Palestinos correm risco frente à expansão do controle israelense em Gaza
Crianças e adultos precisam percorrer a perigosa “linha amarela”, que separa precariamente o território habitado pela população de Gaza da área da Faixa ocupada por Israel. A expansão da área ocupada pelas forças israelenses agrava e ameaça a já precária existência da população palestina, segundo relatos de equipes das Nações Unidas. Reprodução/ Agência Wafa
CORRESPONDENTE IPS
Inter Press Service
NAÇÕES UNIDAS – A contínua expansão das áreas controladas por Israel na Faixa de Gaza palestina, desde o acordo de cessar-fogo de outubro [de 2025], está colocando os civis em maior risco e limitando severamente as operações humanitárias, alertou na quarta-feira (01/07) a equipe das Nações Unidas responsável pelo assunto.
Em comunicado, a Equipe Humanitária Conjunta nos Territórios Palestinos Ocupados denunciou que os militares israelenses têm usado força letal para impor restrições de acesso nas áreas que controlam desde o início do frágil acordo de cessar-fogo.
Entre 10 de outubro de 2025 e o início de abril de 2026, a ONU verificou a morte de 196 palestinos em ataques israelenses perto de áreas onde as forças do Estado ocupante estão posicionadas. Entre os mortos, estavam 18 mulheres e 43 crianças.
Segundo relatos, muitos dos falecidos estavam viajando por áreas sem uma delimitação clara no terreno, enquanto muitos outros ficaram feridos.
De acordo com o acordo de cessar-fogo, Israel ocupou mais da metade de Gaza (365 quilômetros quadrados com 2,2 milhões de habitantes antes da guerra de 2023-2025), mas expandiu essa área com uma faixa de segurança que move conforme sua vontade para abrigar as dezenas de postos militares que estabeleceu na Faixa.
O resultado é que a população de Gaza, que durante o conflito teve de se deslocar continuamente para escapar dos bombardeamentos e dos combates, ficou comprimida numa pequena faixa de território numa das margens do Mediterrâneo oriental.
À linha amarela definida pelo cessar-fogo, Israel acrescentou uma nova, a linha laranja. Os habitantes de Gaza agora vivem em uma área que corresponde a entre 36% e 40% do território que possuíam antes da guerra, desencadeada por ataques da milícia islâmica Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2013.
As zonas de ocupação militar e acesso restrito abrangem cerca de 65% do território de Gaza, e a maioria delas é proibida aos residentes, exigindo que o acesso da ajuda humanitária através delas seja coordenado pelas organizações que prestam o auxílio.
A declaração destacou o impacto nas operações humanitárias, observando que as restrições de circulação continuam causando atrasos e interrupções na assistência vital. O acesso à Faixa de Gaza por via marítima também permanece proibido.
Alguns parceiros humanitários tiveram que reduzir ou suspender temporariamente atividades essenciais, afetando milhares de famílias, principalmente após o assassinato de prestadores de serviços que atuavam nessas áreas.
A primeira exigência das entidades da ONU é que cessem imediatamente os ataques contra palestinos que estejam se aproximando demais das tropas israelenses.
Na semana passada, houve mais vítimas e novos deslocamentos, em meio às operações militares em curso.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que opera com as autoridades de fato, entre 17 e 24 de junho, 23 palestinos foram mortos e 137 ficaram feridos.
Com isso, o número total de mortos desde o anúncio do acordo de cessar-fogo em 10 de outubro de 2025 chega a 1.029, com 3.294 feridos. Segundo as Forças Armadas de Israel, um contratado do Ministério da Defesa em Gaza também morreu em um acidente em 24 de junho.
Continuam a ser relatados incidentes que afetam os pescadores, incluindo disparos da marinha israelense perto da costa. As atividades de pesca permanecem restritas, limitando os meios de subsistência e as oportunidades de recuperação rápida.
O acesso seguro ao mar também é essencial para atividades como nadar e relaxar, especialmente considerando o aumento das temperaturas e a quase total falta de fornecimento de eletricidade.
A maior parte da população de Gaza sobreviveu e subsistiu graças à ajuda internacional, canalizada principalmente por meio de agências da ONU e da Cruz Vermelha, que consegue entrar com caminhões para fornecer, embora insuficientemente, água, alimentos, medicamentos, suprimentos, utensílios domésticos, combustível, cobertores e barracas.
Mas entre 15 e 21 de junho, foram recebidos alertas sobre incidentes que afetaram mais de 212 famílias em Gaza. Destas, 139 foram vítimas de ataques, 67 foram deslocadas por atividades militares e alterações na “Linha Amarela”, quatro sofreram incêndios e duas outras tiveram seus abrigos inundados.
A ONU insistiu que os civis devem ser sempre protegidos de acordo com o direito internacional humanitário e os direitos humanos.

Jornalismo e comunicação para a mudança global
