Luta e ancestralidade na experiência de um FSM no Benin
A delegação latino-americana vivenciou a um só tempo a resistência e os laços históricos com o país africano e as lições pré-coloniais da relação mística do povo do vodum com a natureza. (Imagens: Coletivo Baiano e Brasileiro no FSM 2026 em Cotonou/Benin)
POR RITA FREIRE, da Ciranda e do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial.
A realização do evento Fórum Social Mundial já enfrentou percalços antes, inclusive cancelamento parcial de salas programadas em Dakar, Senegal, em 2011, quando um novo reitor tomou posse da Universidade do Senegal. Foi uma situação contornada com a determinação e a criatividade das organizações afetadas, improvisando tendas, buscando salas de aula ociosas e reprogramando tudo com cartazes e setas rabiscadas pelo campus indicando novas locações. Mas nunca se viu o que aconteceu em Cotonou, no Benin, na edição de 2026. Após a circulação de mensagens confusas de que o evento estaria sendo questionado por aspectos igualmente confusos e estranhos à sua organização local, a notícia chegou, como uma bomba, de que o FSM 2026 estava cancelado – ou melhor, proibido pelo governo -, e isso no dia em que deveria começar: 4 de agosto.
Um detalhe importante nessa crise é que a edição do fórum de 2026 começou a ser preparada no período final de um governo e culminou com o evento acontecendo no governo seguinte. Sendo o novo presidente um ex-ministro apoiado pelo anterior, previa-se uma sucessão sob a mesma linha política, mas mudanças ocorreram desde a posse neste ano: uma delas foi a proibição de marchas e protestos nos espaços públicos da cidade. Se já é inconcebível um FSM sem marcha, a edição do Benin elevava essa condição a um novo patamar. O FSM de Cotonou foi construído essencialmente como um grande encontro de marchas, chegando desde a África Central, com ativistas de países como Camarões, Guiné Equatorial, República Centro-Africana e República Democrática do Congo, passando por países do Oeste Africano como Nigéria, Senegal, Mali, Burkina Faso,Burkina Faso, Guiné Bissau, Costa do Marfim, Gana e Togo, trazendo as lutas da água, da terra, do clima e da justiça social da África para juntarem-se a outras lutas organizadas internacionalmente.
A tensão chegou ao auge quando as caravanas que haviam atravessado sem problemas a fronteira do Benin, lideradas pela CGLTE (Coordenação Global de Lutas pela Terra e Água), principal organizadora do FSM, foram barradas 100 km depois e obrigadas a retornar para fora do país.
Tensão e resistência
O clima que se estabelece quando o espaço democrático é fechado mexe com fantasmas de qualquer ser humano que já tenha passado pela repressão das ditaduras, especialmente com a percepção de risco pelos movimentos de luta por direitos e liberdades, como são os que se reúnem no FSM. Até encontros em hotéis de Cotonou ocorriam em ambiente impregnado de sentido alerta contra vigilâncias. Mas esses fantasmas também mexem com o sangue quente das resistências, que se puseram em movimento.
Enquanto pessoas eram barradas e deportadas no aeroporto, aumentando a indignação geral, e a universidade sede do FSM mantinha as salas fechadas à chave, com polícia rondando o campus, organizações da América Latina se autoconvocaram e reuniram – Brasil, Colômbia, México, Chile, Nicarágua, Haiti – para afirmar que o Fórum não pertence a governos e, politicamente, não poderia se resignar ao silenciamento das lutas sociais, que vai se normalizando no mundo. O próprio Conselho Internacional precisaria rever seu papel para apoiar um processo extremamente necessário no enfrentamento ao avanço da extrema-direita por toda parte. E que parecia mostrar os dentes no Benin.

Outras atividades e convergências ocorreram entre os dias 4 e 5, em espaços alternativos, mantendo de alguma forma o FSM de pé, enquanto organizações africanas percorriam ministérios e gabinetes pressionando para reverter a proibição. Ao final de 5 de agosto, após uma reunião do Conselho de Ministros do Benin, chegou a notícia já quase improvável: proibições foram suspensas, sem muita explicação, caravanas se puseram novamente a caminho, atravessando fronteiras. A universidade foi liberada oficialmente e o FSM 2026 foi finalmente bem-vindo em Cotonou. Com dois dias de atraso, a edição teve início no dia 6 de agosto com uma das aberturas mais impactantes desde seu início em 2001. Eram as caravanas que chegavam abraçadas por movimentos internacionais.

