A divisão foi o maior erro do MAS na Bolívia, reconhece o presidente Arce

LA PAZ – Em seu último dia como presidente da Bolívia, juntamente com o vice-presidente David Choquehuanca e seu gabinete, o presidente Luis Arce declarou que o maior erro do Movimento para o Socialismo foi a divisão.
“Do ponto de vista político, estou convencido de que não houve erro maior por parte de todos os atores do que a divisão do instrumento político, a divisão do MAS – Instrumento Político para a Soberania dos Povos (IPSP), a divisão do espaço que nos deu força durante anos (…)”, disse ele.
Durante seu discurso na Casa Grande del Pueblo (sede do Poder Executivo), o chefe de Estado cessante afirmou que a implosão do MAS-IPSP ocorreu “apesar dos meus esforços para consolidar a unidade em repetidas reuniões em nosso país e no exterior”.
Nas eleições gerais de 17 de agosto, o MAS-IPSP ficou a apenas dois décimos de perder sua legalidade (obteve 3,16% dos votos e apenas dois deputados nacionais), após chegar ao poder em 2020 com 55,11% de apoio popular.
“Cada um dos atores, das várias facções, a começar pelos líderes e autoridades”, admitiu Arce, “deveríamos ter feito um esforço maior para preservar a unidade, para evitar que o processo de mudança se fragmentasse, para aprender a respeitar-nos uns aos outros, a discordar e a avançar com as nossas diferenças (…)”.
Ele enfatizou que essa divergência de opiniões nunca teve natureza ideológica; no entanto, insistiu que o principal culpado pelo ocorrido com o MAS-IPSP foi o ex-presidente Evo Morales.
Arce considerou que raramente na história do país se viu o declínio de um processo social tão profundo como o do MAS, tudo por causa de disputas internas “que rapidamente se tornaram públicas, que se intensificaram até perderem toda a orientação ideológica, ao ponto de alguns preferirem fazer um pacto com a direita em vez de ouvir, dialogar e concordar com seus antigos camaradas de luta (…)”.
Arce concluiu que o resultado das eleições de agosto passado “é um fardo pesado que só a unidade do movimento popular pode aliviar”.
Este discurso ocorreu menos de 24 horas depois de, em uma coletiva de imprensa surpresa, o atual líder do MAS-IPSP, Grover García, ter anunciado a expulsão de Arce desse instrumento político, com uma acusação perante a justiça comum por suposta apropriação indevida de contribuições pagas por funcionários públicos.
García assumiu a presidência do partido MAS, substituindo o ex-presidente Evo Morales, com o apoio de forças alinhadas a Arce, após uma resolução do Tribunal Constitucional Plurinacional (TCP) autoproclamado, que instruiu o Tribunal Supremo Eleitoral a habilitar a liderança por ele encabeçada.
O TCP autoprorrogado, que teve início em janeiro de 2024, contou com o apoio da facção alinhada a Arce na Assembleia Legislativa Plurinacional.
