Escândalo do Banco Master levanta pergunta incômoda: onde está a esquerda nessa história?

O argumento de que o escândalo “atinge todos os espectros políticos” precisa ser analisado com calma. Quando se observam os fatos que vieram a público até agora, algumas perguntas ajudam a colocar o debate no lugar certo.
POR BASÍLIO CARNEIRO
Folha da PB
Foi alguém da esquerda que apresentou emenda para beneficiar o Banco Master? Não.
Foi durante um governo de esquerda que o Banco Master cresceu e consolidou suas operações? Também não.
Foi um governo de esquerda que autorizou ou ampliou os consignados ligados ao banco? Não.
Algum político de esquerda recebeu doações de Fabiano Zettel? Até agora, não há registro disso.
Governadores ou prefeitos de esquerda aplicaram dinheiro de aposentados em títulos problemáticos do Banco Master?Não há evidência de que isso tenha ocorrido.E quem da esquerda utilizou o jatinho de Daniel Vorcaro em campanha? Ninguém foi apontado.
Diante disso, surge uma pergunta inevitável: se os episódios conhecidos até agora não apontam para participação da esquerda, de onde vem a narrativa de que o escândalo atinge “todos os lados”?
Muitas vezes esse tipo de discurso aparece quando se tenta diluir responsabilidades. Em vez de identificar quem tomou decisões, quem aprovou medidas e quem manteve relações com os envolvidos, cria se uma ideia genérica de que “todo mundo está misturado”.
Mas política exige precisão. Escândalos precisam ser investigados com base em fatos, nomes e responsabilidades concretas, não em generalizações que colocam todos no mesmo saco. Quando tudo vira “todos os lados”, no fim das contas ninguém responde por nada.