Nos dias seguintes, reprogramando tudo, o FSM saiu ocupando prédios, auditórios, salas de aula, gramados e formando rodas em terra batida. Restaurando uma outra tradição do FSM, trabalhadoras informais puderam, com alívio, vender suas comidas de rua preparadas para o evento, marcas da economia solidária, oferecendo lascas de manga desidratadas, corações de gergelim compactado, água de garrafa e de coco verde disputadas sob o calor intenso.
Presença reduzida e forte defesa do FSM O FSM no Benin teve menos apoio do que se esperava de países da diáspora africana, especialmente o Brasil, que tem sua história misturada profundamente à do país africano. De lá partiram pelo menos um quarto dos contingentes escravizados que formaram a população brasileira e para lá retornaram os expulsos ou alforriados formando uma comunidade de brasileiros que assim se intitulam do outro lado do Atlântico. Há pouco mais de um ano, o governo do Benin promulgou uma lei dando direito à cidadania a todos os que comprovem descendência de escravizados africanos na diáspora – vindos do Benin, Nigéria, Angola ou Senegal.

Os braços abertos do país e os planos de um grande encontro de brasileiros de cá e de lá não resultaram em apoio oficial a uma delegação expressiva, como ocorreu em fóruns realizados na década passada. Organizações baianas chegaram a realizar um encontro preparatório na Universidade Federal da Bahia, menos de um mês antes do FSM, e acabaram acompanhando a turbulência e a resiliência do FSM de longe. Um grupo reduzido conseguiu chegar a Cotonou – cerca de 7 pessoas apoiadas por um projeto da Unisol – rede de organizações de economia solidária com financiamento da Fundação Banco do Brasil, e mais outras três pessoas chegaram lá por suas organizações – a rede Sem Fronteiras, a organização ambientalista Arayara e a publicação Fórum 21, que cobriu o evento. Do Conselho Internacional do FSM participaram representantes das organizações brasileira Vida Brasil, Confederação Nacional de Entidades Negras do Brasil (Conen)e Ciranda Comunicação Compartilhada, além da própria Unisol.

Ativistas da Colômbia também preparavam uma ação de apoio à realização de uma próxima edição mundial do FSM no país, agora governado por um representante da direita radical. A delegação igualmente pequena juntou-se à do Brasil e representantes de países vizinhos para uma ação coordenada de apoio ao FSM em meio à turbulência dos primeiros dias em Cotonou.

Os quatro integrantes brasileiros do CI, três da Colômbia, México e Chile estabeleceram um diálogo imediato da América Latina com o colegiado enquanto a crise disputava e ameaçava o próprio destino do processo FSM.
As reflexões e os alertas presentes em sua Carta ao CI de 5 de agosto de 2026 contribuíram para as decisões tomadas na reunião final, em 11 de agosto, de formalizar o processo de discussão sobre o papel do FSM frente à conjuntura de fechamento das liberdades no mundo, rediscussão de seu secretariado internacional e, também, a volta de um FSM centralizado para a América Latina – onde a resistência da sociedade civil reivindica o FSM como espaço de enfrentamento ao fascismo no continente.

A programação do FSM que sobreviveu ao abalo inicial assegurou os grandes debates sobre defesa do planeta, a luta contra as guerras e a descolonização do Sul Global, incluindo a representação do movimento negro brasileiro na voz do coordenador da Conen, Gilberto Leal. Em atividade conjunta sobre o esforço de interconexão internacional entre as mobilizações contra o genocídio na Palestina e as guerras de Israel-EUA no Oriente Médio, foram lembradas iniciativas brasileiras como o Fórum Latino Palestino, o Monitor do Oriente Médio, o Coletivo Shireen Abu Akle de Jornalistas e a Frente Palestina SP. O Fórum também despediu-se do jornalista do Fórum Palestino Ahmad Jaradat, falecido há um mês, e que tinha artigos sobre Jerusalém e a ocupação israelense traduzidos ao português e divulgados no Brasil.

