Diálogo AMSUR: a conjuntura política e as disputas pelo futuro do Brasil

O momento político e geopolítico por que passa o Brasil vem demonstrando uma importante mudança da conjuntura, dadas as injunções sobre elas que vêm ocorrendo. Inicia-se nesta semana o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e, simultaneamente, ocorrem articulações voltadas a conformar uma candidatura no campo da direita, alternativa a ele, mas carente de seu apoio, não podendo, assim, apresentar-se como alternativa ao mesmo. Bolsonaro é um ativo do qual não podem abrir mão, ao mesmo tempo em que é um passivo com um patamar de rejeição muito elevado. Além disso, estão ocorrendo movimentos capitaneados pelo Presidente Trump, de ataques ao governo brasileiro, com sinais explícitos de condenação política ao Brasil, mas, simultaneamente, escondendo outros objetivos menos confessáveis, como um ataque ao BRICS, buscando enfraquecê-lo como player internacional e polo alternativo à hegemonia unilateral americana. Nesse diapasão, tem visado uma certa retomada da “Doutrina Monroe” de subalternização dos países do Continente Americano, incluindo o Brasil, e atacando a presença comercial chinesa neste território. Como resultante, e como contrapartida a esses elementos anteriores, ocorre uma afirmação de Lula como candidato viável à reeleição, mas com uma tendência natural a que, se eleito, venha a ter uma governabilidade tão ou mais difícil do que a atual, com a afirmação de bancadas na Câmara e Senado conectadas à extrema-direita e ao fisiologismo centrista, inclusive pelo peso eleitoral que ganharam as emendas parlamentares e os processos eleitorais calcados nos jogos digitais. Assim, o quadro político que o Brasil atravessa coloca as eleições de 2026 e os desdobramentos dela na ordem do dia.
Para buscarmos melhor compreensão sobre esse quadro e seus potenciais desdobramentos, contamos com as contribuições de:
Bruno Wanderley Reis, professor titular do Departamento de Ciência Política e diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, foi secretário-adjunto da Associação Brasileira de Ciência Política e integrou o grupo de pesquisadores do projeto “Dinheiro e Política: a influência do poder econômico no Congresso Nacional”.
Vicente Trevas, Conselheiro da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, foi Secretário de Assuntos Federativos da Presidência da República; Secretário de Relações Internacionais e Federativas da Prefeitura de São Paulo; Secretário-Executivo da Rede Mercocidades e é Presidente do Instituto AMSUR.
Assista:
*Diálogos AMSUR, uma realização do Instituto Sulamericano para a Cooperação e a Gestão Estratégica de Políticas Públicas, em parceria com Fórum 21 e Rede Estação Democracia.
**Transmitido ao vivo em 01 de setembro de 2025, às 20h00.

Instituto Sulamericano para a Cooperação e a gestão estratégica de políticas públicas. Acompanhe as atividades em amsur.org
