OMS investiga surto de hantavírus em cruzeiro no Atlântico

Navio que transportava turistas pelo Atlântico teve surto de hantavírus; sete pessoas foram infectadas e três morreram. OMS investiga caso com autoridades de saúde do Cabo Verde e da Espanha. (Imagem: CDC/ Cynthia Goldsmith, Luanne Elliott)
POR CORRESPONDENTE IPS
Inter Press Service
GENEBRA – A Organização Mundial da Saúde (OMS) assumiu a resposta internacional de saúde pública ao surto de hantavírus detectado a bordo do luxuoso navio de cruzeiro MV Hondius, que navega no Atlântico sob bandeira holandesa e que já infectou sete pessoas, das quais três morreram.
“A situação é instável. Um paciente está em terapia intensiva na África do Sul e entendemos que ele está melhorando. Dois pacientes que ainda estão a bordo do navio preparam-se para retornarem à Holanda para tratamento”, relatou a médica da OMS, Maria van Kerkhove, a repórteres nesta cidade suíça.
O chefe de preparação e prevenção de epidemias e pandemias da OMS, Van Kerkove, disse que “o plano e nossa principal prioridade é evacuar essas duas pessoas por razões médicas para garantir que elas recebam os cuidados necessários”.
Um terceiro caso suspeito, que em determinado momento apresentou febre leve, “está atualmente bem”, afirmou o funcionário da OMS.
O hantavírus é uma família de vírus transmitidos aos humanos por roedores selvagens (especialmente o rato-de-cauda-longa, Oligoryzomys longicaudatus, nativo do Chile e da Argentina), causando doenças graves e potencialmente fatais como a síndrome pulmonar por hantavírus.
É transmitida pela inalação de partículas de urina, fezes ou saliva de roedores infectados, causando febre, dores musculares e insuficiência respiratória aguda.
O navio Hondius, com 147 pessoas a bordo, incluindo passageiros e tripulantes, partiu em 1º de abril de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, visitou a costa da Antártida e seguiu para o norte até as Ilhas Sandwich do Sul, Tristão da Cunha, Santa Helena, Ascensão, chegando em 3 de maio a Cabo Verde, onde se encontra.
A empresa planeja seguir viagem para as Ilhas Canárias, na Espanha, cujas autoridades “afirmaram que receberão o navio para realizar uma investigação epidemiológica completa, uma desinfecção total da embarcação e, naturalmente, avaliar o risco para os passageiros”.
Os passageiros foram orientados a permanecer em suas cabines enquanto a desinfecção e outras medidas de saúde pública são realizadas. Equipes médicas de Cabo Verde estão prestando assistência a bordo do navio.
A OMS acredita preliminarmente que as vítimas do hantavírus podem ter sido infectadas antes de embarcarem no navio de cruzeiro, e a transmissão de pessoa para pessoa a bordo não pode ser descartada, embora seja rara.
Van Kerkhove afirmou que os primeiros pacientes, um casal, embarcaram no navio na Argentina. “Considerando o período de incubação do hantavírus, que pode variar de uma a seis semanas, presumimos que eles foram infectados fora do navio. Era um navio de expedição; muitas das pessoas a bordo estavam observando pássaros e diversos animais selvagens”, comentou o oficial.
“Pode ter havido, também, alguma infecção nas ilhas visitadas — algumas têm muitos roedores — para outros casos suspeitos”, apontou. “Acreditamos que pode ter ocorrido uma transmissão entre as pessoas com contatos próximos, como o casal e outros infectados que compartilharam uma cabine.”
A transmissão da infecção entre pessoas é rara, mas uma disseminação limitada entre contatos próximos foi relatada em surtos anteriores do vírus Andes, que faz parte do grupo dos hantavírus.
Não existem tratamentos específicos para o hantavírus além de cuidados de suporte. “As pessoas geralmente desenvolvem sintomas respiratórios, então o suporte respiratório é realmente importante”, alertou Van Kerkhove, enfatizando que algumas pessoas precisam de ventilação mecânica. A terapia intensiva pode ser necessária, especialmente se o quadro do paciente piorar.
Ela, então, se dirigiu às pessoas a bordo do navio, onde estão representadas mais de 20 nacionalidades: “queremos apenas que vocês saibam que estamos trabalhando com os operadores do navio e com os países de origem dos viajantes. Nós os ouvimos. Sabemos que estão com medo. Estamos tentando garantir que o navio tenha todas as informações possíveis, que vocês recebam os cuidados necessários e retornem em segurança para suas casas”.

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