STF ouve réus em acareações no inquérito da tentativa de golpe

CARA A CARA ENTRE RÉUS
O STF realizou nesta terça-feira (24) as primeiras acareações no inquérito da tentativa de golpe após as eleições de 2022. O general Walter Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid, ambos presos, foram confrontados sobre versões divergentes de uma reunião na casa de Braga Netto, onde, segundo Cid, foi discutido o plano “Punhal Verde e Amarelo”. Cid afirma que foi retirado do encontro quando começaram os debates sobre “medidas operacionais” para o golpe, versão que Braga Netto contesta.
Outro ponto de conflito envolve uma suposta entrega de dinheiro vivo em caixa de vinho, que teria sido feita por Braga Netto a Cid no Palácio da Alvorada para financiar atos antidemocráticos. Mais cedo, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres foi confrontado com o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército. As audiências foram conduzidas presencialmente pelo ministro Alexandre de Moraes, com acompanhamento de Luiz Fux, sob forte controle judicial. As defesas alegam contradições nos depoimentos, enquanto os confrontos são considerados decisivos para consolidar provas contra antigos aliados de Bolsonaro no envolvimento com reuniões conspiratórias (Prensa Latina, CNN Brasil).
INTERVENÇÃO ESTRANGEIRA
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, acusou Jair Bolsonaro de apoiar intervenção estrangeira no Brasil. Conforme avançam as investigações sobre a tentativa de golpe, o ex-presidente intensifica manifestações públicas em apoio a ações militares dos EUA e de Israel, incluindo os bombardeios a instalações nucleares no Irã. Bolsonaro publicou fotos ao lado de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, demonstrando apoio às ofensivas.
A posição contrasta com a do governo Lula, que condenou os ataques como violações da soberania iraniana e do direito internacional. O Itamaraty criticou oficialmente os riscos de desastres ambientais e radioativos decorrentes dos bombardeios. Gleisi afirmou que Bolsonaro age como “sujeito servil a interesses externos”, tentando deslegitimar o governo brasileiro e estimular ingerência estrangeira (SwissInfo).
ESCALADA GLOBAL
Em entrevista no domingo (23), o assessor de Lula para política externa, Celso Amorim, afirmou que a ofensiva estadunidense no Irã representa uma ruptura do sistema internacional criado após a Segunda Guerra e denunciou a ilegalidade da chamada “autodefesa preventiva”. Para ele, o conflito já extrapola Gaza e ameaça expandir-se para além do Oriente Médio (Prensa Latina).
DILMA E A NOVA ORDEM FINANCEIRA
A ex-presidenta Dilma Rousseff, que conclui em julho seu primeiro mandato à frente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), foi reeleita por mais dois anos no comando da instituição financeira do BRICS. Desde sua nomeação, em 2023, ela vem promovendo uma guinada estratégica, com foco em financiamento sem imposição de condicionalidades, estímulo à desdolarização e prioridade a projetos ambientais e sociais.
Para isso, Dilma pretende que 30% dos empréstimos do NDB sejam feitos em moedas locais até 2026, reduzindo a dependência do dólar. Sob sua liderança, o banco aprovou 76 novos projetos no valor de US$ 18,2 bilhões, além dos 98 já financiados anteriormente. A ex-presidente ganhou visibilidade internacional ao participar do G20 e do Fórum Econômico de São Petersburgo, reforçando o protagonismo do Sul Global no cenário financeiro (Asia Times).
ERIKA NO ALVO
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) negou nesta terça-feira (24) qualquer irregularidade na contratação de dois assessores apontados por parlamentares da oposição como maquiadores pagos com verba pública. Segundo ela, Índy Cunha e Ronaldo Cesar Hass são secretários parlamentares lotados regularmente em seu gabinete, com atuação em comissões, elaboração de relatórios e contato com a população. Hilton afirmou que os conheceu como maquiadores, mas os contratou por suas competências técnicas, e que eventuais serviços de maquiagem não interferem em suas funções administrativas.
A acusação foi formalizada pelos deputados Zucco (PL-RS) e Paulo Bilynskyj (PL-SP), que protocolaram uma representação na PGR, no Conselho de Ética da Câmara e no TCU, alegando improbidade administrativa e uso indevido de recursos públicos. Hilton classificou a ação como uma tentativa de deslegitimar seu mandato e desmontar agendas representativas no Parlamento. A verba destinada à contratação de secretários parlamentares é regulamentada, e cada gabinete pode empregar até 25 pessoas, sem exigência de concurso público (CNN Brasil).
PUTIN VEM PARA O BRICS
O Kremlin confirmou que Vladimir Putin participará da próxima cúpula do BRICS, realizada no Brasil entre os dias 6 e 7 de julho. Ainda não foi definido se comparecerá presencialmente ou de forma remota, mas sua participação está assegurada, segundo o conselheiro Yury Ushakov. Com a presidência do BRICS nas mãos do Brasil desde 1º de janeiro, a cúpula marcará um momento simbólico para a diplomacia sul-americana.
Formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o bloco se expandiu recentemente com a adesão de Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Indonésia, fortalecendo o bloco como polo alternativo ao eixo financeiro e político do Ocidente (TASS).
*Imagem em destaque: Rosinei Coutinho/STF

