Reunião preparatória da COP30 em Brasília atrai 67 países para alinhar agenda climática global

Reunião preparatória da COP30 em Brasília atrai 67 países para alinhar agenda climática global

Roteiro vai traçar estratégia em busca de US$ 1,3 trilhão em financiamento climático a países em desenvolvimento

Um total de 67 delegações dos cinco continentes participou de reunião ministerial preparatória para a COP30 nesta segunda-feira, em Brasília, coordenada pelo presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que reforçou a necessidade de a comunidade internacional agir com responsabilidade para a transição energética e ambiental.

Alckmin destacou os três objetivos centrais propostos pela presidência brasileira da COP30: reforçar o multilateralismo e o regime de mudança do clima no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC); conectar o regime climático à vida real das pessoas; e acelerar a implementação do Acordo de Paris por meio de estímulo a ações e ajustes estruturais.

“Acredito que esse esforço coletivo de cooperação entre os povos deve ser canalizado aqui nas negociações da COP e concentrado nas contribuições nacionalmente determinadas dos países ao Acordo de Paris – as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs)”, ressaltou, segundo o Planalto.

Alckmin lembrou o compromisso brasileiro, apresentado na COP29, em Baku, no Azerbaijão, de reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa no Brasil de 59% a 67% até 2035, em comparação aos níveis de 2005. “Trata-se de um plano ousado, mas realista, de corte de emissões, que prevê o crescimento econômico aliado à transição energética e à proteção das florestas, refletindo o compromisso com o desenvolvimento sustentável”, afirmou.

A matriz energética brasileira, com mais de 80% provinda de fontes renováveis, e a descarbonização resultante do combate ao desmatamento, que teve uma queda de 50% na Amazônia nos últimos dois anos e meio, são exemplos do comprometimento do Brasil com uma transição energética e ambiental mais justa e inclusiva, segundo detalhou o Planalto. Foram citados o Programa Mover, Mobilidade Verde, de produção de veículos sustentáveis, e a Lei do Combustível do Futuro, com metas obrigatórias de descarbonização para a aviação.

Durante a abertura oficial da Pré-COP, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, explicou o Círculo do Balanço Ético Global (BEG), um dos quatro Círculos de mobilização da presidência da COP30. O BEG, inspirado no Balanço Global do Acordo de Paris, nasceu da convicção de que a ética não pode ser vista como um recurso retórico no debate climático.

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“A ética é, sobretudo, um de seus principais fundamentos. A ética é o que dá sentido à ação. É o que nos lembra que enfrentar a emergência climática é também enfrentar uma crise moral e civilizatória. O BEG propõe um espaço de escuta da sociedade global sobre a articulação entre decisões políticas e a urgência de implementá-las, sob uma perspectiva ética”, argumentou.

RECURSOS FINANCEIROS DE US$ 1,3 TRILHÃO

A proposta “Roadmap de Baku a Belém” prevê alcançar US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático de fontes públicas e privadas até 2035 para apoiar ações de mitigação, adaptação e transição justa nos países em desenvolvimento. O plano conecta discussões da COP29, realizada no Azerbaijão em 2024, à conferência que está prestes a acontecer em Belém. O financiamento internacional é tido como o principal desafio da COP30.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou na reunião desta segunda-feira as cinco prioridades do Brasil para ampliar o financiamento climático: aumentar o financiamento concessional e os fundos climáticos; reformar os bancos multilaterais de desenvolvimento; fortalecer as capacidades domésticas e as plataformas de país, ampliando a atratividade de capital sustentável; promover inovação financeira e mobilizar o setor privado; e aprimorar os marcos regulatórios do financiamento climático.

O relatório final do Círculo de Ministros de Finanças da COP30 será apresentado esta semana em Washington, durante os encontros anuais do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI). Tanto o texto, como a Agenda de Ação da COP serão debatidos em São Paulo, no começo de novembro, e formalmente apresentados na COP, em Belém (PA).

Na imagem, o presidente em exercício Geraldo Alckmin com o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na reunião da COP30 / Cadu Gomes/ VPR

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