67 jornalistas mortos em 2025, quase a metade em Gaza

Por Carmen Munari
Balanço anual da ONG Repórteres sem Fronteiras mostra que o México é o segundo país mais perigoso para jornalistas e que 503 profissionais da mídia estão detidos
O número de jornalistas assassinados nos últimos 12 meses em todo o mundo voltou a aumentar devido às práticas criminosas das forças armadas, regulares ou não, e do crime organizado. Dos 67 profissionais da mídia assassinados, pelo menos 53 foram vítimas da guerra ou do crime organizado, entre 1º. de dezembro de 2024 a 1º. de dezembro de 2025.
Veja o balanço do Repórteres Sem Fronteiras:
- O exército israelense é responsável por mais de 43% dos crimes cometidos contra jornalistas nos últimos doze meses, ou seja, quase metade deles. No total, desde outubro de 2023, o exército israelense matou quase 220 jornalistas, incluindo pelo menos 65 no cumprimento de suas funções ou por causa delas. Na Ucrânia, o exército russo continua a ter como alvo jornalistas nacionais e internacionais. Quanto ao Sudão, este país também se destaca como uma zona de guerra particularmente mortal para a profissão.
- No México, o crime organizado é responsável por um aumento alarmante nos assassinatos de jornalistas em 2025. O ano de 2025 foi o mais violento no México em pelo menos três anos, e o país é o segundo mais perigoso para jornalistas no mundo, com nove jornalistas assassinados. E o fenômeno está se espalhando com a mexicanização da América Latina: o continente americano responde por 24% dos jornalistas assassinados no mundo. Embora tenha passado um ano desde que Claudia Sheinbaum assumiu a Presidência do país e apesar dos compromissos assumidos com a Repórteres sem Fronteiras, 2025 foi o ano mais letal no México em pelo menos três anos, e o país é o segundo mais perigoso para jornalistas no mundo, com nove jornalistas assassinados.
- Os jornalistas nacionais pagam o preço mais alto: apenas dois jornalistas estrangeiros foram mortos fora de seus países, o fotojornalista francês Antoni Lallican, morto por um ataque de drone russo na Ucrânia, e o jornalista salvadorenho Javier Hercules, morto em Honduras, onde morava há mais de dez anos. Todos os outros foram mortos enquanto cobriam as notícias em seu país.
- Além da morte, são alvo de muitos outros abusos. Nada menos que 503 jornalistas estão detidos no mundo todo: enquanto a China possui o maior sistema prisional do mundo (121), a Rússia (48) – que entrou para o grupo dos três primeiros depois de Birmânia (47) – detém o maior número de jornalistas estrangeiros: 26 ucranianos.
- Um ano após a queda de Bashar al-Assad, vários de repórteres presos ou capturados durante o seu regime estão desaparecidos, tornando a Síria o país com o maior número – mais de um quarto do total – de profissionais da mídia desaparecidos em todo o mundo.
- Em 2025, 135 jornalistas ainda estão desaparecidos em 37 países ao redor do mundo. Alguns há mais de 30 anos. Embora nenhum continente seja poupado, o fenômeno é particularmente evidente no México (28) e na Síria (37).
- Vinte jornalistas continuam sendo mantidos como reféns em diferentes partes do mundo. Em 2025, sete outros jornalistas foram feitos reféns pelos rebeldes hutis, tornando o Iêmen o país onde mais jornalistas sofreram esse tipo de sequestro nos últimos 12 meses.
Thibaut Bruttin, Diretor Geral da Repórteres sem Fronteiras:
“Eis o resultado do ódio aos jornalistas!” Ele levou à morte de 67 jornalistas este ano, não por acidente, não como efeito colateral. Eles foram mortos, visados por causa de seu trabalho como jornalistas. A crítica aos meios de comunicação é legítima e deve ser uma força de mudança para garantir a sobrevivência dessa função social, mas sem jamais resvalar para o ódio aos jornalistas, que surge em grande parte, ou é mantido, por uma vontade tática das forças armadas e dos grupos criminosos. E este é o resultado da impunidade: o fracasso das organizações internacionais, que já não conseguem fazer cumprir a lei sobre a proteção de jornalistas em conflitos armados, é consequência da falta de coragem dos governos que deveriam implementar políticas de proteção pública. De testemunhas privilegiadas da história, os jornalistas tornaram-se gradualmente vítimas colaterais, testemunhas inconvenientes, moeda de troca, peões em jogos diplomáticos, homens e mulheres a serem eliminados. Cuidado com os atalhos jornalísticos: ninguém dá a vida pelo jornalismo, ela lhe é roubada; jornalistas não morrem, são assassinados.”

Na imagem, Homem lamenta a morte de Muhammad Abu Hatab, correspondente de TV palestino, em Gaza – Rizek Abdeljawad / 3.nov.23/Xinhua

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produzo o Focus 21, escrevo e edito os textos dos analistas.
