Energia renovável já é muito mais barata que a fóssil

Por Correspondente do IPS
ABU DABI – No ano passado, a energia solar fotovoltaica foi, em média, 41% mais barata que as alternativas fósseis mais baratas, enquanto os projetos eólicos em terra ficaram 53% mais econômicos. Os dados foram revelados em estudo da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena) divulgado nesta terça-feira, 22.
Na prática, 91% dos novos projetos de energias renováveis colocados em funcionamento no ano passado foram mais rentáveis que qualquer alternativa fóssil nova.
Com a adição de 582 gigawatts (um gigawatt equivale a um milhão de quilowatts) de capacidade renovável em 2024, houve uma economia importante ao evitar o uso de combustíveis fósseis no valor de US$ 57 bilhões.
“A competitividade de custos das renováveis é hoje uma realidade”, afirma Francesco La Camera, diretor-geral da Irena. “Considerando todas as energias renováveis em funcionamento (a capacidade mundial instalada é de 4.448 GW), os custos evitados de combustíveis fósseis em 2024 chegaram a US$ 467 bilhões”, destaca.
A Irena destaca que a energia eólica em terra continua sendo a fonte de eletricidade renovável mais barata, com US$ 0,034 por quilowatt-hora (kWh), seguida da energia solar fotovoltaica, com US$ 0,043 por kWh.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, celebrou a divulgação do relatório e pediu nesta terça-feira para “acelerar a transição global para as energias renováveis”. Segundo ele, “o futuro da energia limpa deixou de ser uma promessa e já é realidade”.
Guterres reconhece que os grupos ligados aos combustíveis fósseis ainda tentam frear a transformação, mas se mostra confiante: “Estou mais certo que nunca de que vão fracassar, porque já passamos do ponto sem volta. Nem os governos, nem as indústrias, nem os interesses privados conseguem impedir isso”.
O secretário-geral aponta três razões fundamentais pelas quais considera a transformação energética irreversível: sua solidez econômica, seu papel na segurança energética e sua capacidade de oferecer acesso universal.
O relatório da Irena, “Custos de geração de energias renováveis em 2024”, confirma que as renováveis não apenas são competitivas em custos diante dos fósseis, como também reduzem a dependência dos mercados internacionais de combustíveis e melhoram a segurança energética.
“Os argumentos comerciais a favor das energias renováveis são hoje mais fortes que nunca”, afirma o documento.
Porém, o estudo também aponta que, embora sejam previstas novas reduções de custos à medida que as tecnologias amadureçam e as cadeias de suprimento se fortaleçam, ainda existem desafios a curto prazo.
As mudanças geopolíticas, como tarifas, gargalos em matérias-primas e dinâmicas de fabricação em evolução, especialmente na China, representam riscos que podem provocar um aumento temporário dos custos.
A expectativa é que o aumento dos custos continue na Europa e América do Norte, devido a problemas estruturais como atrasos na liberação de licenças, capacidade limitada das redes e aumento dos gastos para equilibrar o sistema.
Por outro lado, regiões como Ásia, África e América do Sul, “que têm taxas de aprendizado mais altas e grande potencial para as energias renováveis”, podem ter quedas mais acentuadas de custos.
O relatório também examina os fatores de custos estruturais e as condições de mercado que determinam o investimento em energias renováveis. Conclui que estruturas de receita estáveis e previsíveis são essenciais para reduzir o risco de investimento e atrair capital.
Principalmente, os custos de integração se mostram como uma nova limitação para a expansão das renováveis. Cada vez mais os projetos eólicos e solares são atrasados devido aos gargalos na conexão à rede, lentidão nas licenças e alto custo das cadeias de suprimento locais.
Do lado mais positivo, os avanços tecnológicos além da geração também estão melhorando a economia das energias renováveis. O custo dos sistemas de armazenamento de energia em baterias caiu 93% desde 2010, chegando a US$ 192 por kWh para sistemas em escala de rede em 2024.
Essa redução aconteceu devido à intensificação da fabricação, melhoria dos materiais e otimização das técnicas de produção.
O armazenamento em baterias, os sistemas híbridos que combinam energia solar, eólica e BESS (sistemas de armazenamento de energia em bateria), e as tecnologias digitais são cada vez mais essenciais para integrar as energias renováveis variáveis.
As ferramentas digitais baseadas em inteligência artificial melhoram o desempenho dos equipamentos e a capacidade de resposta da rede, informa o relatório. No entanto, a infraestrutura digital, a flexibilidade, a ampliação da rede e a modernização continuam sendo desafios urgentes.
*Imagem em destaque: Trabalhadores instalam painéis em um parque solar no México. As energias renováveis, com solar e eólica na ponta, já são mais baratas que as geradas com o uso de combustíveis fósseis, como demonstrado por nove de cada dez novos projetos de renováveis colocados em funcionamento no mundo no ano passado. Imagem: Nicolas Fojtu / Greenpeace
*Publicado originalmente em IPS – Inter Press Service

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