Atividades híbridas foram inviabilizadas pelo atraso geral que impediu equipar os espaços rearranjados para o FSM, inclusive um pequeno estande do Brasil. A participação a distância em debates foi prejudicada, incluindo convidados online a atividades críticas ao controle de dados exercido pelas big techs, e a discussão de alternativas seguras para os movimentos sociais. Um encontro conjunto sobre mídias livres chamado pela delegação colombiana concentrou os debates nas estratégias de comunicação política de base contra o fascismo, chamando um novo encontro para o mês seguinte para desdobramentos.

A Assembleia Social Mundial, que acabou ocorrendo ao ar livre com uma roda reduzida em relação ao que se esperava, foi uma das poucas que conseguiu improvisar um conexão com participantes do exterior, que aguardavam em uma sala de zoom, com intérpretes em 4 idiomas, e que amplificaram o evento para além do círculo presencial em terra batida. Manifestações de solidariedade a Cuba, Congo, Haiti, Saara Ocidental e Palestina marcaram a edição, e também protestos contra deportações que ocorreram nos dias de bloqueio ao FSM, quando alguns ativistas escandinavos, alemães, haitianos, russos e ugandenses foram barrados ao desembarcar no aeroporto e mandados de volta via Etiópia.to e mandados de volta via Etiópia.

Viagem à história de brasileiros retornados

A delegação brasileira, tendo à frente Gilberto Leal, fez duas imersões no Benin profundo, entre espaços históricos ou ancestrais que marcaram igualmente a experiência no FSM 2026. Um dia foi dedicado à visitação das casas dos brasileiros retornados, ou agudás – descendentes de escravizados e também do escravizador Francisco Félix de Souza -, deixando memórias que se confundem entre aqueles que descendem – dos cerca de 80 filhos de 53 mulheres registrados – ou apenas levam ou reverenciam o sobrenome deixado pelo maior comerciante de pessoas no tráfico negreiro entre Brasil e África nos séculos XVIII e XIV.
Não houve como amenizar, na visita, o conflito entre a visão que o Brasil tem do criminoso traficante e o reconhecimento que os brasileiros de Uidá têm do homem que, contraditoriamente, tornou-se um ponto de acolhida e proteção aos ex-escravos – muitos provavelmente traficados por ele – que retornavam, além de ter exercido outros papéis determinantes dos destinos do reino de Daomé.
O pátio de observação da grande casa de Francisco Félix de Souza, restaurada, e em torno da qual se formou a cidade de Uidá, proporcionou uma experiência estranha para visitantes do Brasil, não só por parecer uma homenagem ao comerciante de gente, mas também pela instalação de estátuas ainda semiembaladas de escravizados em situação de sofrimento, aprisionados por senhores, sendo submetidos a ferro e a tortura das amarras.
Além dos “de Souza”, que dividem na vila ao redor uma propriedade de várias casas divididas entre linhagens secundárias da família original, a delegação visitou ou avistou os conjuntos de casas respectivos dos descendentes Almeida, Oliveira, e Costa – sobrenomes herdados pelos retornados -, encontrando sempre “brasileiros” mantendo a tradição das descendências e suas festas e celebrações.
A memória do não retorno e as guerreiras de Daomé

