Trump e a Venezuela: Guerra ou Blefe?

Trump e a Venezuela: Guerra ou Blefe?

A questão de fundo é se os militares venezuelanos vão fazer acordos com empresas norte-americanas para exploração de petróleo. Trump vai esticar a corda ao máximo para conseguir seu resultado sem guerra.

POR LISZT VIEIRA

Os EUA colocaram uma poderosa máquina de guerra no mar do Caribe em frente à Venezuela: o maior porta-aviões do mundo, navios anfíbios, submarino nuclear, destróieres e mísseis teleguiados, lanchas de ataques rápidos, aviões tipo bombardeiros, helicópteros de reconhecimento etc., mobilizando cerca de 15 mil militares. Tudo isso sob pretexto de combater o narcotráfico. Trump acabou de indultar o presidente de Honduras condenado por tráfico de drogas. Ninguém acredita no que ele diz.

Drogas são exportadas a partir da Colômbia e México. A Venezuela não exporta drogas, exporta petróleo, o objeto do desejo de Trump. A Venezuela tem a maior reserva de petróleo inexplorado do mundo. Toda a ameaça militar de Trump tem como objetivo formal derrubar o presidente Maduro. Na verdade, seu objetivo real é a apropriação do petróleo venezuelano pelas empresas dos EUA.

Os EUA e a mídia em geral concentram a crítica de autoritarismo anti democrático à figura individual de Maduro, visto como ditador. Mas o presidente Maduro é a fachada civil de um regime militar. Os militares venezuelanos não quiseram entregar o petróleo para empresas norte-americanas. E quem manda na Venezuela são os militares.

A ditadura mais sanguinária do mundo é a Arábia Saudita, aliada dos EUA e quase nunca criticada pela mídia ocidental. Se a Venezuela entregar seu petróleo para os EUA, vai virar democracia em poucos minutos.

Trump é imprevisível, tudo pode acontecer. Mas a hipótese de blefe não pode ser descartada. Afinal, Trump começou seu governo ameaçando anexar o Canadá e a Groenlândia, e invadir Fernando de Noronha e Natal. Teve de recuar diversas vezes em suas decisões de tarifaço, inclusive em relação ao Brasil. E tudo indica que a Suprema Corte vai decidir em janeiro que o tarifaço sem aprovação do Congresso é ilegal, e que é necessário indenizar as empresas prejudicadas, o que vai causar um caos financeiro no Governo.

Por outro lado, nada como uma guerra para desviar a atenção de problemas internos e crises domésticas. A queda de Maduro é vista como objetivo simbólico. A questão de fundo é se os militares venezuelanos vão fazer acordos com empresas norte-americanas para exploração de petróleo. Trump vai esticar a corda ao máximo para conseguir seu resultado sem guerra. Afinal, ele foi eleito vendendo seu slogan MAGA, que foi entendido como abandono de guerras para beneficiar os americanos e “Make America Great Again”. Além disso, a Venezuela vai reagir de alguma maneira se for atacada militarmente, causando provavelmente algumas baixas em militares americanos e destruição de algum equipamento militar, o que vai aumentar o desgaste interno de Trump.

Espero que alguém consiga prever o que vai acontecer. Eu prefiro me abrigar numa frase de Einstein: “Eu nunca penso no futuro. Ele não tarda a chegar”.

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