STF barra visita de Valdermar Costa Neto a Bolsonaro: ‘risco manifesto’

STF barra visita de Valdermar Costa Neto a Bolsonaro: ‘risco manifesto’

A decisão de Moraes, os prejuízos do Banco Master, o aumento dos empréstimos no país, os protestos indígenas em Santarém (PA) e a cirurgia de catarata de Lula são algumas das notícias internacionais sobre o Brasil nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026 (Foto: © Marcello Casal Jr / Agência Brasil)

POR TATIANA CARLOTTI

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes rejeitou pedidos para que o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, e o senador Magno Malta visitassem o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 2023. A cubana Prensa Latina destaca que ao negar o pedido da defesa, Moraes afirmou que a autorização de contato entre investigados e condenados nos mesmos processos representa um “risco manifesto para a investigação”, reforçando a necessidade de preservar a integridade das apurações em curso.

No caso de Valdemar Costa Neto, o ministro destacou que o dirigente partidário é investigado pelos mesmos crimes atribuídos a Bolsonaro, o que impede qualquer contato direto entre ambos enquanto tramitam os processos judiciais. Sobre Malta, Moraes mencionou um incidente disciplinar anterior. Segundo autoridades policiais, o senador tentou ingressar na unidade prisional sem autorização, utilizando de forma indevida suas prerrogativas parlamentares para acessar áreas de segurança máxima.

Para o ministro, essa conduta gera “riscos desnecessários à disciplina do batalhão e à segurança do sistema de custódia”, razão pela qual a visita também foi vetada. Apesar das negativas, o STF autorizou outras visitas. Bolsonaro poderá receber, em 7 de fevereiro, os deputados Cabo Gilberto Silva e Hélio Lopes. O ex-presidente também tem uma reunião marcada com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em um movimento interpretado como tentativa de reaproximação política após desgastes recentes.

Banco Master

O Banco de Brasília (BRB), instituição estatal controlada pelo governo do Distrito Federal, pode registrar um prejuízo de quase US$ 1 bilhão em decorrência de operações financeiras com o falido Banco Master. A informação foi revelada por Ailton Aquino, diretor da área de supervisão do Banco Central (BC), em depoimento prestado no final de dezembro, no âmbito da investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal, informa a agência Reuters.

“O montante da provisão no balanço do BRB será muito grande. Mais de 4 bilhões de reais, mais de 5 bilhões. É provável que ultrapasse 5 bilhões de reais”, afirmou Aquino. Ele relatou que o BC vinha manifestando preocupações formais com as operações do BRB desde março de 2025, por meio de sucessivas notificações. As investigações indicam que o BRB adquiriu títulos do Banco Master que podem estar vinculados a ativos inexistentes. As transferências entre credores somaram 16,7 bilhões de reais entre julho de 2024 e outubro de 2025.

O Banco Central chegou a bloquear, em setembro, a tentativa do BRB de adquirir o Banco Master, alegando grave crise de liquidez da instituição privada. Em nota, o BRB afirmou que qualquer estimativa sobre necessidades de capital dependerá das avaliações do Banco Central e de uma investigação independente, acrescentando que um plano de capitalização já foi elaborado para cobrir eventuais déficits.

Empréstimos crescem no Brasil

O crédito bancário no Brasil cresceu 10,2% em 2025, superando a previsão do Banco Central, impulsionado principalmente pelo avanço dos empréstimos às famílias. O crédito às famílias avançou 11,6% em 2025, acima da estimativa de 10,4%, enquanto o crédito às empresas cresceu 8,1%, praticamente em linha com a previsão oficial de 8%.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira e analisados pela Reuters, que destaca como causa do crescimento as medidas adotadas pelo governo Lula para estimular o crédito, como a ampliação dos empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado e a prorrogação de programas de subsídio à compra de imóveis para famílias de renda média.

A reportagem observa que as políticas de estímulo contrastam com a postura extremamente restritiva da política monetária: desde julho de 2025, o Banco Central mantém a taxa básica de juros em 15%, o nível mais alto em quase duas décadas, com o objetivo de conter a inflação e trazê-la para a meta de 3%.

