Em disputa acirrada Lula x Flávio Bolsonaro, governo precisa ‘antecipar campanha’, diz cientista político

Paulo Roberto de Souza aponta que a extrema direita já se mobiliza nas redes sociais e governo não consegue fazer frente
Por Lucas Krupacz, Lucas Salum, Maria Teresa Cruz, Nara Lacerda / Brasil de Fato
A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (15) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança do primeiro turno com 37% das intenções de voto para a Presidência. Em um eventual segundo turno, no entanto, o petista aparece com 40%, tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL), que tem pequena vantagem com 42%.
De acordo com Paulo Roberto de Souza, cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), o cenário atual inspira cuidados para o governo federal. “Há uma diferença entre a percepção de que entregar resultados por parte do governo vá trazer uma melhoria de aprovação e a percepção da população de modo geral. O cenário neste momento é preocupante pro governo e talvez seja importante ele sair do âmbito da ideia de fazer entregas para antecipar, fazer disputa política”, avalia.
Além disso, ainda é difícil saber se Flávio atingiu o teto de possibilidade de votos e isso pode fazer a diferença. “Não dá para ter essa certeza ainda. E se formos analisar, o cenário do primeiro turno é também de um empate técnico.”
O levantamento também trouxe informações com relação à aprovação do governo, que teve a avaliação positiva entre 31% dos entrevistados, mesmo número que no mês anterior, e 42% negativa. O maior impacto negativo foi na área econômica, muito em decorrência do aumento do endividamento, que, segundo a pesquisa, atinge 72% do eleitorado participante. Para 50% dos brasileiros, a situação econômica piorou nos últimos 12 meses e 71% consideram que o poder de compra diminuiu no período; apenas 11% consideram que o poder de compra aumentou.
E, apesar dos dados de empregabilidade positivos, a percepção de 53% dos eleitores é que está mais difícil encontrar uma ocupação.
Souza destaca que a avaliação do governo não tem reagido, “já faz um tempo”, aos resultados que deveriam ser positivos. “Notadamente, a isenção do imposto de renda. Já é o terceiro mês que uma parte da população que trabalha formalmente já tem a sua isenção, quem ganha até R$ 5 mil, tem outras variações, economias para quem ganha um pouco acima e a aprovação continua em queda”, aponta.
O cientista político concorda que a campanha oficial ainda não começou, mas, especialmente nas redes sociais, a extrema direita já se mobiliza de forma coordenada. “Esse processo é principalmente trazido pela extrema direita. A campanha eleitoral já está acontecendo, mesmo que de forma informal. E me parece, quando eu olho para o governo, que o governo não entendeu isso. Não só o governo, seu bloco de apoio, de mobilização, parecem que não entendeu”, critica.
A pesquisa foi realizada entre 9 e 13 de abril e entrevistou 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais. O nível de confiança é 95%, enquanto a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Foi registrada junto à Justiça Eleitoral e protocolada sob o número BR-09285/2026.
Na imagem, o presidente Lula durante reunião de anúncio de medidas econômicas para o setor habitacional (15/04) / Ricardo Stuckert / PR

