Apoio internacional ao plano de Trump para acabar com a guerra em Gaza

Apoio internacional ao plano de Trump para acabar com a guerra em Gaza

NAÇÕES UNIDAS – As nações ocidentais expressaram amplo apoio ao plano para encerrar a guerra na Faixa de Gaza, apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mas sua aceitação por parte do grupo islamista palestino Hamas ainda é incerta.

Segundo fontes próximas às negociações, citadas pela emissora CBS News, o Hamas “tende a aceitar o plano” e apresentará uma resposta aos mediadores do Egito e do Catar na quarta-feira, dia 1º. Já outro grupo armado, a Jihad Islâmica, rejeita o acordo, que não prevê a criação de um Estado palestino independente.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, “acolheu com satisfação” o anúncio feito por Trump, que tem como objetivo alcançar um cessar-fogo e uma paz sustentável no território palestino e na região, segundo informou seu gabinete.

Guterres “agradeceu o importante papel desempenhado pelos Estados árabes e muçulmanos na busca por esse objetivo”, e acrescentou que “agora é fundamental que todas as partes se comprometam a alcançar um acordo e aplicá-lo”.

Ele afirmou que a prioridade deve ser aliviar o imenso sofrimento causado por este conflito, reiterou o apelo por um cessar-fogo imediato e permanente, solicitou acesso humanitário sem restrições a toda a Faixa de Gaza e a libertação imediata e incondicional de todos os reféns.

Guterres espera que “isso crie as condições para a realização da solução de dois Estados”, segundo comunicado de seu porta-voz.

A solução de dois Estados — Israel e Palestina — constava como o ponto 21 em versões preliminares do acordo, mas foi substituída por Trump em sua proposta final de 20 pontos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que a União Europeia está disposta a contribuir com a proposta para Gaza, mas ressaltou que a solução de dois Estados continua sendo a única via viável para alcançar uma paz justa e duradoura.

Oito países árabes e islâmicos — Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Jordânia, Paquistão, Catar (sede das negociações com o Hamas) e Turquia — afirmaram em declaração conjunta estar dispostos a cooperar com os Estados Unidos e as partes envolvidas para finalizar o acordo e garantir sua implementação.

O presidente francês, Emmanuel Macron, elogiou o plano de Trump e afirmou: “Espero que Israel aja com determinação com base nessa proposta. O Hamas não tem outra escolha a não ser libertar imediatamente todos os reféns e seguir esse plano”.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, também recebeu o plano com bons olhos, indicando a disposição da Alemanha em contribuir de forma concreta. Seu ministro das Relações Exteriores, Johann Fadivoll, advertiu o Hamas para que “não perca esta oportunidade”.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer pediu a todas as partes que se unam e trabalhem com os Estados Unidos para finalizar o acordo e torná-lo realidade. Ele declarou que “o Hamas agora deve aceitar o plano e pôr fim ao sofrimento, depor as armas e libertar todos os reféns restantes”.

A libertação de 48 reféns (cerca de 20 vivos e os corpos dos que morreram em cativeiro) é um dos pontos centrais do plano proposto. Uma dificuldade é que alguns desses reféns podem estar em poder da Jihad Islâmica, e não do Hamas.

Em troca, Israel deverá libertar 250 palestinos condenados à prisão perpétua e outros 1.700 detidos desde o início do conflito atual, em 7 de outubro de 2023, após o ataque do Hamas ao sul de Israel, que matou mais de 1.100 pessoas e resultou no sequestro de outras 250.

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A ofensiva militar israelense, que já dura quase dois anos, causou a morte de mais de 60 mil palestinos — incluindo mais de 400 por inanição —, feriu cerca de 168 mil e destruiu grande parte das estruturas da Faixa de Gaza, que possui 365 quilômetros quadrados e mais de dois milhões de habitantes.

Em Israel, o acordo tem ampla aceitação, pois permite a recuperação dos reféns — uma exigência de manifestações populares contrárias ao governo Netanyahu —, interrompe o conflito e abre caminho para a convivência com os vizinhos.

Netanyahu celebrou que, com a proposta, “Israel mudou o jogo”, ao isolar o Hamas, já que a pressão internacional, inclusive dos países árabes e muçulmanos, agora se volta contra o grupo palestino para que aceite o acordo.

Ele destacou que Trump prometeu dar a Israel “total apoio para completar a operação militar visando sua eliminação”, caso o Hamas rejeite os termos da proposta.

A Autoridade Nacional Palestina reconheceu “os sinceros e decididos esforços” de Trump para encerrar a guerra em Gaza e expressou sua “disposição de se envolver de forma positiva e construtiva com os Estados Unidos para alcançar paz, segurança e estabilidade para os povos da região”.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, declarou que seu país “acolhe com satisfação a proposta de paz para Gaza promovida pelos Estados Unidos. É hora de pôr fim a tanto sofrimento”.

“É hora de cessar a violência, libertar imediatamente todos os reféns e permitir o acesso da ajuda humanitária à população civil”, afirmou Sánchez, acrescentando que “a solução de dois Estados, Israel e Palestina, convivendo lado a lado em paz e segurança, é a única possível”.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, considerou que o plano proposto por Trump representa “um ponto de virada” no conflito e possibilita “um cessar-fogo permanente, a libertação imediata de todos os reféns e acesso humanitário pleno e seguro à população civil”.

A população de Gaza sofre, como consequência da guerra e da destruição generalizada, com grave escassez de água potável, alimentos, medicamentos, insumos médicos, serviços sanitários, eletricidade e combustível.

O acordo proposto por Trump prevê a entrada massiva de ajuda humanitária sob coordenação das Nações Unidas, e a administração da Faixa de Gaza por uma autoridade de tipo municipal com supervisão internacional.

O Hamas deverá se desarmar, seus integrantes receberão anistia por parte de Israel e será permitido que deixem Gaza os que assim desejarem, mas o grupo será explicitamente excluído do futuro governo no território palestino.

A proposta também inclui a reconstrução física da Faixa de Gaza e o desenvolvimento de um plano de crescimento econômico.

Enquanto se aguarda a resposta do Hamas, as hostilidades continuam. Nas 24 horas seguintes à apresentação do plano de Trump, mais 42 pessoas morreram sob bombardeios em Gaza, várias delas enquanto buscavam ajuda e alimentos.

Na imagem, habitantes de Gaza vão diariamente em busca de alimentos nos poucos pontos onde podem obter ajuda, arriscando a vida enquanto a ofensiva militar israelense continua / ONU

Texto publicado originalmente pela Inter Press Service

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