STF autoriza investigação dos repasses para filme sobre Bolsonaro

STF autoriza investigação dos repasses para filme sobre Bolsonaro

Ministro André Mendonça (STF) autorizou a abertura de inquérito da PF que investigará os R$ 61 milhões repassados por Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao clã Bolsonaro. (Imagem: foto de divulgação do Banco Master / cartaz Wikimedia Commons)

POR TATIANA CARLOTTI

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a investigar o financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão atende à representação do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e do parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A Bloomberg informa que a investigação apura os laços entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, atualmente preso, desde 4 de março, por acusações de fraude bancária, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, ameaças e invasão de dispositivos informáticos.

O caso veio à tona após reportagens do Intercept Brasil revelarem documentos internos da produção do filme que obrigaram o pré-candidato à Presidência admitir, em maio, que buscou recursos junto ao ex-banqueiro para financiar o longa sobre seu pai.

A agência EFE destaca que Flávio teria negociado com Daniel Vorcaro um aporte que poderia chegar a R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões já teriam sido destinados à produção. O valor chamou a atenção dos investigadores por ser muito superior ao orçamento de grandes produções nacionais. Como comparação, o Brasil de Fato cita que O Agente Secreto, filme brasileiro indicado ao Oscar de 2026, teve orçamento de aproximadamente R$ 28 milhões.

Os documentos do Intercept Brasil também revelam que Eduardo Bolsonaro, que acaba de ganhar green card do governo Trump, teria desempenhado um papel mais ativo do que o divulgado publicamente, exercendo influência sobre o fluxo financeiro do projeto.

Outro foco da investigação é a produtora GoUp Entertainment, responsável pelo filme, e que mantém um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de Ricardo Nunes em São Paulo, para a instalação de pontos de Wi-Fi na capital. O deputado Mário Frias (PL-SP) também destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, administrada pela produtora.

Zambelli

A ANSA informou que a Justiça da Itália anulou a autorização para a extradição da ex-deputada Carla Zambelli no processo em que ela foi condenada no Brasil por perseguir um homem armada, em São Paulo. Segundo a decisão, o principal motivo para a suspensão foi a falta de garantias sobre a assistência médica que Zambelli receberia caso fosse presa no Brasil.

A decisão determina que o processo retorne à Corte de Apelação de Roma, que realizará um novo julgamento após o governo brasileiro apresentar informações complementares sobre as condições de cumprimento da pena e da assistência médica que seria oferecida a Zambelli. Até o momento, não foi definida uma data para a nova análise do pedido de extradição.

Homicídios caem, mas feminicídio e letalidade policial crescem

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, uma queda de 8,2% em relação ao ano anterior e a menor taxa desde o início da série histórica, em 2012.

Segundo a EFE, o índice caiu para 19,1 mortes por 100 mil habitantes, antecipando em dois anos a meta nacional de redução de homicídios. A redução foi observada em 20 dos 27 estados brasileiros, consolidando uma tendência de queda iniciada em 2021. A France 24 (com AFP) ressalta que esse é o melhor resultado do país em 14 anos.

Apesar da redução da violência letal em geral, o anuário aponta um aumento da letalidade policial. As forças de segurança mataram 6.602 pessoas em 2025, alta de 5,4% em relação a 2024 e o maior número absoluto da série histórica. De acordo com o Correio da Manhã (Portugal), isso significa que a polícia brasileira matou, em média, 18 pessoas por dia no ano passado. Entre 2015 e 2025, mais de 60,5 mil pessoas morreram em intervenções policiais.

A France 24 (com AFP) observa que uma em cada seis mortes violentas registradas no país decorreu de ações policiais, classificando esse cenário como um dos principais desafios para a segurança pública.

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1.571 mulheres assassinadas

Outro dado que chama a atenção é o novo recorde de feminicídios. Segundo a ANSA Latina, 1.571 mulheres foram assassinadas por razões de gênero em 2025, aumento de 4% em relação ao ano anterior e o quarto recorde consecutivo desde o início da série. O levantamento mostra que 65,1% das vítimas eram mulheres negras, 56,5% tinham entre 25 e 44 anos e 62,5% foram mortas dentro de casa, reforçando o peso da violência doméstica. A EFE acrescenta que, em 96,4% dos casos, os autores dos crimes eram homens

Energia

Duas medidas voltadas ao setor energético brasileiro ganharam destaque nesta quinta-feira (23). A Reuters informou que o Ministério Público Federal (MPF) entrou na Justiça para suspender o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32% (E32). Segundo a ação, a mudança foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) “sem a necessária análise de impacto” e sem comprovação científica suficiente sobre sua viabilidade para a frota nacional. O Ministério de Minas e Energia rebateu as críticas e afirmou à Reuters que a gasolina E32 é “tecnicamente viável, segura para os veículos e adequada aos consumidores”, mantendo a previsão de adoção da nova mistura a partir de 1º de agosto.

A Reuters lembra que o aumento temporário da mistura para 32%, por um período de 180 dias, integra a estratégia do governo Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar a autossuficiência brasileira na produção de gasolina e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. A medida sucede a elevação da mistura de etanol de 27% para 30%, implementada em agosto de 2025, e faz parte de um plano para elevar permanentemente a participação do biocombustível na gasolina comercializada no país.

Já a Prensa Latina destacou que o governo brasileiro decidiu antecipar a entrada em operação de 1,8 gigawatt (GW) de nova capacidade de geração elétrica a partir de setembro para reforçar a segurança energética diante dos possíveis impactos do fenômeno El Niño no segundo semestre. A decisão foi tomada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que aprovou a antecipação de cinco usinas vencedoras dos leilões de reserva de capacidade.

Segundo a Prensa Latina, a medida busca reduzir os riscos de abastecimento em um cenário de menor geração hidrelétrica, especialmente na Região Norte, devido à possível redução das chuvas provocada pelo El Niño, ao mesmo tempo em que o aumento das temperaturas tende a elevar o consumo de eletricidade pelo uso mais intenso de sistemas de climatização. O governo também considera que as atuais tensões geopolíticas internacionais podem afetar o fornecimento de combustíveis e outros insumos estratégicos, razão pela qual optou por ampliar preventivamente a capacidade de geração e intensificar o monitoramento das condições climáticas e da operação do sistema elétrico nacional.

Tarifas de Trump

Especialistas afirmam à Al Jazeera que as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e outras medidas adotadas pelo governo de Donald Trump podem beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. Segundo a reportagem, o presidente tem explorado politicamente o episódio ao se apresentar como defensor da soberania nacional, enquanto o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, enfrenta dificuldades para dissociar sua campanha da estratégia adotada pela família Bolsonaro junto a Washington.

Al Jazeera destaca que uma rodada anterior de tarifas havia sido vinculada ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, classificado por Trump como uma “caça às bruxas”. Pesquisa Quaest, divulgada pela Folha de S.Paulo, apontou que Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro por 45% a 37% em um eventual segundo turno. A reportagem também analisa a relação histórica entre Donald Trump e Jair Bolsonaro, lembrando que o presidente norte-americano foi um dos principais apoiadores do ex-mandatário brasileiro desde 2018.