lula do projeto de lei para eliminar o sistema de trabalho 6×1. Dia que em uma manobra de grande impacto que visa recuperar a iniciativa política e reverter a estagnação nas pesquisas, o presidente Lula, enviou ao Congresso, com caráter de “urgência constitucional”, um ambicioso projeto de lei que elimina definitivamente a jornada de trabalho de seis dias de trabalho por um de descanso, conhecida como o esquema 6×1. A proposta visa impor um esquema de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), reduzindo a carga semanal de 44 para 40 horas, sem que isso resulte em corte nos salários. O Palácio do Planalto apresenta a medida como uma questão de “dignidade humana”, enquanto a oposição e os mercados interpretam a iniciativa como uma manobra de sobrevivência eleitoral diante do avanço do bolsonarismo nas pesquisas.
LULA NA ACADEMIA
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, viralizou após transmitir ao vivo sua rotina de exercícios, em um vídeo que faz parte de sua estratégia de conteúdo digital para as eleições de outubro, no qual afirma que, para viver até os 120 anos, “é preciso fazer o que eu faço”. (La Vanguardia, de Barcelona)
RAMAGEM DEPORTAÇÃO
O presidente Lula solicitou que os Estados Unidos repatriem o ex-chefe de inteligência Alexandre Ramagem para que ele cumpra pena de prisão por seu envolvimento em uma tentativa de golpe. Lula demonstrou otimismo quanto ao retorno de Ramagem ao Brasil durante uma entrevista na terça-feira, um dia após ele ter sido detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) no estado da Flórida. “Acredito que Ramagem voltará ao Brasil; ele tem que voltar para cumprir sua pena”, disse Lula em entrevista a um veículo de comunicação local. O ex-chefe de inteligência fugiu do Brasil em setembro, após ser condenado a 16 anos de prisão por seu envolvimento em uma conspiração golpista em apoio ao ex-presidente de direita Jair Bolsonaro, após a derrota deste para Lula nas eleições de 2022. (Al Jazzera)
BRASIL E A GUERRA
O Le Monde Diplomatique traz análise com o título “O Brasil diante de um conflito em que não pediu para entrar. A ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã expõe as contradições da inserção brasileira no mundo: um país com ambição de mediador, mas sem os instrumentos para fazê-la valer”. A indecisão sobre a visita de Lula a Trump, mantida em suspenso pelo Planalto, exemplifica uma política externa que reage às circunstâncias em vez de antecipá-las. Texto de analistas brasileiras.
INSPETOR DO TRABALHO DEMITIDO
O New York Times traz reportagem da Reuters sobre o secretário de Inspeção do Trabalho do governo Lula que foi demitido por adicionar a montadora chinesa BYD ao cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições descritas como análogas à escravidão. Luiz Felipe Brandão de Mello desobedeceu a uma ordem do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para não incluir a montadora de veículos elétricos na chamada “lista suja” de abusos trabalhistas do Brasil, disseram as fontes. “Depois de lutar pelos direitos dos trabalhadores, o presidente Lula enfrenta uma crise de violações trabalhistas. A demissão do principal inspetor do trabalho do Brasil colocou o governo de esquerda do presidente Lula, um ex-líder sindical, em uma situação delicada”, diz o NYT.
Imagem: Montagem de fotos de Lula e Flávio Bolsonaro / Roque de Sá/Agência Senado e Ricardo Stuckert/PR

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico.
