Com Nunes Marques no comando do TSE, a extrema direita arma a campanha da mentira

Com Nunes Marques no comando do TSE, a extrema direita arma a campanha da mentira

Por Basílio Carneiro

A extrema direita já deixou claro que a campanha de 2026 não será uma disputa política convencional. O episódio do BBB, com a atriz Solange Couto espalhando uma fake news em rede nacional, foi apenas um aperitivo do que está por vir. A mentira virou método, estratégia e arma eleitoral. Não é erro nem improviso: é um projeto calculado para confundir, gerar medo, criar desconfiança e manipular emoções.

Eles operam no limite da lei, explorando a lógica de que “o que não é proibido é permitido”. Usam religião, moral, violência urbana, programas sociais e insegurança econômica como matéria-prima para fabricar narrativas falsas que se espalham com velocidade nas redes.

A extrema direita entendeu que não precisa vencer no campo das ideias se dominar o campo da desinformação. E faz isso num ambiente institucional cada vez mais permissivo, com figuras alinhadas ao bolsonarismo em posições estratégicas.

Diante disso, tratar 2026 como uma campanha normal é um erro grave. Fake news precisam ser enfrentadas no mesmo terreno: mentira em vídeo se responde com vídeo, mentira em meme com contra-meme, mentira emocional com emoção e verdade. Texto técnico não segura boato viral. A disputa acontece no ritmo das redes.

O cenário fica ainda mais preocupante com o bolsonarista Nunes Marques no comando do Tribunal Superior Eleitoral. Indicado por Jair Bolsonaro ao STF, ele passa a ocupar uma posição estratégica justamente no momento em que a extrema direita organiza uma ofensiva baseada em fake news, pânico moral e desinformação em massa. Sua presença no centro da engrenagem eleitoral acende o alerta sobre tentativas de aparelhamento e captura do processo democrático.

Também não existe resposta individual. O combate precisa ser coletivo, coordenado e permanente. Redes de WhatsApp, canais de Telegram, perfis de reação rápida, influenciadores e militância digital são hoje tão importantes quanto comitês de campanha. Fake news se enfrenta com volume, velocidade e presença constante.

Mas não basta desmentir. É preciso contar histórias, transformar a verdade em narrativa e mostrar que existe um método por trás das mentiras, como já ocorreu com a vacina, o Pix, o Bolsa Família e a pandemia.

A eleição de 2026 será uma batalha pela realidade. Quem não disputar narrativa vai perder, mesmo estando com a verdade do seu lado. O que vimos agora foi só o trailer.

Na imagem, o ministro do TSE Nunes Marques / Marcelo Camargo/Agência Brasil

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