Pix, Trump e a submissão da família Bolsonaro aos interesses dos EUA

O Pix é do Brasil. Foi idealizado pelo Banco Central em 2017 e utilizado por milhões de brasileiros todos os dias (Foto: © Marcello Casal jr/Agência Brasil)
POR BASÍLIO CARNEIRO
Folha da PB
O Pix é do Brasil. Foi idealizado pelo Banco Central em 2017 e utilizado por milhões de brasileiros todos os dias .Por isso, uma pergunta se impõe.
Se Donald Trump, no encontro na Casa Branca, tiver dito a Flávio Bolsonaro: “Vou lhe apoiar eleitoralmente, mas em troca você terá de acabar com o Pix”, qual terá sido a resposta?
A pergunta não surge do nada.
A família Bolsonaro construiu uma trajetória de vassalagem política e ideológica com Trump.
Houve declarações de admiração, gestos de deferência e demonstrações públicas de proximidade, na história política recente.
Jair, o pai, pasmem, bateu continência para a bandeira americana e se declarou com “i love you” para Trump.
Em evento conservador nos EUA, Flávio, o filho, prometeu de mão beijada, caso eleito, as terras raras do solo brasileiro.
E confessou ter levado na última visita, documentos para embasar decisões tomadas pela ala ideológica do governo.
Eduardo, o outro filho, é o principal responsável por sanções a autoridades e tarifas de produtos do Brasil.
Pois bem, agora imagine um conflito entre interesses de bandeiras de cartões de crédito dos Estados Unidos, incomodados com o sucesso do Pix.
De que lado fica Flávio Bolsonaro?
Defende uma ferramenta que economiza bilhões de reais aos brasileiros e reduz a dependência de intermediários financeiros, ou atende ao pedido de seu ídolo político?
É um teste simples de soberania.
Porque dizer amar a pátria é complicado quando se sabe por gestos e atos, qual é o teto desse sentimento.
Difícil é defender os interesses nacionais quando eles colidem com os próprios interesses e o dos aliados de fora.
