OMS recomenda medicação injetável para prevenção do HIV
Por Correspondente do IPS
GENEBRA – A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta segunda-feira (14) novas diretrizes que recomendam o uso de lenacapavir (LEN) injetável duas vezes por ano, como opção adicional de profilaxia pré-exposição (PrEP) para a prevenção do HIV, causador da aids.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, disse que “embora uma vacina contra o HIV continue sendo difícil de conseguir, o lenacapavir é a melhor alternativa: um antirretroviral de ação prolongada que, segundo ensaios clínicos, previne quase todas as infecções por HIV em pessoas em risco”.
A OMS pediu que o medicamento inovador esteja disponível imediatamente em farmácias, clínicas e consultas online, destacando as vantagens que tem o LEN, primeiro produto de PrEP injetável semestral, sobre as pílulas orais diárias e outras terapias de ação breve.
O lenacapavir, comercializado sob a marca Sunlenca, foi desenvolvido pela farmacêutica americana Gilead Sciences e já recebeu a aprovação para uso da União Europeia, Canadá e Estados Unidos.
No contexto de atraso dos esforços globais de prevenção contra a epidemia de aids devido à falta de financiamento suficiente, ganha importância o apoio ao medicamento injetável dado pela OMS desde sua sede nesta cidade suíça.
A entidade recomendou o uso de kits de teste rápido para a doença, em vez de procedimentos complexos e caros, com o objetivo de agilizar a aplicação da injeção próximo às residências dos interessados em recebê-la.
Os dados da ONU indicam que 1,3 milhão de pessoas contraíram HIV em 2024. As mais afetadas foram as profissionais do sexo, os homens que fazem sexo com homens, as pessoas transgênero, as pessoas que se injetam drogas, as pessoas em prisão, e as crianças e adolescentes.
Durante a 13ª Conferência da Sociedade Internacional da Aids sobre Ciência do HIV, que acontece desde 13 de julho em Kigali, Ruanda, Tedros expressou o compromisso da OMS de “trabalhar com os países e seus parceiros para garantir que o medicamento chegue às comunidades da forma mais rápida e segura possível”.
Embora o acesso à injeção de LEN continue sendo limitado fora dos ensaios clínicos, a OMS instou os governos, doadores e parceiros a “incorporar imediatamente” esse medicamento nos programas nacionais de prevenção do HIV.
Em junho passado, o Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids) expôs que o preço proposto pela Gilead nos Estados Unidos, de US$ 28 mil anuais, contrasta com um estudo da revista científica The Lancet de que poderia ser produzido por um preço mil vezes inferior, entre US$ 25 e US$ 46.
Outras opções de prevenção do HIV apoiadas pela OMS incluem comprimidos orais diários, cabotegravir injetável – que requer uma dose a cada dois meses –, e o anel vaginal de dapivirina, como parte de um número crescente de ferramentas para acabar com a epidemia de HIV.
As diretrizes atualizadas também incluem recomendações para integrar os serviços de HIV com os de doenças não transmissíveis, como hipertensão e diabetes, bem como o atendimento de saúde mental para depressão, ansiedade e transtornos por uso de álcool.
Tedros afirmou que “o lançamento das novas diretrizes da OMS, junto com a recente aprovação da FDA (administração de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos) ao lenacapavir, marca um avanço crucial na ampliação do acesso a essa poderosa ferramenta”.
Segundo o Unaids, no final de 2024 cerca de 40,8 milhões de pessoas viviam com HIV (vírus da imunodeficiência humana), 65% delas na África.
As mortes por causas relacionadas ao HIV no mundo alcançaram 630 mil pessoas no ano passado e estima-se que 1,3 milhão contraíram o vírus, incluindo 120 mil crianças.
A OMS indicou que, apesar dos cortes nos recursos para a luta contra o HIV, o acesso aos medicamentos contra o vírus aumenta e 31,6 milhões de pessoas receberam tratamento em 2024. Em 2023 foram 30,3 milhões.
*Imagem em destaque: O lenacapavir, comercializado sob a marca Sunlenca, recebeu aprovação como medicamento eficaz, injetável duas vezes por ano, para prevenir a infecção pelo HIV. A OMS recomenda sua adoção imediata em todos os países, enquanto o Unaids apresenta informações segundo as quais seu alto preço deveria ser reduzido significativamente. Foto: Gilead SciencesTentar novamente
**Publicado originalmente em IPS – Inter Press Service

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