Lula fará cirurgia de catarata

O presidente Lula será submetido a uma cirurgia de catarata no olho esquerdo nesta sexta-feira (30), após a realização de exames pré-operatórios em Brasília, informou o Palácio do Planalto. Ele chegou da viagem oficial ao Panamá, onde participou do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, e passou o dia na Granja do Torto, mantendo sua rotina de trabalho.

O presidente já havia realizado o mesmo procedimento em 2020, no olho direito. Prensa Latina destacou que a cirurgia ocorre após uma agenda intensa, que incluiu viagens a vários estados brasileiros e compromissos internacionais, além de encontros bilaterais e condecorações recebidas no exterior. O Planalto informou que, após o procedimento, Lula deverá retomar suas atividades normalmente, seguindo as orientações médicas.

Protestos indígenas

A Associated Press destaca os protestos de centenas de indígenas, há quase uma semana, em uma instalação da Cargill, em Santarém (PA), contra um decreto assinado em agosto por Lula que autoriza o governo federal a considerar concessões privadas para hidrovias. A medida transfere a operadores privados responsabilidades como manutenção, dragagem e gestão do tráfego de embarcações. O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns, que representa 14 povos e lidera o protesto, afirma que o governo não consultou as comunidades afetadas, como exigem leis e convenções internacionais. O grupo alerta que projetos de dragagem ameaçam o rio Tapajós, territórios indígenas e o equilíbrio ambiental da Amazônia.

Os manifestantes dizem que permanecerão no local até que o governo revogue o decreto. A escolha da Cargill — uma das maiores tradings agrícolas do mundo — é apresentada como estratégica: para os indígenas, a empresa simboliza a pressão do agronegócio sobre políticas públicas e sobre projetos que aprofundam a degradação ambiental. “Tudo o que queremos é consciência e que o governo reconheça que cometeu um erro e deve respeitar nossos direitos, inclusive honrando o que prometeu durante a COP30”, disse a líder indígena Auricelia Arapiun. “Não adianta falar em plano climático ou prometer defender o meio ambiente, a Amazônia ou o clima enquanto os ataca mais do que os protege. A retórica é uma coisa. A prática é outra”, completou.

Brasil e Etiópia reforçam cooperação Sul-Sul

Brasil e Etiópia assinaram, em Genebra, um protocolo bilateral de acesso a mercado sobre compra e venda de bens e serviços, passo descrito como relevante no processo etíope de adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC). A informação foi divulgada pela Prensa Latina. O acordo foi firmado pelos representantes permanentes dos dois países: Tsegab Kebebebew, pela Etiópia, e Guilherme de Aguiar Patriota, pelo Brasil, em uma cerimônia realizada na sede da OMC. O texto é tratado como um “marco importante” na estratégia de integração comercial internacional de Addis Abeba.

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Durante o ato, Kebebebew classificou a assinatura como um avanço técnico e também como um gesto político, ao sublinhar a “forte e crescente associação” entre as duas nações, sustentada na cooperação Sul-Sul, no multilateralismo e em uma agenda orientada ao desenvolvimento. Patriota, por sua vez, ressaltou as relações “antigas e amistosas” e reafirmou o apoio do Brasil à entrada da Etiópia na OMC, argumentando que a adesão fortaleceria o sistema multilateral ao incorporar uma economia dinâmica. As delegações também agradeceram à Secretaria da OMC pela facilitação do processo.

Brasil atinge 14º lugar na produção de espumantes

A produção brasileira de espumantes vem ganhando projeção internacional, com o país ocupando atualmente o 14º lugar no ranking mundial do setor, segundo reportagem da ANSA Brasil. O texto atribui parte decisiva desse avanço à imigração italiana iniciada há mais de 150 anos, especialmente de famílias originárias do Vêneto. A reportagem destaca que as mudas de videiras trazidas pelos imigrantes, ainda no século 19, deram origem a um caminho produtivo que se consolidou no Sul do Brasil, em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina: primeiro com vinho de consumo cotidiano, depois com produção artesanal e, mais tarde, com estruturas empresariais e cooperativas.

Uma masterclass realizada na Embaixada do Brasil na Itália, em Roma, em parceria com Wines of Brazil e o Concours Mondial de Bruxelles, apresentou degustações de rótulos de vinícolas como Casa Valduga, Miolo e Salton, harmonizados com alimentos tradicionais italianos. O evento foi usado como vitrine diplomática e comercial para os espumantes brasileiros.

