Decreto imperial nº 1776-MAGA, hino da dependência e ‘oração patriotária’

Decreto imperial nº 1776-MAGA, hino da dependência e ‘oração patriotária’

A política do Big Stick foi uma estratégia de política externa dos Estados Unidos, associada ao presidente Theodore Roosevelt no início do século XX. Pregava “falar brandamente, mas andar com um grande porrete” (speak softly and carry a big stick). Essa política envolvia a ameaça da força militar, principalmente o envio da poderosa Marinha dos EUA, para projetar poder e garantir os interesses americanos na América Latina e no Caribe, levando a intervenções e maior envolvimento dos EUA em questões internacionais.

O “porrete” simbolizava o poderio militar americano a ser usado como para alcançar os objetivos diplomáticos. Com foco na América Latina, foi utilizado para intervir em questões de soberania nacional da região, como a construção do Canal do Panamá, garantindo a influência dos EUA no Hemisfério Ocidental.

A política do Big Stick complementou a Doutrina Monroe, justificando a ação dos EUA como “polícia internacional” para manter a estabilidade no continente. Essa “diplomacia das canhoneiras” utilizava a ameaça de força para forçar negociações e influenciar outros países.

A Doutrina Monroe foi uma política externa, anunciada em 1823 pelo presidente dos EUA, James Monroe. Afirmava: os países europeus não poderiam colonizar mais nenhuma nação nas Américas nem intervir nos assuntos dos países já independentes da região. Em troca, os EUA se comprometeram a não interferir nos assuntos europeus.

Essa política, apesar de inicialmente parecer um gesto de solidariedade, evoluiu para uma justificativa de controle e intervenção dos EUA na América Latina e no Caribe. É associada a um longo período de imperialismo americano.

Recentemente, o Napoleão de Hospício da Casa Branca recuperou a tradição da Doutrina Monroe e política do Big Stick. Sob os incentivos e aplausos dos Capachonaros, decretou o seguinte.

Decreto Imperial nº 1776-MAGA

Promulgado por Sua Majestade, Donald Napoleão I,

Imperador do Ocidente, Defensor do Big Sick, Guardião do Norte Global,

e Protetor dos Trópicos Confusos.

Considerando meia dúzia de súditos tropicais, vestidos de camisa de futebol e carregando The Stars and Stripes (Estrelas e Listras), Old Glory (Velha Glória) e The Star-Spangled Banner (A Bandeira Estrelada), me imploram por intervenção no Dia da Independência não respeitado,

Considerando o pedido de liberdade para uma donzela de sobrenome Zambelli, injustamente aprisionada na península italiana por ter sido condenada por contratar um hacker e praticar a invasão dos sistemas e adulteração de documentos do CNJ, além de perseguir armada um descendente de escravos,

Considerando terem pintaram a deusa Justiça com batom, acreditando estar escrevendo a nova Constituição,

DECRETO O SEGUINTE:

Fica oficialmente adotado o Google Tradutor como língua oficial da resistência patriota brasileira.

A camisa da seleção brasileira será o uniforme de campanha MAGA-tropical, com direito a código de barras para compra parcelada em 12 vezes.

O grito de independência brasileiro passa a ser: “SOS Donald, Capachonaro Free!”, devendo ser entoado em praças, rodoviárias, aeroportos e todos os grupos de WhatsApp, acompanhado de emojis com bandeirinha americana e corrente de oração apresentada em seguida.

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Zambelli será considerada santa padroeira dos Supremacistas Brancos tupiniquins. Sua canonização será transmitida ao vivo pelo X (antigo Twitter), com tradução simultânea para o italiano macarrônico e demais línguas dos descendentes dos colonizadores.

Fica decretada a criação da Ordem Imperial do Batom Vermelho, em homenagem à mártir Débora, cuja vitimização e coitadismo ousou enfrentar o STF com a arma mais letal de todas: maquiagem de cabelereira.

Doravante, todo 7 de setembro será renomeado como “Dia Internacional da Dependência”, em celebração ao vínculo eterno entre o bananal republicano e o imperial porrete.

Assino e carimbo,

Donald Napoleão I

Imperador do MAGA e Protetor dos Patriotas de Tradução Automática

Diante esse decreto assinado, foi entoado um hino imperial, com versos no estilo de canto patriótico, pelos manifestantes no 7 de setembro contra a soberania nacional.

🎶 Hino Imperial da Dependência Verde-Amarela-MAGA 🎶

(cantar em tom marcial, com batida de bumbo e corneta)

1ª estrofe

Salve, ó Donald glorioso,

nosso chefe universal!

Te invocamos no Masp,

com cartaz em portuglês [sic] tropical.

Refrão

SOS, Donald, Capachonaro Free!

Camisa da Seleção, viva The Star-Spangled Banner [Bandeira Estrelada]!

SOS, Donald, Capachonaro Free!

Independência é pedir tutela: Yes, Sir, To Thee! [Sim, Senhor, Para Ti!]

2ª estrofe

Com batom revolucionário,

A cabeleireira pintou a nação,

e Zambelli, santa perseguidora de negros,

reza forte pela extradição.

Refrão

SOS, Donald, Capachonaro Free!

Faixa em italiano, cartaz em inglês.

SOS, Trump, Bolsonaro Free!

Dependência sem fronteiras, só no Zap, big techs free.

3ª estrofe

Do Norte vem a força,

do tarifaço, inspiração,

nosso sonho é ser colônia

do Império do Mar-a-Lago-Flórida!

Refrão final (apoteótico)

SOS, Donald, Capachonaro Free!

Submissão voluntária, país de fantasia.

SOS, Donald, Capachonaro Free!

Independência é pedir: “Donald, manda via tweet aqui!”.

Esse hino satírico tem uma versão “oração paródica”, como se fosse uma reza patriota dos manifestantes dirigida ao “Imperador Donald”.

🙏 Oração Patriotária ao Imperador Donald 🙏

Imperador Donald, que estais em Mar-a-Lago,

santificado seja vosso Big Stick,

venha a nós o vosso porrete,

seja feita a vossa eleição,

assim nos EUA como no Brasil.

O Big Stick nosso de cada dia nos dai hoje,

perdoai nossas fake news,

assim como nós não perdoamos o STF,

e não nos deixeis cair no comunismo imaginário,

mas livrai-nos Xandão e do Lulinha Paz e Amor,

porque teu é o MAGA, a Wall Street e o ZapZap,

agora e sempre,

Amém, SOS Donald, Capachonaro Free!

Imagem: Reprodução de TV

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