Tragédia em Minas: chuvas matam 55 pessoas e deixam milhares desabrigados

Mortes em Minas devido às chuvas, envio de petróleo a Cuba, troféu da Copa no Brasil e a reviravolta brasileira no tarifaço de Trump são destaque das notícias internacionais sobre o país nesta quinta (26). (Imagem: © Tomaz Silva/Agência Brasil)
POR TATIANA CARLOTTI
Intensas chuvas na Zona da Mata mineira levou à morte de 55 pessoas nesta quinta-feira (26/03), segundo informação do Corpo de Bombeiros local. Oito frentes de trabalho foram mobilizadas, seis em Juiz de Fora e duas em Ubá, nas operações contínuas de busca e salvamento. Juiz de Fora concentra a maior parte das vítimas: 49 mortos e 11 desaparecidos, além de cerca de 3 mil desalojados. Em Ubá, foram confirmadas seis mortes e duas pessoas continuam desaparecidas, com 1,2 mil desalojados e 500 desabrigados.
Segundo a Agência Brasil, a resposta inclui uma força-tarefa com maquinário pesado (retroescavadeiras e caminhões) e técnicos da Anatel, que fazem rastreamento de sinais de celular para tentar localizar vítimas sob escombros. Equipes com cães farejadores também apoiam as buscas em áreas demarcadas como prioritárias. O Ministério da Saúde enviou equipes do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Departamento de Emergências em Saúde Pública aos municípios mineiros para ajudar nas respostas emergenciais.
A tragédia em Minas é o principal tema sobre o país nos veículos internacionais. O francês Le Monde traz relato de moradores, incluindo uma senhora de 64 anos que resume o sentimento local: “estamos vivendo um pesadelo”. A reportagem também chama atenção para o contexto climático, destacando que o estado registrou chuvas recordes desde o início de fevereiro e que a geografia local aumenta a vulnerabilidade a deslizamentos e enxurradas.
Já a Associated Press relata que mais chuvas são esperadas e os alertas de risco de novas inundações, quedas de árvores, falta de energia e deslizamentos. A agência também menciona que o presidente Lula confirmou apoio federal e repasses emergenciais para ajuda humanitária e reconstrução das cidades mineiras.
A Defesa Civil do Estado de São Paulo informou que as regiões do Vale do Paraíba e do Litoral Paulista estão em alerta vermelho de perigo em decorrência das chuvas.
Petróleo para Cuba
Petroleiros, sindicatos e movimentos populares realizaram ato em frente à sede da Petrobras nesta quinta-feira (25/02) para exigir que o Governo Lula e a estatal brasileira enviem petróleo e derivados a Cuba, buscando aliviar a crise energética na ilha em meio ao endurecimento do bloqueio dos EUA. Segundo a teleSUR, os manifestantes entregaram uma carta dirigida ao presidente brasileira e à presidente da Petrobras, Magda Chambriard, defendendo que a empresa, por seu caráter estratégico, teria capacidade técnica e “moral” para atuar em uma emergência que afeta serviços vitais. Segundo o documento, o consumo anual de petróleo de Cuba equivaleria a poucos dias da produção total da Petrobras.
Países que fornecem petróleo a Cuba estão sob a mira de Washington, que ameaçou com tarifas todos os países que vendam petroleo à ilha, usando a energia como instrumento de coerção política. Na carta, os manifestantes pedem, também, uma frente de assistência mais ampla, incluindo alimentos, medicamentos e apoio técnico para transição energética, destacando a importância do Brasil na defesa da soberania regional e da integração latino-americana.
Lula recebe a taça da Copa do Mundo em cerimônia no Planalto
A Taça da Copa do Mundo de 2026 passou por São Paulo e Rio de Janeiro e encerrou seu tour no Brasil nesta quinta (26/02), em evento no Planalto. A cubana Prensa Latina destacou que o troféu original de ouro 18 quilates raramente sai do museu da FIFA em Zurique, aparecendo apenas durante a Copa e no circuito oficial que antecede o torneio. Antes de passar pelo Brasil, o troféu esteve em países como Guatemala, Argentina, Equador, Honduras e Uruguai. Agora, ela seguirá para o México, um dos países-sede do Mundial de 2026, ao lado de Estados Unidos e Canadá.
