A verdade inconveniente: Se querem prender terroristas, eles já estão presos

Os acontecimentos entre o fim de 2022 e o início de 2023 marcaram um dos momentos mais tensos da democracia brasileira desde a redemocratização
Por Folha da PB / Basílio Carneiro
Os fatos levaram a investigações da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal, resultando em prisões, denúncias e processos contra militares, policiais, empresários e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A escalada da tensão ficou evidente em 12 de dezembro de 2022, dia da diplomação do presidente Lula . Na ocasião, grupos bolsonaristas promoveram atos de vandalismo em Brasília, com ônibus e veículos incendiados e confrontos com as forças de segurança.
Poucos dias depois, em 24 de dezembro, a Polícia Federal prendeu o empresário George Washington de Oliveira Sousa, acusado de participar da tentativa de explosão de um caminhão-tanque próximo ao aeroporto da capital federal. Segundo as investigações, a ação buscava gerar instabilidade política e social.
O episódio mais grave ocorreu em 8 de janeiro de 2023, quando milhares de manifestantes invadiram e depredaram as sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto. As autoridades classificaram os atos como uma tentativa de ruptura da ordem democrática. Centenas de pessoas foram presas e denunciadas por crimes contra o Estado Democrático de Direito.
As investigações posteriores identificaram mensagens, documentos e reuniões que apontariam para articulações destinadas a impedir a posse do governo eleito. Entre os elementos apurados estão minutas de decretos de exceção e supostos planos contra autoridades da República, incluindo o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
Ao longo das apurações, militares da ativa e da reserva, ex-integrantes das forças de segurança e apoiadores do movimento bolsonarista foram presos ou denunciados. Parte dos investigados responde aos processos em liberdade, enquanto outros permaneceram presos por decisão judicial.
Os fatos foram frequentemente comparados à invasão do Capitólio dos Estados Unidos, em 2021, quando apoiadores de Donald Trump contestaram a vitória eleitoral de Joe Biden. Apesar das comparações, não existem evidências públicas que permitam afirmar qual seria o conhecimento pessoal de Trump sobre os acontecimentos investigados no Brasil.
As investigações seguem em andamento em diversos casos. A definição final das responsabilidades caberá ao Poder Judiciário, com base nas provas reunidas e no devido processo legal.
