Unicamp cita genocídio palestino ao cancelar convênio com instituto israelense

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das principais do Brasil, cancelou acordo com o Instituto Tecnológico Technion de Israel, em protesto contra a ofensiva que mantém na Faixa de Gaza. Em comunicado, a instituição afirmou que a situação se deteriorou a tal ponto que as violações dos direitos humanos e da dignidade da população palestina se tornaram uma constante permanente e inaceitável, o que levou a repensar a continuidade da colaboração.
Segundo o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, a universidade já se pronunciou anteriormente sobre o conflito em Gaza e que a decisão representa uma reafirmação de sua “posição contra o genocídio da população palestina”. De acordo com Montagner, a decisão de rompimento segue na mesma linha do posicionamento do governo brasileiro – que condena as ações israelenses na região – e de outras universidades do mundo que se mostraram contrárias à situação imposta à Faixa de Gaza
O convênio previa parceria em projetos de pesquisa e intercâmbio de docentes, pesquisadores e alunos de pós-graduação e graduação. (Prensa Latina com Agência Brasil)
CELSO AMORIM: ARQUITETO DA PLÍTICA EXTERNA
O Le Monde traz reportagem sobre Celso Amorim, “o influente assessor especial do presidente Lula”. O diplomata mais experiente e famoso do Brasil ainda dirige, aos 83 anos, a política externa de seu país. Retrospectiva da carreira desse respeitado “sherpa”, que hoje critica os ocidentais, mas poupa a Rússia. “A meu ver, o Brasil nunca foi um país ocidental”, afirma o diplomata mais experiente, influente e famoso do Brasil, que concedeu uma entrevista ao jornal Le Monde no início de setembro. Há três décadas que este homem de 83 anos, com barba e cabelos grisalhos, sorriso malicioso e terno claro, molda a política externa do seu país continental. Inseparável do presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, é o arquiteto de uma linha “ativa” na política externa.
BRICS NA AMÉRICA LATINA
Os países latino-americanos estão demonstrando um interesse crescente pelo BRICS, com um trabalho ativo em andamento em uma ampla gama de iniciativas dentro da associação — desde a finalização de uma estratégia de parceria econômica até a criação de uma bolsa de grãos, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, no 7º Fórum Internacional “Rússia e Ibero-América em um Mundo Turbulento: De Desafios Compartilhados a Soluções Conjuntas”, em São Petersburgo.
“O interesse pelo BRICS está se expandindo na região [da América Latina]”, observou Ryabkov. “O trabalho está em andamento em todas as dimensões do BRICS sob a presidência do Brasil. O acordo sobre a estratégia de parceria econômica do BRICS até 2030 está sendo finalizado. A iniciativa de pagamentos transfronteiriços está avançando.”
De acordo com o vice-ministro, propostas para estabelecer uma bolsa de grãos do BRICS também estão em discussão ativa. “O BRICS é caracterizado por um espírito de criatividade e parceria, que contrasta fortemente com a atmosfera opressiva que permeia os blocos de líderes ocidentais”, acrescentou. (Tass)
DÓLAR E BRICS
Novos dados mostram que o dólar americano ainda domina os mercados cambiais, apesar do caos econômico causado por Trump, diz o site Conversation. O status do dólar americano tem sido cada vez mais contestado pelas economias emergentes conhecidas como países BRICS. Originalmente composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (a maioria das maiores economias fora do G7), o BRICS agora conta com a adesão de alguns outros países não ocidentais. Eles expressaram o desejo de realizar mais transações comerciais utilizando suas próprias moedas.
EUA X BRASIL
Os Estados Unidos rebaixaram o Brasil e a África do Sul, ambos alvos importantes do presidente Donald Trump, em um relatório sobre os esforços para combater o tráfico de pessoas. O relatório anual do Departamento de Estado, o primeiro desde o retorno de Trump à Casa Branca, colocou as duas potências do bloco econômico emergente BRICS em uma lista de observação, um degrau acima da lista negra que acarreta possíveis sanções.
Na África do Sul, “o governo identificou menos vítimas, investigou menos casos e iniciou menos processos judiciais”, disse o relatório, usando linguagem semelhante para o Brasil.
Afirmou que o Brasil não concluiu nenhum processo judicial sob uma lei antitráfico de 2016, apesar do que o relatório disse ser uma estimativa de dezenas de milhares de vítimas de tráfico no Brasil. (IOL)
EUA X PIX
O PIX, o sistema brasileiro de pagamentos digitais, rápido e gratuito, tornou-se incrivelmente popular. As gigantes Visa, Mastercard, PayPal e Apple estão preocupadas com o sucesso do sistema, que lhes rouba clientes. Agora, a empresa brasileira despertou a ira de Donald Trump, que afirma que o Brasil prejudica injustamente as empresas americanas. Quando vão comprar algo em uma loja, a tradicional pergunta “dinheiro ou cartão?” não funciona para milhões de brasileiros. Em vez disso, o método de pagamento preferido no maior país da América Latina é frequentemente o PIX, o mecanismo digital gratuito que a população usa todos os dias para fazer compras, pagar contas em bares e comprar lanches na praia. Oito por cento dos consumidores o utilizam, e ele representa metade das transações financeiras do país. Fora do Brasil, ele recebeu elogios de economistas renomados, que até o classificaram como o futuro do dinheiro.
O funcionamento do PIX é muito semelhante ao das carteiras virtuais utilizadas na Argentina, e muitos argentinos o utilizaram no Brasil durante as férias. (Clarín)
TRANSPORTE COM TARIFA ZERO
Em meio a inúmeras turbulências e ataques à democracia brasileira, uma ideia vem rondando o Palácio do Planalto: a tarifa zero. A proposta de gratuidade no transporte público brasileiro aparece como uma fresta de luz, junto com outras medidas populares e transformadoras – como o fim da escala 6×1, a taxação dos super-ricos e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Todas elas tentam encontrar espaço em meio às covardias e ações autointeressadas da extrema direita e direita brasileiras, inclusive por meio do Congresso Nacional.
Lula demonstrou interesse na tarifa zero e, nas últimas semanas, solicitou um escudo para técnicos do governo federal para buscar caminhos para reduzir ou zerar a tarifa de ônibus no Brasil. Sorte a dele que movimentos sociais, pesquisadores e integrantes da sociedade civil já têm muito acúmulo sobre o tema. Afinal, nunca achamos que a tarifa zero seria um almoço grátis e, por isso, já foram elaboradas diferentes propostas, não só para dimensionar o custo, mas também propor alternativas para o financiamento da política. (Le Monde Diplomatique)
Imagem da entrada da Unicamp / Thomaz Marostegan/Unicamp

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produzo o Focus 21, escrevo e edito os textos dos analistas.