Ataque suicida

A Polícia Federal prendeu em Brasília um suspeito investigado por supostas ligações com o Estado Islâmico e por preparar um ataque suicida, destaca a Reuters. A detenção ocorreu nesta quinta-feira (29), em uma operação realizada com apoio do FBI, dos Estados Unidos. Em nota, a PF informou ter prendido “um homem que estava sendo investigado por planejar atos terroristas e por fazer parte de uma organização terrorista internacional”. A corporação não detalhou, no comunicado, o alvo pretendido, o estágio do suposto planejamento nem o material apreendido.

A fonte citada pela Reuters afirmou que os indícios reunidos apontam para preparação de atentado do tipo suicida, o que recoloca no debate público a vigilância sobre redes de radicalização, cooperação internacional de inteligência e capacidade de resposta do Estado.

Equador e Brasil firmam projeto contra pragas

O Equador — maior exportador mundial de bananas — formalizou uma parceria com o Brasil e com a CAF para desenvolver um projeto regional de fortalecimento genético da banana Cavendish contra pragas que afetam a América Latina. A agência EFE informa que o acordo foi firmado por meio de uma carta de intenções entre a AEBE, a CAF — Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe — e a Embrapa, durante o Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, realizado no Panamá.

O objetivo é impulsionar um programa de melhoramento genético da Cavendish contra ameaças fitossanitárias globais, como a doença de Moko e a raça tropical 4 do Fusarium, cuja expansão vem preocupando produtores e governos pela capacidade de devastar plantações e afetar cadeias de exportação. A AEBE informou que está buscando mecanismos de financiamento para viabilizar, adiante, um programa binacional com o Brasil, com foco em capacitação técnica, transferência de conhecimento e soluções práticas para o setor produtivo, em um cenário descrito como de “crescentes desafios sanitários, ambientais e comerciais” que exigem respostas coordenadas e de longo prazo.

Eleições 2026

Reportagem do La Política Online aponta Gilberto Kassab como peça-chave na engrenagem de alianças e pode reembaralhar a direita em 2026. Segundo o texto, a disputa brasileira segue marcada pela polarização entre Lula e o bolsonarismo, mas atores menos visíveis como o presidente do PSD podem operar mudanças decisivas no tabuleiro. A reportagem aponta Kassab como um político pragmático, capaz de compor acordos com o PT e com setores do bolsonarismo simultaneamente, dependendo do estado e do interesse local. Esse perfil, combinado ao controle partidário e à capacidade de atrair quadros competitivos, faria dele um potencial “divisor de águas” para o futuro da direita não bolsonarista.

O texto lembra a trajetória do ex-prefeito de São Paulo, também vereador, deputado estadual e federal, além de ministro em governos distintos, como o de Michel Temer e Dilma Rousseff. La Política Online menciona ainda que o nome de Kassab apareceu em 2017 em relatos ligados a supostos pagamentos de propina pela JBS.

Milei, Lula e o ‘Conselho da Paz’

Em análise publicada no argentino La Nacion, o jornalista Carlos Pagni argumenta que a disputa global por alinhamentos — com Donald Trump como ator central — está se projetando de forma direta na América do Sul, especialmente na tensão entre Javier Milei e Lula, e agora também com a entrada do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, que assumirá em 11 de março.

O artigo descreve como Trump teria criado um “Conselho da Paz” com países selecionados e com ele próprio como presidente vitalício, atraindo adesões sobretudo do Oriente Médio, Ásia e Europa do Leste, enquanto potências europeias tradicionais rejeitaram o convite. Na leitura do colunista, a adesão de Milei ao projeto seria “previsível” pela identificação política com Washington, mas carregada de contradição: Milei seria subordinado a Trump no plano geopolítico, porém “dissidente” na economia, já que sustenta um discurso de liberalização em um mundo que estaria voltando ao mercantilismo e ao protecionismo.

Pagni sustenta que, do outro lado, Lula se afastaria dos EUA em decisões geopolíticas, mas “sintonizaria” com o protecionismo ao defender agregação de valor a recursos estratégicos (como terras raras), inclusive com criação de agência estatal para executar essa agenda. Ao mesmo tempo, o texto aponta limites dessa estratégia por conta das negociações comerciais com os EUA e da necessidade de calibrar a relação com Trump.