A facilidade de ser líder na extrema direita: Gritar contra o STF é suficiente

Por Basílio Carneiro
Falta liderança de verdade, sobra barulho. O que se vê na extrema direita brasileira é um deserto de ideias irrigado por ódio, ignorância política e uma espantosa ausência de leitura crítica.
Em 2018, o roteiro já estava pronto: arminhas como símbolo, palavrão travestido de slogan e a palavra de ordem explícita “vamos eliminar, destruir a esquerda”. Não havia projeto, só inimigos. Desde então, o método não mudou, apenas se repete em escala maior. Nesse vácuo intelectual, qualquer gesto performático vira “ato histórico”. Bastou uma caminhada com ataques ao Supremo para Nikolas Ferreira ser alçado, quase por inércia, ao posto de maior liderança do campo extremista no país.
O delírio se completa quando uma sobrevivente, ao sair da UTI, afirma que “morreria feliz pela causa”. Qual causa? Atacar o STF. É só isso. Não existe proposta de país, nem debate institucional, nem compromisso democrático. Há apenas a romantização do confronto e a estetização do caos. E eles sabem. Sabem que exploram uma base radicalizada, emocionalmente capturada, e seguem nadando de braçadas nesse esgoto político.
Na extrema direita de hoje, liderar não exige preparo, inteligência ou coragem política. Exige apenas apontar um inimigo, berrar slogans vazios e fingir que destruir instituições é sinônimo de patriotismo. É fácil. E justamente por isso, perigosamente fácil.