Formação para 10 mil jovens
O Ministério do Esporte, em parceria com um centro universitário, lançou o programa “Formação Digital em e-esporte Geração Gamer Brasil”, um curso gratuito e online para capacitar 10 mil jovens de 15 a 29 anos para o setor de games e esportes eletrônicos, informa a teleSUR. A iniciativa integra uma estratégia de inclusão digital e geração de renda via esporte, mirando não só jogadores, mas também funções ligadas a tecnologia, produção de conteúdo e gestão — ampliando o entendimento do “ecossistema” de e-sports como mercado de trabalho. Nos primeiros meses, o projeto já alcançou mais de 93% da meta de inscrições, com presença em todos os estados e no Distrito Federal, e alta participação de estudantes da rede pública. O curso engloba aulas de hardware, cibersegurança, monetização e ética esportiva.
Brasil: de “grande perdedor” a vencedor na disputa tarifária com Trump
É o que afirma reportagem da Bloomberg publicada nesta quinta (26/02). O texto, assinado por Andrew Rosati e Daniel Carvalho, diz que o o país saiu de uma posição inicialmente desfavorável, quando enfrentava algumas das tarifas mais altas impostas por Donald Trump, para se tornar um dos principais beneficiados após a revisão do sistema tarifário dos Estados Unidos. A mudança ocorreu depois que a Suprema Corte americana invalidou parte das tarifas globais adotadas pelo governo Trump, reduzindo significativamente o impacto sobre exportações brasileiras. Segundo o texto, a estratégia do governo Lula foi decisiva: mesmo diante das tarifas de até 50% aplicadas no ano passado, o Brasil optou por não retaliar comercialmente e apostou em diálogo diplomático e na via judicial dos EUA. Com a decisão da Suprema Corte, a tarifa média sobre produtos brasileiros teria caído cerca de 21 pontos percentuais — de aproximadamente 31% para 10%, segundo estimativas da Bloomberg Economics — a maior redução entre grandes parceiros comerciais americanos.
O texto ressalta que a decisão judicial favorável coincidiu com a viagem de Lula à Índia, onde o presidente buscava ampliar a diversificação comercial do Brasil além de EUA e China. A agenda internacional reforça a tentativa de reduzir dependências econômicas e ampliar acordos estratégicos, especialmente com países asiáticos. Apesar do cenário positivo, a Bloomberg destaca que o futuro ainda é incerto. O governo norte-americano pretende manter tarifas substitutivas de até 15% sob novas bases legais, além disso, as investigações comerciais contra o Brasil continuam em andamento no Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Lula deve viajar a Washington em março, onde se encontrará com Trump, na Casa Branca.
Falas de Lula ainda repercutem nos jornais indianos
Reportagem do indiano The Economic Times repercute a coletiva do presidente Lula em Nova Délhi, quando ele que o mundo não precisa de uma “nova Guerra Fria”, pedindo a Trump que trate todos os países de forma equitativa. “Quero dizer ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não queremos uma nova Guerra Fria. Não queremos interferência em nenhum outro país; queremos que todos os países sejam tratados igualmente”, reitera o jornal, ao salientar que o presidente brasileiro preferiu não comentar decisões internas da Suprema Corte dos EUA, mas disse esperar que as relações bilaterais “voltem à normalidade” após uma conversa direta prevista entre os dois líderes.
O jornal também destaca a defesa do multilateralismo pelo mandatário brasileiro, reforçando o posicionamento do governo em favor de regras comerciais previsíveis e de negociações multilaterais, especialmente para países do Sul Global. Durante a visita, Brasil e Índia anunciaram avanços em cooperação em minerais críticos e terras raras, áreas consideradas estratégicas na transição energética e na cadeia global de tecnologia.

Tatiana Carlotti é repórter do Fórum 21 desde 2022. Também trabalha em Ópera Mundi e atuou por oito anos nos veículos progressistas Carta Maior (2014-2021) e Blog Zé Dirceu (2006-2013). Tem doutorado em Semiótica (USP) e mestrado em Crítica Literária (PUC-SP).
