Tarifaço: China se oferece para fortalecer relações econômicas com o Brasil

As reportagens sobre o tarifaço dos EUA contra o Brasil permanecem na mídia internacional com destaque hoje sobre o anúncio da China de que apoiará a economia brasileira. A entrevista do assessor Celso Amorim ao Financial Times apostando no Brics é outro destaque.
A China se ofereceu para fortalecer os laços econômicos com o Brasil e defender o que chamou de “justiça” no comércio global, dias antes da entrada em vigor das tarifas abrangentes dos EUA sobre as exportações brasileiras. A medida adicionou mais uma camada de complicações diplomáticas ao abismo comercial que se aprofunda rapidamente entre Brasília e Washington. As tarifas estão programadas para entrar em vigor na sexta-feira.
Em uma coletiva de imprensa em Pequim na segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun (na foto acima), disse que Pequim estava disposta a trabalhar em conjunto com o Brasil e outros países do Brics e da América Latina para manter um sistema multilateral de comércio centrado na Organização Mundial do Comércio.
Guo também destacou o interesse da China em expandir a cooperação com o Brasil no setor de aviação. A Embraer, líder global na produção de aeronaves comerciais de médio porte, depende fortemente dos EUA como seu principal mercado de exportação.
As potenciais novas tarifas levantaram preocupações sobre a estabilidade financeira da empresa. As negociações para anunciar as vendas de aeronaves durante a visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping a Brasília em 2023 não avançaram, apesar dos esforços iniciais.
“A China atribui importância à sua cooperação com o Brasil voltada para resultados, incluindo a cooperação na aviação. Estamos prontos para promover a cooperação relevante com base nos princípios de mercado e impulsionar o desenvolvimento nacional”, disse Guo. (South China Morning Post)
BRICS: AMORIM
O Brasil vai dobrar sua aposta no Brics, desafiando as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas contra as exportações brasileiras ao país, segundo reportagem do jornal Financial Times do domingo (27/7). O jornal conversou com o assessor de Relações Exteriores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, que disse que os ataques de Trump “estão reforçando nossas relações com os Brics, porque queremos ter relações diversificadas e não depender de nenhum país”.
O Brics é formado por Brasil, Rússia, China, Índia, Irã, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Egito e representam quase a metade da população mundial e 40% da riqueza produzida globalmente. Alguns analistas veem um elemento antiocidental no bloco, dada a presença de países como o Irã.
Amorim disse ao jornal que a tentativa do republicano de interferir em assuntos internos brasileiros não tem precedentes “nem em tempos coloniais”. “Nem a União Soviética teria feito algo assim”, disse, apontando que Trump está tentando agir politicamente dentro do Brasil em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro, “seu amigo”.
“O que está acontecendo está reforçando nossas relações com os Brics, porque queremos diversificar nossas relações e não depender de nenhum país só”, disse Amorim, ressaltando que o Brasil também pretende fortalecer vínculos com países da Europa, Ásia e América do Sul. (FT, BBC, RT russa)
NEGOCIAÇÃO
O governo brasileiro está correndo contra o relógio para agendar uma reunião com os Estados Unidos antes que as tarifas entrem em vigor. Um alto funcionário do Itamaraty disse à LPO que eles estão dispostos a sentar e conversar “desde que estejam dispostos a retomar as negociações sobre tarifas”.
Mauro Vieira está em Nova York para participar de uma conferência da ONU que discutirá uma solução de dois Estados para o conflito entre Israel e o Hamas.
De lá, aguardam um sinal para iniciar as negociações e viajar para Washington, mas a comitiva de Lula deixa claro que não haverá concessões que incluam a situação jurídica de Jair Bolsonaro. (La Politica Online)
TRUMP
O presidente Donald Trump afirmou na segunda-feira que a maioria dos parceiros comerciais que não negociarem acordos comerciais separados em breve enfrentará tarifas de 15% a 20% sobre suas exportações para os Estados Unidos, bem acima da tarifa ampla de 10% que ele impôs em abril.
Trump disse a repórteres que seu governo notificará cerca de 200 países em breve sobre sua nova “tarifa mundial”. “Eu diria que ficará em torno de 15% a 20%”, disse Trump a repórteres, sentado ao lado do primeiro-ministro britânico Keir Starmer em seu luxuoso resort de golfe em Turnberry, Escócia. “Provavelmente um desses dois números.” Trump, que prometeu acabar com décadas de déficits comerciais dos EUA impondo tarifas a quase todos os parceiros comerciais, já anunciou taxas mais altas de até 50% para alguns países, incluindo o Brasil, a partir de sexta-feira.(Reuters)
MILEI
A corrida para suceder Antonio Guterres nas Nações Unidas está a todo vapor, e um dos nomes que surgem como possibilidade é o argentino Rafael Grossi. O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já havia anunciado sua intenção de concorrer, mas sua candidatura ganhou força após se tornar alvo de críticas do Irã por seus questionamentos sobre o desenvolvimento do programa nuclear iraniano.
Grossi monitora o programa iraniano há muito tempo e alertou em diversas ocasiões sobre a possibilidade concreta de que o desenvolvimento iraniano possa ocultar intenções de construir uma bomba nuclear. O ataque de Donald Trump e a escalada com Israel o colocaram no centro das ameaças dos aiatolás. Isso gerou entusiasmo em Washington e Israel para apoiá-lo na ONU.
Um diplomata do Itamaraty disse à LPO que Milei se juntará a esse apoio como parte de seu alinhamento com os Estados Unidos e Israel, mas ele também tem um relacionamento próximo com Grossi, a quem propôs para ser seu ministro das Relações Exteriores no início de seu mandato. (La Politica Online)
Foto Divulgação

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico.
