Passagem de fronteira entre Gaza e Egito é reaberta

Passagem de fronteira entre Gaza e Egito é reaberta

Conflito no território palestino continua sem trégua, com bombardeios causando vítimas civis e restrições contínuas ao acesso da ajuda humanitária fornecida por agências das Nações Unidas. (Imagem: ONU)

CORRESPONDENTE IPS

CAIRO – Agências humanitárias das Nações Unidas descreveram a reabertura, ainda que limitada, da passagem de fronteira de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza, na segunda-feira, 2 de junho, como um “progresso positivo”. Rafah é a única passagem de fronteira que conecta o território palestino ao mundo exterior sem passar por Israel.

“O acesso é limitado, as preocupações com a segurança persistem e as necessidades humanitárias continuam urgentes devido às atuais limitações operacionais”, afirmou Sam Rose, diretor de assuntos de Gaza da UNRWA, a agência da ONU para os territórios palestinos ocupados por Israel.

Rose mencionou a existência de uma “dinâmica contraditória”, observando que “nas últimas 24 horas, 30 palestinos foram mortos em ataques aéreos israelenses”, apesar do cessar-fogo estar formalmente em vigor desde 10 de outubro de 2025.

Por quase quatro meses após esse acordo, a ajuda humanitária liderada por agências da ONU pôde entrar e ser distribuída na Faixa de Gaza para seus 2,2 milhões de habitantes, mas com limitações impostas por Israel, que ainda ocupa militarmente metade desse território de 365 quilômetros quadrados.

Por ora, a reabertura da passagem de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, será limitada aos residentes desse território palestino, palco de dois anos de guerra após o grupo militante islâmico Hamas atacar o sul de Israel, matando mais de 1.100 pessoas.

Israel respondeu com uma ofensiva militar em larga escala que, ao longo de dois anos, custou a vida de mais de 71.000 palestinos, deixou 171.000 feridos, destruiu a maioria dos edifícios na Faixa de Gaza e deslocou centenas de milhares de famílias em meio a todos os tipos de privações.

A população também ficou presa entre o Mar Mediterrâneo e o muro que cerca a Faixa de Gaza, sem possibilidade de fuga em busca de ajuda.

Nesta segunda-feira, dia 2, pessoas começaram a cruzar a fronteira em busca de assistência médica urgente ou especializada no Egito, ou em outro país vizinho. Esperava-se que cerca de 150 pessoas conseguissem sair e outras 50 entrassem.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel permitirá a saída de 50 pacientes por dia. Autoridades no terreno indicaram que cada paciente poderá viajar com dois familiares.

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Estima-se que 20.000 crianças e adultos palestinos que necessitam de cuidados médicos estejam aguardando para sair por Rafah, segundo autoridades de saúde de Gaza.

A reabertura foi incluída no plano de cessar-fogo apoiado pelos EUA, assinado em outubro passado. A passagem será coordenada com o Egito e monitorada pela União Europeia (UE), de forma semelhante ao mecanismo implementado em janeiro de 2025.

Assim, apenas os residentes que deixaram o enclave palestino durante a guerra poderão retornar a Gaza vindos do Egito. Eles deverão obter autorização prévia dos serviços de segurança israelenses e passar por uma triagem da UE na passagem de fronteira.

Em seguida, deverão passar por um segundo processo de identificação e triagem em um corredor administrado pelos militares israelenses em uma área sob seu controle.

Antes da guerra, Rafah era o principal ponto de passagem para pessoas que entravam e saíam de Gaza. As poucas passagens restantes no território levam à fronteira com Israel.

Nos termos do cessar-fogo, o exército israelense controla a área entre a passagem de Rafah e a região onde vive a maioria dos palestinos.

Enquanto isso, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) divulgou um relatório sobre o volume de ajuda humanitária que entra em Gaza. Entre 23 e 29 de janeiro, pelo menos 13.800 paletes de ajuda humanitária, geridas pela ONU e seus parceiros, foram descarregadas nas passagens de fronteira de Gaza.

Quase 60% dessas remessas continham alimentos, mas também itens para abrigo, material escolar, produtos de higiene, combustível e kits nutricionais.

No total, entre o anúncio do cessar-fogo em 10 de outubro de 2025 e 29 de janeiro de 2026, pelo menos 272.000 paletes de bens humanitários foram descarregados e 270.000 paletes foram recolhidos nos diversos pontos de passagem.

“Cerca de 1.500 paletes, ou menos de 1% da ajuda entregue, foram interceptados durante o trânsito por Gaza”, enfatizou o OCHA, acrescentando que os números não incluem doações bilaterais nem o setor comercial.

As agências da ONU mantêm quantidades significativas de ajuda humanitária no Egito, prontas para serem transportadas para Gaza caso a sua entrada pela passagem de Rafah seja autorizada.

Artigo publicado na IPS

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