A tomada de Gaza deve ser interrompida imediatamente: ONU Direitos Humanos

A tomada de Gaza deve ser interrompida imediatamente: ONU Direitos Humanos

POR CORRESPONDENTE IPS

Governo de Israel anunciou a ocupação militar total da cidade de Gaza, o que foi rejeitado pelo alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, pois ignora uma sentença da Corte Internacional de Justiça e causará ainda mais sofrimento à população palestina após 22 meses de guerra. Imagem: UNRWA

GENEBRA – Israel deve interromper imediatamente seu plano de tomar militarmente toda a Faixa de Gaza e, em vez disso, deve se concentrar em salvar a vida de civis e permitir o livre fluxo de ajuda humanitária, declarou nesta sexta-feira, 8, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.

Esse plano “contraria a decisão da Corte Internacional de Justiça que exige que Israel ponha fim à sua ocupação o mais rápido possível, a concretização da solução acordada de dois Estados e o direito dos palestinos à autodeterminação”, afirmou Türk.

Ele disse que “de acordo com todas as evidências até o momento, essa nova escalada provocará mais deslocamentos forçados em massa, mais assassinatos, mais sofrimento insuportável, destruição sem sentido e crimes atrozes”.

“A guerra em Gaza deve acabar agora. E israelenses e palestinos devem poder conviver em paz”, resumiu.

Após 22 meses de ofensiva militar sobre Gaza, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu conseguiu a aprovação de seu gabinete de segurança para ocupar totalmente a Faixa, contrariando até mesmo a opinião dos altos comandos do exército de seu país.

O atual conflito começou em 7 de outubro de 2023, quando a milícia islâmica Hamas, com base em Gaza, atacou o sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e fazendo 250 reféns. A resposta de Israel custou a vida de mais de 60.000 palestinos e deixou mais de 140.000 feridos.

A maioria do que foi construído na Faixa — um território de 265 quilômetros quadrados com 2,2 milhões de habitantes — está destruída ou inutilizada, o cerco militar impede o acesso à ajuda humanitária e a fome aguda já afeta um quarto da população e ameaça gravemente o restante.

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O exército israelense considera 88% da Faixa como zona militar e controla 75% do território. Na pequena área restante, está amontoada a maioria da população de Gaza, já que nove em cada dez famílias tiveram que se deslocar, e a ocupação total pode levar a mais deslocamentos e mortes de civis.

A decisão do gabinete de Netanyahu visa resgatar à força cerca de vinte reféns que ainda estão nas mãos de milícias islâmicas, em vez de negociar a libertação com os sequestradores, como sugeriram os comandantes militares.

Em Israel, foram realizadas marchas de rua — algumas reprimidas e com manifestantes detidos — lideradas por familiares dos reféns, que se opõem à ocupação total de Gaza e exigem um acordo que permita a libertação dos cativos e o acesso de ajuda humanitária à população civil da Faixa.

Desde o início da guerra em Gaza, as agências humanitárias têm alertado repetidamente que os bombardeios israelenses, as ordens de evacuação em massa e as restrições à ajuda criaram uma catástrofe humanitária.

Türk disse que “em vez de intensificar esta guerra, o governo israelense deveria concentrar todos os seus esforços em salvar a vida dos civis de Gaza, permitindo o fluxo pleno e irrestrito de ajuda humanitária”.

Ele também afirmou que “os reféns devem ser libertos imediata e incondicionalmente pelos grupos armados palestinos. E os palestinos detidos arbitrariamente por Israel também devem ser libertos imediata e incondicionalmente”.

Artigo publicado originalmente pela Inter Press Service.


Foto: UNRWA

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