Tensão diplomática: Itamaraty transmite a embaixador argentino ‘repulsa’ a insultos de Milei

Tensão diplomática: Itamaraty transmite a embaixador argentino ‘repulsa’ a insultos de Milei

Insultos de presidente argentino a Lula e ministro do STF levam a crise profunda entre os dois vizinhos e são destaque na mídia estrangeira

Por Carmen Munari

A crise diplomática entre a Argentina e o Brasil, desencadeada no sábado pelas ofensas do presidente Javier Milei a Lula da Silva, ganha novos desdobramentos. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, recebeu na tarde de domingo o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, transmitiu-lhe a “repulsa” de seu governo pelas declarações do presidente argentino Milei em São Paulo e exigiu explicações. Vieira relatou que, durante o encontro com Raimondi, transmitiu a ele “o descontentamento do governo brasileiro” com o discurso de Milei em São Paulo e pediu ainda ao embaixador argentino que transmitisse essa mensagem ao governo argentino e solicitasse explicações sobre o ocorrido. Mas Milei não deve pedir desculpas a Lula, segundo a mídia argentina

Mauro Vieira também deve se reunir nesta segunda-feira (27/07) com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, após o presidente argentino Javier Milei atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e instituições brasileiras durante discurso na convenção do Partido Liberal (PL) que chancelou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência no sábado (25/07). Após a convocação de Bitelli, o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi também foi convocado ao Itamaraty. São dois instrumentos de protesto sobre as declarações de Milei. (La Nación/ France24 / BBC / Telesur / AP)

Diego Santilli, chefe de gabinete de Milei, apoiou os ataques de Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de “ladrão” e “lixo socialista”. A declaração provocou um conflito diplomático com o principal parceiro comercial do país, que incluiu a convocação do embaixador do Brasil na Argentina para uma consulta. No entanto, longe de amenizar o incidente, na noite de domingo, o chefe de Gabinete pediu ao governo do Brasil “que não façam alarde”. Seguindo a mesma linha de argumentação do presidente, Santilli insistiu que assessores de Lula da Silva “vieram aqui para fazer campanha, disseram barbaridades sobre o presidente e puderam fazer os percursos que quiseram”, em referência à campanha de 2023, quando o partido La Libertad Avanza enfrentou o peronismo de Sergio Massa no segundo turno. (Ambito)

A tensão diplomática entre a Argentina e o Brasil teve um novo episódio nesta segunda-feira, depois que o ministro da Fazenda brasileiro, Dario Durigan, chamou o presidente Javier Milei de “palhaço” em resposta às críticas que o líder libertário dirigiu a Luiz Inácio Lula da Silva durante um comício político em São Paulo. (Ambito)

Contexto

O presidente argentino Javier Milei desencadeou uma crise diplomática com o Brasil, desta vez após lançar uma enxurrada de insultos contra seu homólogo Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o evento de lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, neste sábado, em São Paulo, o político de extrema direita argentino chamou o líder do Partido dos Trabalhadores (PT) de “ladrão” e “lixo socialista”. (el diario es)

LULA COSTURA ACORDO DO MERCOSUL COM CHINA E COREIA DO SUL

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O Brasil e a Coreia do Sul concordaram em acelerar as negociações sobre um possível acordo comercial entre o país asiático e o bloco sul-americano Mercosul, afirmaram seus presidentes nesta segunda-feira, durante uma cerimônia em Brasília. O Brasil vem buscando ampliar acordos — por conta própria ou por meio do Mercosul, que também inclui a Argentina, o Paraguai e o Uruguai — para diversificar o comércio em um momento em que está sendo afetado pelas tarifas impostas pelos EUA, um de seus principais parceiros comerciais.

 O presidente Lula afirmou que seu país e a Coreia do Sul concordaram em criar um grupo de trabalho para acelerar as negociações, enquanto seu homólogo sul-coreano, Lee Jae Myung, classificou um possível acordo com o Mercosul como uma questão urgente.

O Mercosul fechou acordos nos últimos anos com parceiros como a União Europeia e os quatro membros da Associação Europeia de Livre Comércio: Suíça, Islândia, Liechtenstein e Noruega.

Em uma ligação telefônica na manhã desta segunda-feira com o presidente chinês Xi Jinping, Lula disse que ele e Xi apoiavam o avanço das negociações sobre um possível acordo entre a China e o Mercosul. Durante a cerimônia na segunda-feira, Lula afirmou que o Brasil receberá uma delegação sul-coreana no próximo mês para uma avaliação sanitária dos frigoríficos brasileiros. Os líderes também concordaram em ampliar a cooperação no setor de minerais críticos, disse Lee.  O evento ocorreu cinco meses depois que Lula participou de uma cúpula com Lee em Seul. (Reuters / scmp / globaltimes)

A China apoia o Brasil na “rejeição à interferência externa” e está pronta para fortalecer a coordenação estratégica bilateral e multilateral, afirmou o presidente chinês Xi Jinping ao presidente Lula durante uma ligação telefônica nesta segunda-feira, informou a agência de notícias estatal Xinhua.  (Reuters)

LULA NA LIDERANÇA DE PESQUISA NEXUS

O presidente Lula está na liderança do senador Flávio Bolsonaro em um segundo turno simulado para a eleição presidencial de outubro, segundo mostrou nesta segunda-feira uma pesquisa da Nexus encomendada pelo banco BTG Pactual. Lula derrotaria o filho do ex-presidente de direita Jair Bolsonaro em um possível segundo turno por 47% a 43%, de acordo com a pesquisa, estável em relação à pesquisa realizada em 13 de julho (47% a 44%). Em um cenário de primeiro turno, Lula lideraria com 42% dos votos, seguido por Bolsonaro (33%), Ronaldo Caiado (6%), Renan Santos (5%) e Romeu Zema (3%). A Nexus entrevistou 2.004 pessoas entre 24 e 26 de julho; margem de erro de 2 pontos percentuais.

TARIFAÇO: INTERFERÊNCIA DOS EUA

O ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira que as tarifas impostas pelos EUA sobre diversos produtos do seu país constituem uma “interferência externa” e previu que a disputa seria resolvida após a eleição presidencial de outubro. Durigan disse que pretende marcar um encontro com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, à margem das reuniões do G20 no próximo mês, para defender a posição do Brasil contra as tarifas.

Foto: Javier Milei / Reprodução