Conclat 2026: classe trabalhadora no centro da agenda nacional

Conclat 2026: classe trabalhadora no centro da agenda nacional

Centrais Sindicais realizam neste 15 de abril a Conclat 2026 em Brasília, com a Marcha dos Trabalhadores e das Trabalhadores, pautas decisivas para o país e audiência com o Presidente Lula.

Brasília será palco de uma importante demonstração de unidade e mobilização do movimento sindical brasileiro. A Conclat 2026 (Conferência da Classe Trabalhadora) reunirá oito centrais sindicais — CUT, CTB, Força Sindical, UGT, CSB, NCST, Intersindical e Pública — no Teatro Nacional Claudio Santoro, antes da Marcha da Classe Trabalhadora pela Esplanada e da audiência das centrais com o presidente Lula. A expectativa divulgada pelas entidades é de cerca de 15 mil trabalhadores e trabalhadoras na capital federal.

Mais do que um ato de calendário, a Conclat chega com um sentido político muito definido: aprovar a “Pauta da Classe Trabalhadora – Prioridades 2026” e apresentar ao governo federal um conjunto de reivindicações que recoloca o trabalho, os direitos e a democracia no centro do debate nacional. Segundo as centrais, esse documento deve servir como referência para mobilizações, negociações e iniciativas institucionais no próximo período.

Entre os temas que ganharam mais força na convocação para o dia 15 estão a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o fim da escala 6×1, a regulamentação do trabalho por aplicativos, o fortalecimento das negociações coletivas e a ratificação da Convenção 151 da OIT, relativa à negociação coletiva no serviço público. Também aparecem com destaque o combate à pejotização, a defesa de emprego digno e medidas de enfrentamento à violência contra as mulheres.

O significado da Conclat, porém, vai além da pauta imediata. Em um cenário de transformações aceleradas no mundo do trabalho, avanço da precarização e radicalização da disputa política e ideológica no país, a capacidade das centrais de construírem uma agenda unitária tem peso estratégico. A unidade em torno de reivindicações concretas e compreensíveis para milhões de trabalhadores ajuda a recompor iniciativa social e política num momento em que a extrema direita segue buscando capturar insatisfações reais com soluções regressivas. Essa leitura é uma inferência política a partir da própria centralidade dada pelas entidades à defesa de direitos, da democracia e da soberania na marcha e na pauta aprovada.

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A audiência com o presidente Lula, prevista para depois da Conclat e da marcha, reforça esse peso. Ao levar diretamente ao Palácio do Planalto a pauta definida de forma unificada, as centrais procuram combinar pressão de rua, formulação programática e interlocução institucional — três dimensões que historicamente deram força ao sindicalismo brasileiro em seus momentos mais relevantes.

Num país marcado por desigualdades profundas e persistentes, por novas formas de exploração e por uma batalha permanente em torno de valores e projetos de sociedade, a Conclat 2026 recoloca uma questão fundamental: sem trabalho valorizado, sem organização coletiva e sem direitos efetivos, não há democracia nem justiça social para o conjunto da sociedade.

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