Toffoli nega pagamentos e vínculos com dono do Banco Master

A resposta do ministro Toffoli, a agenda de Lula na Índia, a homenagem ao presidente no Carnaval do Rio e uma lei sobre enterros de pets são destaques da imprensa internacional sobre o Brasil nesta quinta (12). (Imagem: ASCOM/STF)
POR TATIANA CARLOTTI
O nome do ministro Dias Toffoli (STF), relator das investigações sobre o Banco Master, apareceu em uma mensagem do celular do banqueiro Daniel Vorcardo, dono da instituição bancária investigada, afirmou a Polícia Federal. Nesta quinta-feira (12/02), o ministro do STF se manifestou sobre o caso, afirmando nunca ter recebido pagamentos, nem mantido qualquer relação com o controlador do Master, destaca a Reuters. O relatório da PF foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República e ao presidente da Corte Suprema, o ministro Edson Fachin, convocou uma reunião com os ministros do STF nesta tarde, sobre o caso.
Toffoli vem sendo criticado por se manter na relatoria do caso. A PF apontou irregularidades em um dos fundos de investimento ligado ao Banco Master, que detém participação no resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro no Paraná, de propriedade de familiares do ministro. Em nota à imprensa, o ministro confirmou ser um dos sócios do resort, mas disse que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.”
A PF não pediu o afastamento de Toffoli, mas avaliou haver elementos que demandariam escrutínio adicional. A Agência Brasil detalha que, pela Lei Orgânica da Magistratura, um juiz pode integrar quadro societário e receber dividendos, sendo vedada apenas a atuação em gestão dos negócios.
Ainda sobre o caso do Banco Master, a Reuters revelou que o Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu a revisão técnica da atuação do Banco Central na liquidação da instituição financeira e não encontrou nada que incrimine o órgão regulador do governo. O relatório do TCU não apresentou ressalvas e nem recomendações, afirmaram funcionários da autoridade monetária, ouvidos sobe anonimato, pela agência internacional.
Lula vai à Índia
A Prensa Latina noticiou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará na próxima semana, entre 18 e 22 de fevereiro, da Cúpula de Inteligência Artificial em Nova Déli e terá, no dia 21, reuniões oficiais com o primeiro-ministro Narendra Modi. O porta-voz do governo indiano, Randhir Jaiswal, afirmou que os líderes revisarão todo o espectro das relações bilaterais e que haverá mais intercâmbio sobre temas regionais e globais, cooperação em fóruns multilaterais, governança global e pautas do Sul Global. Lula também será recebido pela presidente Droupadi Murmu e por outras autoridades. A delegação brasileira contará com 14 ministros e empresários, com encontros setoriais e fórum de negócios.
Também estará presente no Fórum o presidente francês Emmanuel Macron. Segundo a EFE, Brasil e Índia firmarão acordo em minerais críticos e terras raras. A visita deve render onze instrumentos, incluindo parceria digital, ampliação de vistos turísticos e cooperação entre a Embraer e a Adani. Lula também buscará avançar a ampliação do acordo preferencial entre Mercosul e Índia.
Lula no Carnaval
A ANSA relata que o Carnaval do Rio pode virar um “campo de batalha” político e judicial antes das eleições presidenciais de outubro, a partir do ataque de partidos de direita ao presidente Lula e à escola Acadêmicos de Niterói, que decidiu homenageá-lo no desfile no Sambódromo. Para organizadores, trata-se de tributo cultural e histórico a um personagem central; para a oposição, o enredo pode funcionar como vantagem política ao presidente por meio da exposição nacional na transmissão televisiva, abrindo discussão sobre propaganda eleitoral antecipada.
O desfile da escola está marcado para domingo, com possível presença de Lula, e que a participação da primeira-dama Janja já foi confirmada. A ANSA destaca que há “várias ações legais” questionando conteúdo e financiamento, e que o partido Novo pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proíba o desfile, alegando que o uso de símbolos associados às campanhas de Lula — como jingles históricos e o número 13 do PT — poderia beneficiá-lo politicamente. A apelação inclui pedido de multa de cerca de 10 milhões de reais à escola, cujo presidente honorário, Anderson Pipico, é vereador do PT em Niterói. Em outra frente, o senador Bruno Bonetti e o deputado estadual Anderson Moraes, do Partido Liberal, acionaram tribunais para tentar bloquear o desfile.
A reportagem acrescenta que a Justiça já rejeitou duas demandas anteriores, apresentadas por Damares Alves (PL) e Kim Kataguiri (União Brasil), por falta de provas de dano concreto aos cofres públicos. A escola, por sua vez, reafirmou o caráter cultural do enredo de 2026, que percorre etapas da vida do presidente, da infância pobre em Pernambuco à trajetória sindical em São Paulo e à chegada ao poder, dentro da tradição carnavalesca de celebrar figuras marcantes da história nacional.
Pets poderão ser enterrados com seus donos
A BBC noticia a lei, em vigor deste terça-feira, em São Paulo, que permite que animais de estimação sejam sepultados com seus familiares. A lei reconhece o “vínculo emocional” entre animais e famílias humanas. Um dos autores da proposta, o deputado Eduardo Nóbrega, afirmou à agência que a medida formaliza um entendimento social: “quem já perdeu um animal de estimação sabe: não é só um animal. É uma família.” A norma permite que gatos e cachorros sejam enterrados em jazigos familiares, desde que cumpridas normas sanitárias, com regras a serem definidas pelos serviços funerários locais. A matéria acrescenta que o Brasil tem a terceira maior população de animais de estimação do mundo, com 160 milhões, segundo dados do Instituto Pet Brasil citados no texto.
Megaoperação no Alemão
The Guardian traz um podcast sobre a megaoperação da Polícia Federal que levou à morte de mais de 120 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, em outubro de 2025. Apresentado por Helen Pidd, o programa tem participação dos jornalistas Tom Phillips e Tiago Rogero. A investigação descreve o episódio como o “dia mais sangrento” da história moderna do Rio de Janeiro e se apoia no contexto de uma “investigação forense” publicada pelo jornal nesta semana.
A ofensiva, sem precedentes, teria mobilizado mais de mil policiais armados. A narrativa enfatiza o impacto nas comunidades: luto de mães e esposas dos mortos, indignação de lideranças locais com o grau de violência e a sensação de que a operação redefiniu parâmetros do policiamento na cidade. Muitos dos mortos eram “ainda adolescentes”. aponta o jornal britânico.

Tatiana Carlotti é repórter do Fórum 21 desde 2022. Também trabalha em Ópera Mundi e atuou por oito anos nos veículos progressistas Carta Maior (2014-2021) e Blog Zé Dirceu (2006-2013). Tem doutorado em Semiótica (USP) e mestrado em Crítica Literária (PUC-SP).