O governo do Benin vem preservando e convertendo espaços ligados à história da escravidão em pontos de visitação. Entre eles estão as duas árvores simbólicas da partida de africanos traficados, tocadas por essas pessoas antes do embarque forçado: a árvore da promessa da volta do espírito do escravizado para sua terra e a árvore do esquecimento para suportar a viagem sem volta em vida. Um portão simbólico do não retorno foi instalado na areia da grande praia de Cotonou.
Mais inspiradora no circuito dedicado à história é a estátua da Amazona, uma figura de 30 metros de altura que representa uma guerreira do único exército africano constituído apenas de mulheres, as Agojie, o mais temido da região. Elas asseguravam proteção ao reino de Daomé. Homenageando a força feminina que assegurou a defesa do reino, a instalação da imagem como símbolo beninense também suscita nos visitantes a necessidade de mergulhar na história para entender como a escravidão era parte das relações entre os povos da região. Os inimigos vencidos pelas amazonas tornavam-se propriedade do rei e muitos foram vendidos a Francisco Félix de Souza em troca de mercadorias como álcool e tabaco – vindo provavelmente parar no Brasil. Derrotadas pela França, que exigia controle do porto e privilégios comerciais, o fim das Agojie – que enfrentaram com facões e luta corporal a invencibilidade das metralhadoras francesas – foi também o fim do reino de Daomé e o início da colônia chamada Benin.
A divindade da natureza como religião
Benin, hoje governado por um sistema republicano, se mantém como um centro irradiador da cultura vodum – o equivalente ao candomblé do Brasil e ao vodu do Caribe, conservando também as fortes vertentes yoruba dos ketos do Benin e da Nigéria. Na área de reserva natural cultuada como Floresta Sagrada, estão esculturas dos orixás feitas de peças recicladas e sobras de metal, em meio às árvores que guardam algumas áreas reservadas apenas às lideranças espirituais. São os mesmos orixás, com outras representações estéticas, reverenciados em diferentes terreiros de Salvador.
Diferentemente do que existe no Brasil e América Latina é o Templo Pithon, onde dormem cobras típicas da região, consideradas sagradas. No espaço, visitantes podem ser fotografados com cobras vivas no pescoço – experiência vivida pela delegação do Brasil – e depois buscar purificação em algumas edificações com entrada de meia altura em relação ao tamanho humano, onde visitantes se curvam para entrar em posição de humildade.
Um dos guias do templo explicou que o vodum é pura ecologia, sem entidades e poderes cultuados que não sejam os da própria natureza e da relação dos seres humanos com essas forças – “se fazemos mal a pessoas, ferimos, obstruímos o caminho ou prejudicamos o fluxo da natureza, ela responde contra nós. Se a respeitamos, ela nos protege. Tudo está ligado” explicou o monitor.
Chefes tradicionais conectam o Benin profundo ao FSM
O vodum tem outras moradias no Benin e uma das mais fascinantes é a cidade sobre palafitas chamada Ganvié, localizada no Lago Nokoué e por onde se chega de barco. Na mesma bacia hidrográfica está o reino tradicional de Wémé-Tosso. O FSM de Cotonu conectou esses e outros povos tradicionais diretamente ao evento da sociedade civil através do envolvimento dos chefes – os reis – da região na construção da edição ao longo dos últimos dois anos. Encontros preparatórios eram sempre acolhidos por suas presenças e palavras, permitindo que o FSM e a cultura local se integrassem.

Líderes de antigos reinos que antecederam a colonização europeia em Daomé (hoje Benin e Nigéria) mantiveram sucessores e a liderança moral, ética, espiritual entre os povos que seus ancestrais governaram. Não têm mais poder político institucional, mas são guardiões da cultura e autoridades tradicionais ativas e reverenciadas. Entre os reis que trouxeram a Benin pré-colonial para o FSM 2026, estava o rei de Wemé-Tosso, Tossoholou Zoundjè Wandji Ganmasizo Toli Yélian, chefe supremo e grande feiticeiro dos Tossos Ayatô – Ganmenou.upremo e grande feiticeiro dos Tossos Ayatô – Ganmenou.

Seu reino fica às marges do Rio Wémé, que deságua diretamente no Lago Nokoué, onde a cidade flutuante de Ganvié foi construída. Em julho de 2022, ele se juntou oficialmente ao Alto Conselho de Reis do Benim (HCRB), uma organização que reúne as autoridades tradicionais do país para discutir assuntos do povo e da cultura.
O rei de Ganvié, do povo Tofinu, Missikpo Yoka III Azinkpodoté, também participa do Conselho. Ambos defendem os interesses das comunidades do rio e lago junto ao governo, além de asseguraram suas tradições e comercio recíproco de peixes do lago e alimentos da terra. Foi a convite pessoal do rei Tossoholou Zoundjè que um grupo de cinco visitantes do Brasil, duas do México e uma do Nepal atravessaram de barco, na companhia também da rainha dos Tossos, Tata Simenvo, o Lago Nokoué, conhecendo uma das mais impressionantes experiências de sustentabilidade no ciclo de produção dos peixes, a técnica ancestral chamadaacadja, base da economia local.

