Transposição do São Francisco pode garantir segurança hídrica e transformar Semiárido piauiense

Estudos indicam viabilidade técnica do projeto e apontam impactos no abastecimento, agricultura e desenvolvimento regional. (Foto: Iran Ferreira/Pensar Piauí)
POR RAFAELA LEAL
Pensar Piauí
O projeto de integração hídrica em estudo aponta a transposição das águas do Rio São Francisco como alternativa viável para assegurar abastecimento regular no Semiárido do Piauí, com impactos diretos no consumo humano, na agricultura familiar, na segurança alimentar e no desenvolvimento econômico das regiões mais vulneráveis do estado. Na quarta-feira (25), o deputado estadual Franzé Silva e representantes do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) falaram à imprensa e a influenciadores digitais sobre o andamento dos estudos de viabilidade e os possíveis impactos sociais do empreendimento.
Comunicação como instrumento de interesse público
Durante o evento, Franzé Silva destacou a importância de levar o debate para além dos espaços técnicos e institucionais. Segundo ele, a participação da imprensa e de formadores de opinião é fundamental para garantir que a população compreenda o alcance da proposta.
De acordo com o parlamentar, a segurança hídrica é um tema estratégico que precisa chegar às comunidades que serão diretamente impactadas. Ele ressaltou que o projeto envolve questões como abastecimento humano, dessedentação animal, fortalecimento da agricultura, segurança alimentar e melhoria das condições de saúde nas regiões beneficiadas.
Franzé Silva também informou que o diálogo com a sociedade seguirá por meio de audiências públicas. Uma delas está prevista para ocorrer em São Raimundo Nonato, reunindo vereadores, prefeitos, lideranças religiosas, sindicatos e a população em geral. A proposta, segundo ele, é desmistificar a ideia de que se trata de um projeto individual ou de governo, reforçando seu caráter social e coletivo.
O deputado citou experiências já consolidadas em estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, onde a transposição do São Francisco já produz impactos na oferta hídrica. Para ele, o momento é de promover mudança semelhante no Piauí.
Estudos técnicos e análise de viabilidade
Representando o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Giuseppe Vieira apresentou detalhes sobre o andamento dos estudos técnicos. Segundo ele, os primeiros produtos já estão sendo entregues e apresentados à população, enquanto etapas subsequentes seguem em estágio avançado.
A fase inicial incluiu a caracterização da demanda hídrica na região. Equipes técnicas percorreram aproximadamente 1.200 quilômetros para realizar visitas in loco, ouvindo moradores, autoridades locais e profissionais que atuam na gestão de recursos hídricos. Também foi iniciado o levantamento das infraestruturas existentes, com o objetivo de subsidiar o planejamento da futura integração.
O estudo contempla ainda uma análise histórica de alternativas para garantir segurança hídrica ao território, incluindo possibilidades como o aproveitamento de águas do Rio Parnaíba, da bacia do Gurguéia e de aquíferos subterrâneos, como o Aquífero Cabeça.
Entretanto, parte dessas alternativas apresentou limitações técnicas e econômicas, especialmente em razão de desafios geográficos. Em alguns cenários, seria necessário bombear água a desníveis superiores a 300 metros, o que elevaria significativamente os custos de implantação e operação, sobretudo pelo alto consumo de energia elétrica.
Diante desse contexto, a transposição do Rio São Francisco desponta, neste momento, como a alternativa com maior viabilidade técnica e econômica. Até novembro, o estudo deverá apresentar três opções de traçado, com estimativas de custos e análise comparativa de vantagens e desvantagens, permitindo a definição do modelo a ser adotado.
O MIDR assumiu o compromisso de manter a transparência ao longo de todas as etapas, divulgando cada avanço significativo à sociedade.
Segurança hídrica e desenvolvimento regional
Também presente no encontro, Bruno Cravo, representante do ministério, destacou que a segurança hídrica vai além do abastecimento. Segundo ele, a oferta regular de água representa dignidade humana e cria condições para o desenvolvimento regional sustentável.
O projeto prevê, inicialmente, o mapeamento de áreas com potencial para aproveitamento agrícola a partir da nova disponibilidade hídrica, com atenção especial à agricultura familiar. Experiências semelhantes em outras regiões atendidas pela transposição indicam que a ampliação da oferta de água pode impulsionar a produção rural, gerar renda e fortalecer a autonomia das populações locais.
Com a iniciativa, o poder público busca integrar dois eixos centrais: garantir abastecimento humano e fomentar o desenvolvimento socioeconômico do Semiárido piauiense. O debate ampliado com a sociedade, segundo os organizadores, é parte essencial do processo de construção coletiva do projeto.
Jornalista do Pensar Piauí
