Quando a cultura ocupa a avenida e a censura tenta calar: a homenagem a Lula na Sapucaí

Quando a cultura ocupa a avenida e a censura tenta calar: a homenagem a Lula na Sapucaí

Luiz Inácio Lula da Silva venceu o debate digital após o desfile, segundo pesquisa de monitoramento nas redes. O tema gerou mais de 32,2 milhões de menções, com 56,2% de avaliações positivas, cerca de 18,1 milhões de registros, indicando ampla predominância de apoio e engajamento favorável. O levantamento foi realizado pela agência Ativaweb.

Por Basílio Carneiro / Folha da PB

O único “crime” cometido pelo desfile da Acadêmicos de Niterói, ao homenagear Luiz Inácio Lula da Silva, foi revelar um boicote constrangedor da Rede Globo. Fora isso, o que se viu foi um espetáculo vibrante: cores, arte popular, identidade brasileira e cultura pulsante ocupando a avenida com autoridade.

Transformar uma homenagem artística em escândalo diz mais sobre quem tenta apagar o desfile do que sobre a escola. A avenida falou alto, falou de povo, de história e de política como expressão cultural, algo que o samba faz desde sua origem. Fingir que não viu é uma escolha editorial. E escolhas editoriais também são posições políticas.

Enquanto alguns optaram pelo silêncio seletivo, o público assistiu a um carnaval criativo e legítimo. O Carnaval cumpriu seu papel ancestral: provocar, emocionar e contar histórias que nem sempre cabem nos enquadramentos confortáveis da grande mídia. Não houve crime algum na Sapucaí. Houve samba, cultura e coragem. O resto foi censura disfarçada de neutralidade.

Como esperado, o desfile foi suficiente para provocar esperneios previsíveis. Michel Temer tentou diminuir a homenagem ao chamá-la de “bajulação social”, como se a cultura popular precisasse de autorização das elites para existir.

Eduardo Bolsonaro, ao lado do ideólogo Paulo Figueiredo, partiu para a ofensiva religiosa, estimulando pastores aliados a demonizar Lula. Já Michelle Bolsonaro repetiu a narrativa da condenação, ignorando que os processos contra o presidente foram anulados após ficar comprovado o lawfare conduzido pelo então juiz Sergio Moro e pela força-tarefa da Lava Jato.

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Enquanto eles gritam, a avenida respondeu como sempre respondeu: com samba, povo e cultura.

Na imagem, o ator Paulo Vieira como Lula no desfile / Reprodução

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