As práticas foram adotadas pelos tofiné quando ergueram casas sobre estacas nas águas do lago para fugir do exército de Daomé, que poderia escravizá-los. Conta a história que havia entre as forças de Daomé um temor espiritual das águas, e por isso viver nelas significou a sobrevivência dos tofinés. Tanto que o nome Ganvié significa: salvamos (gan) a comunidade (vié).
Para manter peixes em abundância para consumo e venda no mercado de Cotonou, a acadja consiste em fincar estacas de bambu no fundo do lago raso, formando piquetes, dentro dos quais são lançados galhos e folhas menos resistentes que se decompõem, atraem e alimentam os peixes – principalmente tilápias. Esses conjuntos de bambus são vistos aqui e ali pelo lago. Os bambus também protegem os peixes contra predadores. A cada ciclo, os peixes são retirados e vendidos no mercado de Cotonou, além de servirem ao consumo local. Os piquetes são renovados ou mudados de lugar para descanso do lago. Sem qualquer ração ou produto externo à natureza, são os peixes mais saudáveis e apreciados na região.
Ao explicar o funcionamento da piscicultura natural no lago, o rei dos tossos prometeu organizar informações e conhecimentos sobre a técnica e entregar ao FSM através do grupo visitante. “É conhecimento em suas mãos para levar adiante”, disse. De sua oferta surgiu o convite mexicano para o rei integrar-se a uma rede de pesquisa criada na América Latina com foco em agroecologia e outros estudos pós-capitalistas. Entusiasta do intercâmbio entre os continentes, o rei prometeu integrar também outros chefes tradicionais à rede, como guardiões de muitos saberes antigos.
Ganvié tem toda a estrutura de serviços básicos de uma cidade – da maternidade a escolas e também hospedaria e o restaurante de madeira onde o grupo almoçou e conversou com o casal real. Embora chamado de grande feiticeiro, o rei dos tossos reafirmou o caráter ecológico do vodum, no qual as entidades são os espíritos da natureza e não sobrenaturais.
No entanto, afirmou que algumas substâncias naturais dão aos feiticeiros a capacidade de enxergar longe, e de ver o Brasil, por exemplo, sobre o qual fez previsões para este ano: Lula já é o vitorioso, assegurou. A rainha apreciadora das cabeças de peixe, por fazer bem à inteligência, comeu sua tilápia com as mãos, conforme os hábitos locais, e aceitou de bom grado a outra cabeça do prato do rei. Alegre, vivaz e com boas gargalhadas ao falar dos filhos, ela exibiu orgulho de sua família. O rei, por sua vez, exaltou a força e beleza da mãe de cinco, sem a qual, assegurou, não conseguiria reinar. Cabe aos chefes tradicionais manter o senso de justiça na comunidade. E nem por isso a passagem das “majestés” causava reações de reverência ao trafegar pelo lago ou entrar no restaurante. São apenas parte de uma vida em comunidade integrada ao seu dia a dia.

Não foi possível para a delegação visitar a casa real, porque uma reunião do Conselho Internacional em Cotonou começaria no final da tarde de domingo e era preciso chegar a tempo. O chefe tradicional teve lugar de honra na mesa da reunião que decidiu pela entrega da responsabilidade pelo próximo fórum à representação latino-americana, majoritariamente composta de mulheres, no Conselho. “Estaremos lá”, prometeu o casal, na hipótese de um FSM em Salvador, Bahia.

