Deepfakes, ataques ao STF e o silêncio que preocupa: A democracia não pode ser refém da gratidão política
Existe um limite que jamais pode ser ser ultrapassado entre a gratidão pela indicação ao Supremo Tribunal Federal e o dever de agir com absoluta independência. Quando esse limite passa a ser questionado, a confiança nas instituições também é colocada em risco.
Por Basílio Carneiro / Folha da PB
Nas eleições de 2026, os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça comandam o Tribunal Superior Eleitoral. Sobre eles recai a responsabilidade de garantir que a disputa aconteça dentro da Constituição e das regras democráticas.
Essa missão ganha ainda mais importância diante da postura do candidato Flávio Bolsonaro. Ao longo da campanha, ele voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal, levantou dúvidas sobre o sistema eleitoral e utilizou conteúdos produzidos com inteligência artificial que reproduzem a imagem de Jair Bolsonaro nas convenções do partido. São fatos que aumentam a responsabilidade da Justiça Eleitoral de agir com firmeza e equilíbrio.
Nunes Marques e André Mendonça foram indicados ao Supremo por Jair Bolsonaro. Isso não impede que exerçam seus cargos com independência. Pelo contrário. Exige deles um compromisso ainda maior com a imparcialidade para que nenhuma decisão alimente dúvidas sobre a atuação da Corte.
A democracia depende de instituições fortes e de magistrados que demonstrem, por suas decisões, que não servem a governos nem a grupos políticos, mas exclusivamente à Constituição.
Em um momento de tanta polarização, o Brasil precisa de um Tribunal Superior Eleitoral que transmita segurança e confiança. Porque quando a gratidão dá lugar à subserviência política, ou quando essa impressão ganha força perante a sociedade, quem perde é a democracia.
