‘Durk Horse’ tem dono: o Banco Master

A produtora do filme que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro afirmou que 90% de tudo o que foi gasto na produção foi pago por Daniel Vorcaro. Se US$ 13 milhões quitaram tudo, para onde iriam os outros US$ 11 milhões? (Imagem: Rovena Rosa/ Agência Brasil)
POR BASÍLIO CARNEIRO
Folha da Paraíba
Até aqui, um dado chama atenção: o custo efetivamente executado da obra foi de 13 milhões de dólares. Desses, 12 milhões vieram do banqueiro.
Mas o ponto mais intrigante é outro.
O contrato que Flávio Bolsonaro cobrou sua execução total, através de mensagens descobertas pelo Intercept, não era de 13 milhões. Era de 24 milhões de dólares.
Ou seja: mesmo com praticamente toda a produção já bancada, Flávio exigiu solução, pois ainda faltava mais da metade do valor previsto em “contrato”.
Então surge a pergunta inevitável: se metade do valor pagou praticamente tudo, os outros 11 milhões de dólares restantes seriam gastos em quê? Para quem iria esse troco?
Talvez essa produção tenha tido a maior disparidade de planejamento financeiro da história do cinema universal.
A metade quitou tudo.
Independente do insólito “equívoco” de orçamento, resta então tratar os fatos da forma como se deve: sem o dinheiro de Vorcaro, o filme simplesmente não existiria.
Um senador da república, não iria até a prisão domiciliar de um fraudador, com tornozeleira eletrônica, assumindo o risco evidente de ser associado a uma figura tóxica e danosa à própria candidatura, se não estivesse diante de alguém com poder soberano sobre toda a operação.
E que seja dado o crédito a quem tem crédito: apareça com destaque na tela: “OBRA PRODUZIDA INTEGRALMENTE COM RECURSOS PROVENIENTES DE FRAUDES”
O “Durk Horse” tem dono. O dono é o banco Master.
