Trump mira Pix e Flávio Bolsonaro pode aplicar agenda sem admitir ao eleitor

Cresce avaliação de que Flávio Bolsonaro pode adotar pautas alinhadas a Donald Trump em um projeto presidencial, embora evite verbalizar isso por se tratar de medidas impopulares. (Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil).
POR BASÍLIO CARNEIRO
Folha da PB
As recentes declarações de Donald Trump voltaram a colocar o Brasil no centro de uma retórica que mistura economia e soberania.
O Pix, a regulação das redes sociais e tarifas de importação entraram no radar do republicano, com críticas a políticas que ampliam a autonomia brasileira.
O que chama atenção não é só o tom externo, mas o eco interno. Falas de Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, incluindo participação no CPAC, reforçam um alinhamento que para críticos soa como subserviência.
O Pix virou alvo indireto por seu impacto sobre grandes empresas de tecnologia e meios de pagamento. Já a regulação das redes é tratada por aliados de Trump como ameaça à liberdade de expressão, discurso replicado por setores do bolsonarismo. As tarifas entram como parte da disputa entre proteger o mercado interno e atender interesses externos.
Nos bastidores cresce a avaliação de que Flávio Bolsonaro pode adotar pautas alinhadas a Donald Trump em um projeto presidencial, embora evite verbalizar isso por se tratar de medidas impopulares.
O silêncio nesse caso parece mais estratégia do que falta de posição. Evita desgaste agora e deixa margem para agir depois.
O episódio reacende o debate sobre soberania. No fim o que está em jogo é a capacidade do Brasil de decidir seus próprios caminhos sem tutela e sem subserviência.