No caminho até o local do encontro, ainda navegando pelo lago, foi possível apreciar um novo espetáculo da vida do povo da água: era dia de feira na cidade aquática e pequenos barcos conduzidos principalmente por remadoras trafegavam entre o mercado flutuante e as casas, as edificações e os becos aquáticos avistados durante a volta de Ganvié. Outros barquinhos seguiam igualmente para o porto onde se aglomeravam, levando e trazendo pessoas e produtos para comércio. As mulheres são a força de Ganvié e movimentam sua economia – explicou o casal real. Nas idas e vindas cruzando a passagem do barco do grupo visitante, as canoas a remo exibiam pequenas cargas de farinha, bananas, latas e sacas de alimentos para mais uma semana da vida em comunidade dos povos do reino de Ganvié.
Participaram da delegação brasileira ao FSM do Benin:
– Unilsol Bahia Anne Sena, Aline Sena, Anderson Cardoso, Danilo Sodré – Bahia
– Vida Brasil Damien Hazard, Islândia Costa – Bahia
– Conen – Coordenação de Entidades Negras/Brasil Gilberto Leal – Bahia
– Centro Palmares de Estudos e Assessoria por Direitos, Danilo Moura – Bahia
– Soweto Organização Negra Alva Helena de Almeida, Vanderli Salatiel – SP
– Ciranda, Rita Freire – SP
– Arayara, Fernando Caixeta – DF
– Rede sem Fronteiras, Paulo Iles
– IPS/Fórum 21, Tatiana Carlotti – SP
Participaram da delegação colombiana
Ximena Lucelly Sanchez Cortes, Obusinga, organización que lucha por la organización campesina y la protección de los ecosistemas
Jaime López, Fundación Palco – La esquina de la radio, organización de comunicaciones alternativas y popular con redes de radio y acción comunicativa comunitaria.
María Leonor, cordenadora nacional agraria CNA Colombia, movimiento campesino
Aura Rodríguez, Viva la ciudadanía, entidad de investigación, acción, derechos humanos y educación.
Víctor Correa Lugo, especialista en Medio Oriente, escritor y consejero político
Mario Gil de Ceaal – Red latinoamericana y caribeña de educación popular
Delegação do México
Rozy Zûniga, do Ceaal – Red latinoamericana y caribeña de educación popular
Delta Argelia Torres Rivera – Red de Estudios del Postcapitalismo.
Visitaram Uida:
Brasil: Anne Sena, Aline Sena, Anderson Cardoso, Danilo Sodré, Damien Hazard, Islândia Costa, Gilberto Leal, Rita Freire, Fernando Caixeta, Paulo Iles, Tatiana Carlotti
Canadá: Michel Lambert
Visitaram Ganvié
Brasil: Damien Hazard, Islândia Costa, Gilberto Leal, Rita Freire
México: Rozy Zûniga e Delta Argelia Torres Rivera
Nepal: Tikaswari Rai
Carta do encontro preparatório de Salvador
Carta da delegação latino-americana ao CI
Uma cobertura dos principais momentos e atividades de Cotonou foi feita pela jornalista TATIANA CARLOTTI, do Fórum 21, e podem ser conferidas nos links a seguir.
FSM debate convergência de lutas para deter fascismo e enfrentar crise estrutural do capitalismo
Anne Sena: ‘FSM precisa ser um processo permanente de mobilização social’
FSM no Benin ecoa vozes combativas da África: ‘iremos juntos até o fim’
África bate o pé e abertura emocionante reafirma força do FSM
Movimentos pressionam e derrubam restrições ao FSM no Benin
FSM sofre golpe de última hora: caravanas africanas, marcha e atividades são barradas no Benin
Próximas atividades
Plenária dos Coletivos Baiano e Brasileiro do FSM
Quarta-feira, 26 de agosto · 11:00 – 12:30
Fuso horário: Brasil
Como participar do Google Meet
Link da videochamada: https://meet.google.com/kgx-uvns-kjc
Ou disque: (FR) +33 1 73 08 31 91 PIN: 709 775 344 0497#
Outros números de telefone: https://tel.meet/kgx-uvns-kjc?pin=7097753440497
Encontro das Mídias Livres da América Latina – Setembro de 2026 – Data a confirmar
Reunião da Assembleia Social Mundial – Data a confirmar
Reunião do Conselho Internacional do FSM – Data a confirmar
