El Niño chega com nova onda de calor sobre o planeta

El Niño chega com nova onda de calor sobre o planeta

Fenômeno irá exacerbar as secas, aumentar as chuvas intensas e agravar o risco de ondas de calor tanto em terra quanto no mar”, afirma Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo. (Jon Sullivan/ Wikimedia Commons)

POR CORRESPONDENTE IPS
Inter Press Service

GENEBRA – O fenômeno El Niño está prestes a começar, trazendo temperaturas acima da média e eventos climáticos extremos para praticamente todo o planeta, alertou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta terça-feira, dia 2.

“Precisamos nos preparar para um possível evento El Niño forte, que irá exacerbar as secas, aumentar as chuvas intensas e agravar o risco de ondas de calor tanto em terra quanto no mar”, disse a Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo.

O El Niño é um aquecimento periódico da temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial central e oriental, causado por ventos mais quentes, com uma periodicidade entre dois e sete anos, e cada período durando entre nove e doze meses.

Geralmente se forma entre março e junho, atinge seu pico entre novembro e fevereiro e, além de elevar as temperaturas, altera os ciclos habituais de chuva em várias regiões, levando a chuvas incomuns seguidas de inundações ou períodos de seca mais severos e prolongados.

“O impacto do El Niño vai muito além de sua origem no Oceano Pacífico, afetando a agricultura, o fornecimento de energia, o comércio, os recursos hídricos, as cadeias de suprimentos e os meios de subsistência em regiões inteiras”, disse Saulo a repórteres nesta cidade suíça.

Ela lembrou que “o episódio mais recente do El Niño, ocorrido em 2023-2024, foi um dos cinco mais intensos já registrados e contribuiu para as temperaturas globais sem precedentes registradas em 2024”.

Desta vez, alguns cientistas já apontam para uma alta probabilidade de que 2026 termine como o segundo – ou mesmo o primeiro – ano mais quente já registrado no planeta, destronando 2024.

Segundo a OMM (Organização Meteorológica Mundial), há 80% de probabilidade de ocorrência de condições de El Niño entre junho e agosto, e 90% de probabilidade de que ocorram mais tarde.

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Com temperaturas seis graus Celsius (°C) acima da média, as leituras da temperatura do Oceano Pacífico tropical estão alimentando preocupações de que o El Niño de 2026 possa se aproveitar desse calor extra e devastar comunidades vulneráveis ​​e desavisadas em todo o mundo.

“O mundo deve tratar isto como o alerta climático urgente que é”, observou o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, em resposta ao alerta da organização meteorológica.

O El Niño de 2026-2027 poderá aumentar as chuvas no sul da América do Sul e nos Estados Unidos, em partes do Chifre da África e na Ásia Central.

Também pode causar secas na América Central, Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia, além de alimentar furacões no Pacífico central e oriental.

Saulo afirmou que outros riscos associados ao calor extremo incluem uma maior disseminação de doenças transmitidas por vetores, como mosquitos e carrapatos, e uma redução no fornecimento de alimentos e água.

“As comunidades que já enfrentavam dificuldades serão levadas ainda mais além de seus limites”, observou ela.

Para os consumidores, que enfrentam inflação devido a crises como a guerra no Oriente Médio, os preços dos alimentos podem subir ainda mais com o impacto do El Niño nas fazendas e na pecuária.

A OMM (Organização Meteorológica Mundial) tem sustentado que não há evidências de que as mudanças climáticas aumentem a frequência ou a intensidade do El Niño, mas podem amplificar os impactos associados, uma vez que um oceano e uma atmosfera mais quentes fornecem mais energia e umidade para fenômenos extremos, como ondas de calor e chuvas mais intensas.

Saulo afirmou que “podemos nos preparar muito melhor graças à ciência e ao investimento de muitos países para estarmos bem preparados; mas, além do El Niño, temos fenômenos extremos que exigem cada vez mais investimentos”.

“A previsão sazonal antecipada e os alertas precoces são vitais para salvar vidas e atenuar o impacto nas nossas economias e nas nossas comunidades”, frisou.

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