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Atletas temem esgotamento pelo calor nos Jogos Olímpicos de Paris

Atletas temem esgotamento pelo calor nos Jogos Olímpicos de Paris

Atletas e organismos desportivos alertam para os riscos associados ao calor durante os próximos Jogos Olímpicos, que acontecem entre 26 de julho e 31 de agosto deste ano, em Paris. Na foto, o Campeonato Mundial de Marcha a Pé de 2018 em Taicang, China. (Imagem: Yifan Ding/World Athletics).

CORRESPONDENTE IPS

LONDRES – Medalhistas olímpicos alertaram para os riscos que o calor induzido pelas alterações climáticas representa para o desempenho e até para a vida dos atletas nos Jogos Olímpicos de Paris, que começam em 26 de julho.

O britânico Sebastian Coe, quatro vezes medalhista nos Jogos Olímpicos e presidente da Associação Mundial de Atletismo, alertou para as “consequências potencialmente vastas e de grande alcance” para os concorrentes.

Coe afirmou que pode haver “tudo, desde pequenos problemas que afetam o desempenho, como perturbações do sono e alterações de última hora nos horários das provas, até o agravamento dos efeitos na saúde relacionados com o calor, o stress e as lesões”.

“Com o aumento contínuo das temperaturas globais, as alterações climáticas devem ser cada vez mais encaradas como uma ameaça existencial para o esporte”, acrescentou.

Katie Rood, atacante da equipe nacional de futebol da Nova Zelândia, disse que “é uma perspectiva assustadora quando vemos a direção que as coisas estão tomando e a rapidez com que o clima está deteriorando-se a nossa volta”.

“Não está no DNA de um atleta parar e, se as condições forem demasiado perigosas, penso que exista um risco de morte”, afirmou Jamie Farndale, jogador de rúgbi da Grã-Bretanha.

As declarações acompanham o documento “Rings of Fire“, divulgado pelas organizações Frontrunners e British Association for Sustainable Sport, sobre a questão do calor durante a 33ª Olimpíada, que se realiza na capital francesa até 11 de agosto.

O texto recorda que os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (realizados em julho e agosto de 2021 devido à pandemia de Covid-19) ficaram conhecidos como “os mais quentes da história”, com temperaturas superiores a 34 °C e umidade próxima dos 70%.

Os Jogos de Paris “têm o potencial de ultrapassar” o calor registado em Tóquio, “uma vez que as alterações climáticas impulsionadas pela queima de combustíveis fósseis contribuíram para os períodos de calor recorde nos últimos meses”, afirma o texto.

O documento aponta que 2023 “foi o ano mais quente já registrado e que 2024 continua esta tendência”.

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O relatório evoca “a onda de calor mortal que atingiu a França em 2003”, quando morreram mais de 14.000 pessoas, segundo o documento, e os anos subsequentes de temperaturas recorde, que ultrapassaram os 42 °C.

Cinco recomendações são apresentadas para as autoridades esportivas. Em primeiro lugar, uma “programação inteligente” para evitar os picos de calor.

Em seguida, manter os atletas e o público em segurança, com as melhoras estratégias de reidratação e arrefecimento do calor, estimular os atletas a falarem sobre as mudanças climáticas e aumentar a colaboração entre os organismos esportivos e as estrelas olímpicas em campanhas de sensibilização sobre as alterações climáticas.

Além disso, “reavaliar o patrocínio dos combustíveis fósseis no esporte”.

O presidente do Athletics Kenya, Jackson Tuwei, afirmou que “as conclusões do relatório são sérias, mas não são uma surpresa para nós, enquanto um país, neste ano, tão vividamente lembrado dos efeitos devastadores das alterações climáticas, mais recentemente pelas inundações que ceifaram tantas vidas em abril e maio”.

Yusuke Suzuki, corredor japonês e campeão mundial de 2019, disse que as consequências duradouras das enfermidades causadas pelo calor prejudicaram seus sonhos olímpicos em Tóquio e tiveram um profundo impacto pessoal e profissional, inclusive na sua saúde física e mental.

A triatleta indiana mais bem classificada da história, Pragnya Mohan, descreveu o calor como uma exposição “a perigos aterradores, que podem ser mortais”, uma vez que “sentimos o nosso corpo se desligando”. Ela contou que não pode mais treinar no seu país de origem devido ao calor.

Outros atletas incluídos no relatório foram o americano Sam Mattis, lançador de disco; as campeãs olímpicas britânicas de vela e remo Hannah Mills e Imogen Grant; a neozelandesa Eliza McCartney, saltadora com vara; e os australianos Rhydian Cowley, corredor, e Kesley-Lee Barberl, lançador de dardo.

Também a remadora canadense Jenny Casson, a velocista suíça Ajla Del Ponte, a saltadora italiana Elena Vallortigara e os futebolistas Morten Thorsby da Noruega e Katie Rood da Nova Zelândia.

Clique aqui e leia a íntegra (em inglês) do relatório divulgado pelas organizações Frontrunners e British Association for Sustainable Sport.

Artigo originalmente publicano na Inter Press Service.

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