A direita emerge vitoriosa nas eleições gerais do Peru

LIMA – A candidata direitista Keiko Fujimori venceu no primeiro turno da eleição presidencial no Peru em 12 de abril, seguida por um candidato ainda mais conservador, Rafael López Aliaga, enquanto os partidos de direita obtinham uma clara maioria no que será o novo parlamento peruano.
Com 54,32% das 92.766 atas eleitorais apuradas até o meio-dia desta segunda-feira (13), Fujimori, do partido Força Popular, liderava com 16,95% dos votos, seguida por López Aliaga, da Renovação Popular, com 14,44%.
Embora a filha e herdeira política do falecido ex-presidente autoritário Alberto Fujimori (1990-2000) apareça claramente como favorita para ir ao segundo turno, seu adversário para essa disputa de 7 de junho ainda não está definido, já que López Aliaga é seguido por dois candidatos mais inclinados ao centro e centro-esquerda.
Eles são Jorge Nieto, do Partido do Bom Governo (12,77%), e Ricardo Belmont, do Partido Cívico Obras (9,85%), cujas chances de alcançar o segundo lugar ainda se mantinham vivas, aguardando a apuração das mesas em regiões mais remotas.
Os baixos percentuais obtidos pelos principais candidatos se explicam pela fragmentação política vivida pelo Peru e pela desorganização de seus partidos: oito presidentes na última década e 35 candidatos na cédula presidencial de 2026, um recorde latino-americano.
Desde 2016, o Peru vive uma constante instabilidade na cúpula do poder político, com presidentes sendo rapidamente substituídos por seus vice-presidentes ou líderes do parlamento, em contraste com a estabilidade econômica mantida pelo respeitado Banco Central.
Um fato inédito que marcou a jornada foi que as eleições continuaram nesta segunda-feira, pois, por erros da autoridade eleitoral, mais de 50 mil eleitores em Lima e no exterior não conseguiram votar no dia anterior. Foram então disponibilizadas cerca de 200 mesas adicionais, permitindo que milhares de eleitores votassem após a divulgação de resultados extraoficiais.
Além do novo presidente, também foi eleito um novo Congresso, que, após 34 anos, voltará a ser bicameral, com um Senado de 60 membros, uma Câmara dos Deputados com 130 cadeiras, e ainda 15 representantes no Parlamento Andino.
Segundo projeções com base nos resultados até o meio-dia desta segunda-feira, a Força Popular terá 24 cadeiras no Senado, a Renovação Popular 12, o Partido do Bom Governo 10, Agora Nação sete e Obras quatro.
Na Câmara dos Deputados, a Força Popular terá 49 cadeiras, Obras 19, Renovação Popular e Agora Nação 18 cada um, e Bom Governo 13.
A candidata da Força Popular, de 50 anos, tenta pela quarta vez chegar à presidência, após perder — sempre no segundo turno — nas eleições de 2011, 2016 e 2021, para políticos que não concluíram seus mandatos.
“A última vontade de meu pai era que eu me candidatasse”, declarou Fujimori após deixar flores nos túmulos de seu pai e de sua mãe, Susana Higuchi, pouco antes de votar.
Seu lema, “volta a ordem”, reflete a orientação política de seu partido, que reivindica a figura autoritária e o governo de mão dura — ao mesmo tempo liberal na economia — de seu pai, que foi condenado a 25 anos de prisão por crimes cometidos durante a luta antiterrorista quando era presidente.
O ultraconservador López Aliaga, um milionário de 65 anos que pertence à ordem católica Opus Dei, deixou a prefeitura de Lima — considerada o segundo cargo político mais importante do país — em 2025 para disputar sua segunda tentativa de alcançar a presidência.
Ambos os candidatos prometeram mão dura contra a criminalidade e a corrupção, dois dos temas que mais preocupam os peruanos. López Aliaga também demonstra forte oposição aos imigrantes e prometeu expulsar os ilegais e prender sob condições severas aqueles que cometerem crimes.
Se a tendência atual se confirmar, os peruanos escolherão seu presidente entre opções claras de direita e extrema-direita. Uma grande incógnita, já que mais de 60% do eleitorado preferiu outras opções no primeiro turno.
Ainda há margem na apuração para que outro candidato da extensa lista alcance a segunda posição.
Este texto foi publicado inicialmente pela Inter Press Service (IPS)

Jornalismo e comunicação para a mudança global
