Flávio, os milicianos, o pai e a fila do osso
Análise questiona a disparidade no tratamento midiático entre as famílias Lula e Bolsonaro, contrastando a persistência de suspeitas contra Lulinha com a normalização de denúncias sobre o clã do ex-presidente. (Imagem: ChatGPT)
POR MOISÉS MENDES
Blog do Moisés Mendes
Essas duas chamadas estiveram quase lado a lado nas capas dos jornais essa semana:
Defesa diz que repasses a agência de viagens usada por Lulinha não têm relação com Careca do INSS
Ex-assessora de Flávio na Alerj é alvo de denúncia por lavagem de dinheiro de seu filho miliciano
Imagine o impacto de cada uma. A primeira precisa de tradução para ser compreendida como ataque a Lulinha. Mas o que importa é manter o filho de Lula nas manchetes.
A segunda pode ser compreendida por uma criança. Mas essa irá desaparecer logo dos jornais, e Lulinha continuará nas capas e até no Jornal Nacional.
Porque a relação de Flavio com os milicianos (até homenagens ele fez a Adriano da Nóbrega, filho da ex-assessora) não provoca mais repercussão nenhuma, tem impacto quase zero. Porque é mais uma situação normalizada.
Dizer que Flávio tem relação com as milícias não muda nada. Mas as pessoas acham que entendem o que significa a notícia sobre repasses a agência de viagens usada por Lulinha.
Se a chamada tiver Lulinha e Careca do INSS, já basta. Se tiver as palavras milicianos ou milícias, não surte efeito algum. São paisagens.
E na capa da Folha tem ainda esse release, como se tivesse saído da assessoria de imprensa da extrema direita:
“Flávio afirma que condução da economia em um governo seu será parecida com a do pai”.
Entenderam? Um governo seu será igualzinho ao do pai. Como se fosse no tempo das capitanias hereditárias.
Metade dos eleitores se nega a lembrar o que foi o governo do pai dele. A outra metade se lembra bem, inclusive de uma marca econômica e social que ficou como tatuagem do bolsonarismo: a fila do osso.
