Hugo explica amizade com Wellington: do embate de 2002 ao beijo em Amarante

O ex-governador Hugo Napoleão foi ao Mimbó para abraçar o ministro Wellington Dias, no dia do seu aniversário, numa demonstração de civilidade e maturidade política. (Imagem: Reprodução/Pensar Piauí)
POR OSCAR DE BARROS
O ex-governador Hugo Napoleão foi ao Mimbó para abraçar o ministro Wellington Dias, no dia do seu aniversário, numa demonstração de civilidade e maturidade política.
O QUE ACONTECEU
Na comunidade quilombola Mimbó, em Amarante (PI), uma cena incomum da política piauiense chamou atenção nesta semana. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, comemorou seu aniversário no local, acompanhado de autoridades e lideranças políticas que participaram de uma agenda institucional voltada ao fortalecimento da produção de alimentos e da segurança alimentar.
Durante a visita, a comitiva acompanhou a implantação de uma unidade do Sisteminha, iniciativa do ministério que transforma pequenos espaços em áreas de produção integrada de alimentos, com foco na geração de renda e no fortalecimento da agricultura familiar.
Entre os presentes estava o ex-governador do Piauí Hugo Napoleão. Ao receber o antigo adversário político, Wellington Dias protagonizou um gesto simbólico: abraçou o ex-governador e lhe deu um beijo na cabeça, em demonstração de afeto e respeito.
A cena sintetizou uma mudança significativa na relação entre dois protagonistas da história política recente do estado. Ao longo de décadas, Wellington Dias e Hugo Napoleão estiveram em campos opostos em disputas eleitorais acirradas. Com o passar do tempo, no entanto, a rivalidade política deu lugar a uma convivência marcada pela cordialidade e pela amizade.
O episódio mais emblemático dessa rivalidade ocorreu na eleição para o governo do Piauí em 2002. Naquele momento, Hugo Napoleão ocupava o cargo de governador havia pouco mais de um ano, após assumir o posto com a cassação de Mão Santa. Pela legislação eleitoral, Napoleão tinha o direito de disputar a reeleição.
No cenário nacional, o então candidato à Presidência da República José Serra articulou uma aliança no Piauí entre o PFL e o PSDB, reunindo duas das principais lideranças políticas do estado: Hugo Napoleão e o então prefeito de Teresina, Firmino Filho.
Como parte do acordo, o PSDB indicou o jornalista e advogado Fernando Said para compor a chapa como candidato a vice-governador. A aliança, porém, enfrentou resistências políticas e simbólicas. Meses antes de sua formalização, Firmino Filho havia se posicionado publicamente em defesa de Mão Santa, utilizando uma frase que se tornaria conhecida no cenário político estadual: “Oligarquia, nunca mais!”, numa crítica direta aos grupos políticos ligados ao PFL naquele período.
A composição entre as duas forças políticas acabou gerando desgaste e rejeição em parte do eleitorado. Nesse contexto, Wellington Dias lançou sua candidatura pelo PT e construiu uma campanha que resultaria em uma vitória histórica, marcando o início de um novo ciclo político no estado.
A disputa de 2002 ficou registrada como um dos momentos mais intensos da política piauiense recente, marcada por confrontos retóricos e embates eleitorais entre os grupos rivais.
Décadas depois, o reencontro entre Wellington Dias e Hugo Napoleão no Mimbó revela uma transformação nas relações políticas. Em entrevista recente ao portal Pensar Piauí, Hugo Napoleão comentou justamente essa mudança de trajetória, relatando como a convivência ao longo dos anos transformou antigos adversários em amigos.
