Diálogo AMSUR: o que pretende, de fato, o “tarifaço” de Trump?

Diálogo AMSUR: o que pretende, de fato, o “tarifaço” de Trump?

O “Tarifaço” de Trump, no caso brasileiro (mas parece que não só aqui!) transpira ser um misto de várias coisas, não obrigatoriamente conexas, mas que se casam perfeitamente com o perfil e o caráter de seu autor. A defesa de Bolsonaro assemelha-se muito mais a uma cortina de fumaça para tornar nubladas outras intenções, cuja clareza e transparência são escondidas propositadamente pelos movimentos de Trump. Mas algumas pistas se vão explicitando: tanto nos EUA, como aqui, há fortíssimos indícios de operações suspeitas de especulação com o câmbio e ações de algumas companhias, visando lucros de curto prazo; as medidas anunciadas sobre o Brasil ocorrem simultaneamente à realização, aqui, da cúpula do BRICS e sua expressão de independência em relação aos EUA e sua moeda; essas medidas coincidem também com um momento em que se discutem instrumentos de regulação das big techs, que conformam um setor com interesses centrais no governo Trump, ao mesmo tempo em que detêm fortíssimo controle das bases digitais brasileiras; começam a se explicitar movimentos de setores empresariais americanos com interesse no acesso a minerais estratégicos, particularmente às chamadas “terras raras”; e devem existir outros elementos de chantagem. O fator Bolsonaro surge, apenas e tão somente, para dar espaço a uma narrativa que favorece a polarização política interna ao Brasil, provocando manifestações de apoio às medidas de Trump, mesmo que assumindo contornos de traição à soberania nacional. O anúncio das medidas tarifárias ocorre ao arrepio e na contramão de processos negociais já em curso sobre o comércio bilateral, denunciando um comportamento contrário a posturas mais tradicionais da diplomacia, mas que reafirmam a nação do Norte em uma postura imperial, na mesma linha em que aponta para o desmonte de mecanismos internacionais de governança.

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Para desenvolvermos essa análise, formando base para hipóteses mais consistentes sobre o comportamento do primeiro mandatário americano, contamos com as contribuições de Sebastião Carlos Velasco e Cruz, Professor Titular do Departamento de Ciência Política da Unicamp e do Programa San Tiago Dantas de Pós-Graduação em Relações Internacionais. Foi presidente do CEDE0C e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU).

Assista:

*Diálogos AMSUR, uma realização do Instituto Sulamericano para a Cooperação e a Gestão Estratégica de Políticas Públicas, em parceria com Fórum 21 e Rede Estação Democracia.

**Transmitido ao vivo em 28/07/2025, às 20h00.

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